IncêndiosLeis e Normas

A inspeção e a manutenção de extintores de incêndio

NBR 12962 de 12/2016: inspeção e manutenção de extintores de incêndio

Em relação ao fogo, há a necessidade de saber a sua origem. Para cada classe de fogo existe pelo menos um tipo de extintor e todos trazem as suas especificações: Classe A – Combustíveis Sólidos: quando o fogo é gerado por material sólido como madeira, papel e tecido e os extintores mais indicados são os à base de água ou espuma produzida mecanicamente; Classe B – Líquidos Inflamáveis: quando o fogo é gerado por líquidos inflamáveis como álcool, querosene, combustíveis e óleos e os extintores mais indicados são aqueles com carga de pó químico ou gás carbônico; Classe C- Equipamentos Elétricos: quando o fogo é gerado por equipamentos elétricos como transformadores, fios e cabos e os extintores mais indicados são os com carga de pó químico ou gás carbônico. Não se deve usar um extintor de incêndio com carga de água para apagar fogo Classe B, o que pode propagar o fogo, e o de Classe C, devido aos riscos de curtos-circuitos e choques elétricos.

 

A NBR 12962 de 12/2016 – Extintores de incêndio — Inspeção e manutenção estabelece os requisitos para conferência periódica e os serviços de inspeção e manutenção de extintores de incêndio portáteis e sobre rodas, especificados nesta norma, visando propiciar maior segurança ao usuário e desempenho adequado do produto no momento de sua utilização. Não se aplica aos seguintes extintores: com carga de água, dotados de válvula pneumática para pressurização; dotados de válvula tipo três movimentos; com carga de CO2 dotados de rosca de ½” 14 NPT ou rosca ½” 14 NGT; e recipientes e cilindros cromados.

Quando não for possível identificar o valor da pressão normal de carregamento (PNC) deve-se adotar 1 MPa para extintores de pressurização direta e 1,4 MPa para os de pressurização indireta. Para os efeitos de aplicação desta norma, considerar 1 MPa equivalente a 10 kgf/cm². A indicação de marcas deve ter caráter meramente exemplificativo dos requisitos técnicos que devam ser atendidos.

 

A massa do extintor portátil não pode ultrapassar 20 kg bem como a massa do extintor sobre rodas não pode ultrapassar 250 kg. Quando da realização dos serviços de manutenção de terceiro nível, os extintores de incêndio e seus componentes devem ser submetidos aos ensaios de verificação de vazamento, em conformidade com as normas de referência específicas. Quando a inspeção técnica e a manutenção do extintor de incêndio demandar a substituição de qualquer componente, esse componente deve atender ao estabelecido, sendo que, especificamente com relação ao pó para extinção de incêndio deve atender a NBR 9695.

 

Considerar que o material do tubo-sifão deve ser aquele indicado nas normas de fabricação descritas na Seção 4 e no manual do fabricante do extintor. A verificação mensal a ser feita pelo proprietário ou responsável do extintor de incêndio com a finalidade de constatar se este permanece em condições de operação no tocante aos seus aspectos externos e instalação adequada. Esta verificação deve ocorrer em intervalos mais frequentes quando as circunstâncias exigirem.

 

A conferência periódica deve verificar algumas características. Por exemplo, se o extintor está instalado adequadamente quanto à sua correta localização, classe e risco de fogo, sinalização, faixa de temperatura de operação, fixação ou apoio em suporte, desobstrução e fácil visualização; o aspecto externo quanto a dano e corrosão. As condições de lacração, de modo a evidenciar a inviolabilidade do extintor de incêndio e os prazos limites descritos para execução dos próximos serviços de inspeção e manutenção.

 

Igualmente, deve-se verificar o quadro de instruções legível e adequado ao tipo e modelo do extintor de incêndio; as condições de uso do conjunto de rodagem e transporte; adequação e condições aparentes da mangueira de descarga, válvula, punho, difusor e cilindro para o gás expelente (ampola), quando for o caso; o ponteiro do indicador de pressão na faixa de operação; e a desobstrução do orifício de descarga.

 

Ao ser notada alguma irregularidade nas verificações, o extintor de incêndio deve ser imediatamente submetido à inspeção ou manutenção. A verificação deve ser registrada manual ou eletronicamente, contendo nome, data e horário da verificação e de quem a efetuou e as ocorrências identificadas. A inspeção define o nível de manutenção a ser efetuado e deve ser realizada somente por empresa de serviços de inspeção e manutenção de extintor de incêndio, por meio de profissionais capacitados para esta função.

 

Na inspeção deve-se verificar o seguinte: condições do ambiente a que está exposto o extintor de incêndio, quando aplicável; identificação do fabricante do extintor de incêndio, gravada de forma indelével no recipiente ou cilindro; as condições de lacração, de modo a evidenciar a inviolabilidade do extintor de incêndio, verificando se o lacre tem possibilidade de ruptura quando da utilização; data da última manutenção e do último ensaio hidrostático, os prazos-limites para execução dos próximos serviços, a validade destes e se são mantidas as condições que preservem a garantia dada aos serviços; e o quadro de instruções, legível e adequado ao tipo e modelo do extintor de incêndio, e à faixa de temperatura de operação indicada.

 

Deve-se verificar a fixação dos componentes roscados; integridade e funcionalidade do conjunto de rodagem e transporte; as condições aparentes da mangueira de descarga, punho e difusor, quanto a rachaduras, trincas, ressecamentos, entre outros danos, quando for o caso; o recipiente ou cilindro do extintor de incêndio e seus componentes aparentes, quanto à presença de sinais de corrosão e outros danos; o ponteiro do indicador de pressão na faixa de operação, ou seja, área verde do indicador de pressão; a existência de todos os componentes aparentes necessários para seu transporte e funcionamento; a desobstrução do orifício de descarga; no caso do extintor de incêndio com carga de dióxido de carbono (CO2), os registros da massa do extintor de incêndio completo com carga (peso cheio – PC) e da massa do extintor vazio (peso vazio – PV) indicados na válvula.

 

No caso do extintor de incêndio com carga de dióxido de carbono (CO2), a carga real de gás é realizada por meio da verificação da massa (pesagem), comparando com o valor indicado na válvula de descarga, com tolerância até –10% da carga nominal e no caso dos cilindros para gás expelente (ampola) com carga de dióxido de carbono (CO2), a carga real de gás é realizada por meio da verificação da massa (pesagem), comparando com o valor indicado em sua válvula de descarga, com tolerância até –10% da carga nominal, ou por meio da verificação da pressão, no caso dos cilindros para gás expelente (ampola) com carga de gás permanente (por exemplo, nitrogênio), com tolerância de até –10% da pressão de operação nominal.

 

Ao se notar alguma irregularidade nas verificações, o extintor de incêndio deve ser imediatamente submetido a manutenção de primeiro, segundo ou terceiro nível, exceto quanto às condições do ambiente a que está exposto o extintor de incêndio.

 

O relatório deve conter no mínimo as seguintes informações: nome do cliente e endereço; data da inspeção e identificação da empresa executante; identificação do extintor de incêndio; as condições do ambiente a que está exposto o extintor de incêndio, quando aplicável; conferência, por pesagem, da carga de cilindro do extintor incêndio carregado com dióxido de carbono (CO2); registros das não conformidades e determinação do nível de manutenção a ser executado no extintor de incêndio.

 

A frequência da inspeção é de seis meses para extintores de incêndio com carga de dióxido de carbono (CO2), cilindros para o gás expelente (ampola) e extintores de pressurização indireta é de 12 meses para os demais extintores. Recomenda-se maior frequência de inspeção nos extintores de incêndio que estejam sujeitos a intempéries, e/ou condições severas.

 

Quanto à manutenção, deve ser realizada somente por profissionais capacitados da empresa de serviços de inspeção e manutenção de extintor de incêndio. O nível de manutenção deve ser definido em função da situação encontrada na inspeção técnica, de acordo com a tabela abaixo.

Ficam impedidos de serem submetidos à manutenção os recipientes dos extintores de incêndio de baixa pressão, os cilindros dos extintores de incêndio de alta pressão e os cilindros para o gás expelente que não possuam as seguintes marcações à punção: identificação do fabricante; número do recipiente ou cilindro; data de fabricação; norma brasileira de fabricação; código de projeto (para os extintores com fabricação a partir de 2006).

 

Caso os extintores não possuam qualquer um dos itens citados, o recipiente ou cilindro deve ser condenado e colocado fora de uso. Além disso, com a permissão do proprietário, devem ser destruídos. Fica impedida a realização de manutenção de extintores de incêndio cujos componentes não estejam disponíveis no mercado, o que implicaria a perda da garantia de funcionalidade do extintor.

 

Não são permitidas adaptações. Estes extintores de incêndio devem ser condenados, não sendo permitido seu retorno para operação do público em geral. Novas marcações não podem ser realizadas na linha de transição da parte cilíndrica para a calota ou base dos cilindros dos extintores de incêndio, bem como na sua parte cilíndrica. As marcações devem ser realizadas somente na calota (cúpula).

 

O local para as empresas registradas efetuarem as marcações dos recipientes é aquele definido nas normas de fabricação dos extintores, definidos na Seção 2, no manual de manutenção do fabricante e, na inexistência deste, atender ao seguinte: recipiente com base de apoio (saia), nesta; recipientes sem base de apoio, na calota superior com caneta de marcação indelével.

 

A manutenção de primeiro nível, por consistir em procedimento de caráter corretivo, envolvendo componentes não sujeitos à pressão permanente, pode ser executada, sempre que for requerida por uma inspeção, no local onde o extintor de incêndio se encontra instalado, desde que não haja justificativa para a remoção do extintor de incêndio para a empresa registrada prestadora de serviço.

 

A manutenção de primeiro nível consiste em: limpeza dos componentes aparentes; reaperto de componentes roscados que não estejam submetidos à pressão; colocação do quadro de instruções, quando necessário, conforme Anexo C; substituição ou colocação de componentes que não sejam submetidos à pressão, conforme Anexo B.

 

A manutenção de segundo nível, por consistir em procedimento de caráter preventivo e corretivo, deve ser executada na frequência conforme a seguir: extintores fabricados anteriormente à NBR 15808 e ABNT NBR 15809: após término da garantia do fabricante ou uso: até 12 meses; extintores fabricados em conformidade com a NBR 15808 ou ABNT NBR 15809: durante a garantia do fabricante: conforme manual de manutenção do fabricante; após término da garantia do fabricante ou uso: se especificados processo, procedimento e periodicidade da manutenção, bem como componentes a serem substituídos no manual de manutenção: até o determinado no manual de manutenção do fabricante; na ausência dessas especificações, até 12 meses.

 

Caso a inspeção determine, a frequência da manutenção pode ser reduzida. Para extintores com carga de dióxido de carbono, fica a critério da empresa que realizou a manutenção de 2º nível ou 3º nível determinar o prazo máximo da manutenção de 2º nível, respeitando como data limite a realização da manutenção de 3º nível.

 

A manutenção de segundo nível do extintor de incêndio deve ser realizada adotando-se os seguintes procedimentos: desmontagem completa do extintor de incêndio; verificação dos componentes roscados conforme Anexo A; verificação da necessidade do recipiente ou cilindro de extintor de incêndio a ser submetido ao ensaio hidrostático; limpeza de todos os componentes e desobstrução (limpeza interna) dos componentes sujeitos a entupimento; inspeção visual das roscas dos componentes removíveis e verificação dimensional para as roscas cônicas dos cilindros para extintores de incêndio com carga de dióxido de carbono (CO2) e cilindros para gases expelentes (ampolas), conforme Anexo A; inspeção das partes internas, utilizando o dispositivo de iluminação interna e externa quanto à existência de danos ou corrosão, conforme Anexo F, descrito em 5.3.3; repintura, quando necessário, descrito em 5.4; regulagem da válvula de alívio, para extintores de pressurização indireta, conforme 8.9.4; regulagem estática do regulador de pressão pertencente ao extintor de incêndio de pressurização indireta, conforme 8.9.5, de forma que seja permitida a pressurização do recipiente para o agente extintor até atingir uma pressão estática de 1,4 MPa (14 kgf/cm²) ou conforme manual do fabricante do extintor.

 

Deve-se fazer a substituição das vedações da válvula, conforme orientações do fabricante do extintor. Na falta delas, fazer conforme boas práticas; exame visual dos componentes de materiais plásticos ou borracha, os quais não podem apresentar rachaduras ou fissuras. Realizar a verificação do tubo-sifão quanto ao comprimento (estabelecido por meio de dispositivo que meça, direta ou indiretamente, a profundidade do cilindro ou recipiente do gargalo ao fundo interno), integridade da rosca, existência de chanfro e demais características que possam comprometer o desempenho do extintor de incêndio.

 

Quando verificada a necessidade de troca do tubo -sifão, este deve atender às normas de fabricação do extintor e do manual do fabricante do extintor. Para extintores de CO2, avaliação visual de todos os componentes do extintor de incêndio, podendo acarretar na substituição dos que não atendam as especificações técnicas.

 

Realizar a verificação da condutividade elétrica da mangueira de descarga, conforme ensaio descrito em 8.9.2; a verificação do indicador de pressão, o qual não pode apresentar vazamento e deve indicar marcação correta quanto à faixa de operação; e a fixação dos componentes roscados, com aperto adequado, sendo que, para a válvula de descarga, tampa e mangueira, devem ser adotadas as recomendações do Anexo B.

 

Para o conjunto de segurança (bujão, disco e arruela), caso necessária substituição, deve ser adotada a especificação do manual do fabricante do extintor ou fabricante da válvula e a troca do conjunto completo. Executar a substituição do quadro de instruções, conforme prescrito no Anexo C, adequado ao tipo e modelo do extintor de incêndio, se necessário.

 

Verificar a montagem do extintor de incêndio com os componentes compatíveis previamente verificados e aprovados, ou com componentes substituídos novos que atendam às normas e requisitos técnicos aplicáveis; e a execução de recarga e pressurização do extintor de incêndio.

 

Proceder a realização do ensaio de vazamento do extintor de incêndio, conforme descrito em 8.6 ou na NBR 15808 ou NBR 15809; colocação da trava e lacre; fixação de etiqueta autoadesiva contendo nível de manutenção efetuado, prazo para próxima manutenção de 2º nível (mês e ano) e próxima manutenção de 3º nível (ano).

 

Para o caso do extintor de incêndio com carga de dióxido de carbono (CO2) ou cilindro de gás expelente, devem ser efetuadas, nas válvulas, de acordo com 5.3.8.4.1, as marcações da massa do extintor de incêndio completo com carga, mangueira, punho e difusor (PC) e da massa do extintor de incêndio completo descarregado (PV). Caso exista essa informação deve-se checar se o PC e PV estão corretos. Caso não estejam, esses dados devem ser corrigidos.

 

FONTE: Equipe Target

 

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