Leis e Normas

Segurança do trabalho na indústria metalmecânica: uma abordagem química

Quando pensamos em segurança do trabalho na indústria, logo imaginamos um trabalhador todo paramentado, com equipamentos de proteção individual (EPI). Porém, o assunto extrapola ações sobre os efeitos provenientes dos riscos ocupacionais. Neste artigo, o enfoque está na relação do metal, como produto químico, com a saúde
do trabalhador.

Desde que começaram a ser utilizados, os metais ocupam um papel fundamental na história da humanidade. Os egípcios usavam lâminas de cobre como espelhos e fabricavam pentes de latão – liga de zinco e cobre. Os romanos usavam o cobre em bombas d’água e o chumbo nos encanamentos de distribuição de água. A máquina impressora de Gutemberg, as máquinas da Revolução Industrial e, atualmente, bicicletas, aviões e foguetes, todos construídos com metais, são também exemplos da importância que têm.

Hoje, o plástico é cada vez mais utilizado, mas ainda não é capaz de substituir os metais em certas atividades. É por essa razão que os metais e suas ligas ainda ocupam lugar de destaque no cenário mundial. Como seria a vida do homem moderno, caso, em dado instante, esgotassem-se todas as fontes de metais do mundo e se todos os equipamentos e instalações feitos de metal fossem destruídos?

A indústria metalmecânica

seguranca-do-trabalho-na-industria-metalmecanica-uma-abordagem-quimica-1A indústria metalmecânica ou indústria metalomecânica ou metalúrgica, podendo ser ainda conhecida como metalurgia mecânica, incorpora todos os segmentos responsáveis pela transformação de metais nos produtos desejados, desde a produção de bens até serviços intermediários, incluindo máquinas, equipamentos, veículos e materiais de transporte.

Dentro dos campos de estudo da metalmecânica, encontram-se os processos de deformação plástica, soldadura, fundição e usinagem. Engloba, ainda, o estudo das propriedades dos materiais utilizados, o seu projeto e seleção e, também, os fenômenos de resistência, como a fadiga, a fluência ou o atrito.

No setor metalmecânico existe, também, a chamada metalurgia do pó, que utiliza o processo de sinterização para a tomada de várias partes de pó metálico. O pó de metal é compactado por colocação numa cavidade de metal fechado (uma matriz) sob pressão. Esse material compactado é inserido num forno e sinterizado numa atmosfera controlada a altas temperaturas. Então, os pós-metálicos coalescem e formam um sólido. Uma segunda operação de prensagem pode ser feita antes da sinterização para melhorar a compactação e as propriedades do material.

Em todas essas situações, que envolvem a transformação do metal, os trabalhadores estão expostos à diversas substâncias nocivas à saúde, o que exige que os responsáveis pela segurança e saúde dos funcionários estejam preparados e bem informados sobre como assegurar a qualidade de vida de todos.

PARCEIRO E VILÃO

Sem dúvida, seria muito difícil viver sem metais. De acordo com a tabela periódica, existem 87 tipos de metais e alguns deles aparecem de forma constante em nosso cotidiano. Às vezes, passam despercebidos e, outras vezes, esses metais são facilmente identificados.

A medicina utiliza metais em instrumento e aparelhos de implantes cirúrgicos, como válvulas, marcapassos e articulações artificiais. Materiais metálicos usados nesses casos devem oferecer grande resistência à corrosão, pois muitos deles permanecem no corpo humano. Na odontologia, metais são usados em restaurações, sob a forma de amálgamas, em armações metálicas para próteses, brocas, boticões e outros.

Por outro lado, a atividade humana vem aumentando os níveis de metais pesados nos ecossistemas aquáticos naturais. Esses metais são provenientes de atividades como a mineração, de indústrias de galvanoplastia e do despejo de efluentes domésticos. A principal fonte de contaminação de rios é a indústria, com seus despejos de resíduos ricos em metais pesados. Como exemplo, as indústrias de tintas, de cloro, de plásticos PVC e as metalúrgicas utilizam metais pesados nos processos, como o mercúrio e vários outros. Esses metais são descartados nos cursos d’água, após serem usados na linha de produção. Mas, esse tipo de contaminação não provém só das indústrias. Os incineradores de lixo urbano produzem fumaça rica em metais, como mercúrio, cádmio e chumbo, que se volatiliza lançando metal pesado a longas distâncias.

Do ponto de vista químico, a grave consequência parece não ter solução, já que esses metais não podem ser destruídos e são altamente reativos. A cada dia, fazem-se mais presentes em nossas vidas, em aparelhos eletrodomésticos ou eletroeletrônicos e componentes, inclusive pilhas, baterias e produtos magnetizados. Mercúrio, chumbo, cádmio, manganês e níquel são alguns dos metais pesados presentes nesses aparelhos. O chumbo é usado na soldagem de computadores, e o mercúrio está no visor de celulares.

Para o homem, os metais apenas são úteis em pequenas quantidades, como o ferro, zinco, magnésio e cobalto, que constituem a hemoglobina. Mas, se a quantidade limite desses metais for ultrapassada, eles se tornarão tóxicos, ocasionando problemas de saúde, tanto para o trabalhador das indústrias metalmecânicas, quanto aos consumidores, sem contar o malefícios ao meio ambiente.

PRINCIPAIS METAIS PESADOS CONTAMINANTES

O termo “metal pesado” costuma ser associado com contaminação e toxicidade e ecotoxicidade. Tais metais, e também os metaloides, são quimicamente muito reativos e bioacumuláveis, ou seja, os organismos não são capazes de eliminá-los.

O fato de associarmos a expressão “metal pesado” a essa ideia de toxicidade, traz-nos uma imprecisão, pois a regra fundamental da toxicologia, segundo Paracelsus (pseudônimo de Phillipus Aureolus Theophrastus Bombastus von Hohenheim que foi médico, alquimista, físico, astrólogo e ocultista suíço-alemão durante a Idade Média. A ele também é creditado a criação do nome do elemento zinco, chamando-o de zincum. Seu pseudônimo significa “superior a Celso (médico romano)”), é a de que todas as substâncias, incluindo o carbono e todos os outros elementos e derivados, podem ser tóxicas, a partir de uma dose alta o suficiente. O grau de toxicidade de metais varia grandemente de metal para metal e de organismo para organismo. Metais puros, raramente, ou nunca, são muito tóxicos, exceto quando se encontrarem como pós muito finos, o que pode ser prejudicial para os pulmões, independentemente de qualquer que seja a substância.

Os principais metais pesados contaminantes são:

  • Arsênico: Causa problemas nos sistemas respiratório, cardiovascular e nervoso.
  • Chumbo: Atinge o sistema nervoso, a medula óssea e os rins.
  • Cádmio: Causa problemas gastrointestinais e respiratórios.
  • Mercúrio: Concentra-se em diversas partes do corpo, como pele, cabelo, glândulas sudoríparas e salivares, tireoide, sistema digestivo, pulmões, pâncreas, fígado, rins, aparelho reprodutivo e cérebro, provocando inúmeros problemas de saúde.
  • Cromo: Provoca irritação na pele e, em doses elevadas, câncer.
  • Manganês: Causa problemas respiratórios e efeitos neurotóxicos.

DOENÇAS RELACIONADAS AO TRABALHO

Os trabalhadores do segmento metalmecânico estão sujeitos às pneumoconioses causadas por poeiras inorgânicas.

A beriliose é uma doença causada pela exposição ao berílio e pode manifestar-se na forma aguda ou crônica, até dez a quinze anos após cessada à exposição.

A siderose é caracterizada pelo achado de alterações radiológicas pulmonares associadas à exposição a fumos de óxido de ferro. Na forma pura é assintomática, mas frequentemente associa-se à silicose.

A estanhose ocorre por inalação de fumos e poeiras e por deposição de estanho nos pulmões. Não provoca sintomas e apresenta imagens radiológicas dramáticas por sua radiopacidade. Ocorre deposição de partículas de estanho nas vias aéreas inferiores, que são fagocitadas por macrófagos alveolares. Estes, carregados com material cristalino, agregam-se ao redor de bronquíolos, vasos, septos interlobulares e paredes alveolares, sem fibrose significativa.

As pneumoconioses por poeiras mistas englobam, sob esta denominação, pneumoconioses de padrões radiológicos sobrepostos, de opacidades regulares e irregulares, devido à inalação de poeiras de diversos tipos de minerais, com significativo grau de contaminação por sílica livre. Porém, apesar de apresentarem fibrose pulmonar, não exibem o substrato anatomopatológico típico de silicose. Há casos de pneumoconiose por poeiras mistas em fundições e cerâmicas, por exemplo.

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Outras pneumoconioses

Pneumoconiose por metais duros: Pneumopatia de característica aguda e subaguda, com desenvolvimento de fibrose em longo prazo, causada pela inalação de ligas de tungstênio e outros metais duros, como cobalto, titânio, tântalo, nióbio, vanádio, associados ao cobalto na propriedade ligante.

Pneumoconiose por exposição à rocha fosfática: Pneumoconiose benigna, sem fibrose.

Aluminose: Pneumoconiose por exposição ao alumínio.

Doença de Shaver: Pneumoconiose por exposição a abrasivos de alumina ou corundum (Al2O3).

Epidemiologia – fatores de risco de natureza ocupacional conhecidos

O berílio é um metal que, por suas propriedades de leveza e resistência à tensão e à transmissão de raios X, é utilizado na indústria de fabricação de ligas especiais, junto com aço, alumínio e cobre, em cerâmicas especiais e em aparelhos de raios X. Como um bom isolante elétrico, é também utilizado na indústria eletrônica como substrato de transistores, chips de computadores, bobinas, condutores elétricos e moldes na indústria plástica.

A exposição aos metais duros ocorre na produção de ligas de tungstênio com outros metais duros, na manufatura de motores de jato, no tingimento de vidros, cerâmicas e pinturas. A exposição à rocha fosfática dá-se, basicamente, em ocupações relacionadas à produção de fertilizantes fosfatados e outros, na mineração e nos depósitos dessa matéria-prima, material de origem magmática. Na maioria das suas fontes, é explorado a céu aberto e é composto, basicamente, de fosfato de cálcio associado à diversas impurezas, incluindo alguns metais, como ferro, manganês, titânio, bário e estrôncio em proporções menores. A contaminação por sílica livre depende da procedência do mineral. No Brasil, as principais minas de rocha fosfática, localizadas em Minas Gerais e Goiás, não apresentam teor de sílica suficiente para causar silicose. A exposição às poeiras ocorre principalmente nos processos de moagem e secagem.

Exposição ocupacional na fabricação de abrasivos de alumina ou corundum (Al2O3). A produção do corundum ocorre a partir da fusão da bauxita (minério de alumínio, contendo certa contaminação de sílica) a altas temperaturas (2.200°C), que, após resfriamento, sofre processo de britagem e moagem, liberando poeira com vários percentuais de cristobalita e tridimita, com potencial fibrogênico. O risco de desenvolvimento de pneumoconiose durante a utilização desses materiais abrasivos é motivo de controvérsia, em função da concentração de sílica livre presente nessas peças e da simultaneidade de exposição ao material particulado potencialmente fibrogênico nos locais de trabalho em que se utilizam esses rebolos em processo de abrasão.

Poucos casos de pneumoconiose por alumínio têm sido relatados no mundo. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, são raros os registros da doença, a qual apresenta quadro radiológico de opacidades regulares e irregulares, sem pneumotórax. A exposição ao alumínio ocorre no processo de fabricação de explosivos, pigmentos e produtos pirotécnicos. As pneumoconioses, devidas a outras poeiras inorgânicas, classificam-se como doenças relacionadas ao trabalho do Grupo I da Classificação de Schilling.

QUADRO CLÍNICO E DIAGNÓSTICO
Beriliose

seguranca-do-trabalho-na-industria-metalmecanica-uma-abordagem-quimica-3O berílio é altamente tóxico, sendo absorvido pelos pulmões e pela pele, ligando-se à proteínas plasmáticas e depositando-se no baço, fígado e ossos. Pode causar efeitos cutâneos, como eritemas, vesículas e úlceras crônicas.

No trato respiratório, pode causar irritação da árvore traqueobrônquica, levando à pneumonite química, e pode ativar o sistema imune, com proliferação local de linfócitos T.

Forma aguda: Manifesta-se como irritação da nasofaringe, traqueia, brônquios, pulmões e parênquima pulmonar. Podem ocorrer ulceração e perfuração do septo nasal, tosse seca e irritativa, dor retroesternal e pneumonia química. Esta tende a ser grave e o óbito é comum. A febre aparece nas infecções secundárias. Ao exame, encontram-se cianose, taquicardia, taquipneia e crepitações em bases pulmonares.

Forma crônica: Caracteriza-se por acometimento pulmonar e sistêmico. O tempo de latência é, em média, de dez a quinze anos, podendo ocorrer vários anos após cessada a exposição. Clinicamente, manifesta-se por dispneia progressiva aos esforços, dor torácica, tosse pouco produtiva, fadiga, perda de peso e artralgias, podendo cursar com adenopatia, lesões de pele, hepatoesplenomegalia e baqueteamento digital. Constituem critérios diagnósticos, segundo o Beryllium Case Registry, dos Estados Unidos, o achado de quatro dos seis critérios abaixo relacionados:

  • Exposição estabelecida com base na história ocupacional, levantamentos ambientais e outras evidências;
  • Evidência de doença do trato respiratório inferior ou curso clínico consistente com beriliose;
  • Evidência radiológica de doença fibronodular intersticial;
  • Alterações pulmonares ou em linfonodos, consistentes com beriliose;
  • Alterações da função pulmonar, como restrição, obstrução e alterações na difusão;
  • Demonstração da presença de berílio em amostras biológicas (pulmão, linfonodos, urina).

Exames complementares:

Radiografia de tórax

  • Forma aguda: sugere edema pulmonar, algumas vezes processo miliar.
  • Forma crônica: opacidades difusas reticulonodulares, às vezes associadas com adenomegalia hilar.

Nas fases tardias, podem ser encontradas bolhas, pneumotórax e espessamento pleural.

Função pulmonar: Redução da capacidade vital, capacidade pulmonar total e volume residual.

Lavado broncoalveolar: Alveolite linfocítica.

Biópsia transbrônquica: Granulomas não-caseosos semelhantes aos da sarcoidose. A presença de berílio no tecido pulmonar biopsiado, em linfonodos ou na urina do paciente, auxilia no diagnóstico diferencial de beriliose e faz parte dos critérios diagnósticos propostos para a doença crônica pelo berílio.

Teste cutâneo para beriliose: Negativo na sarcoidose, frequentemente positivo na beriliose.

Diagnóstico diferencial: sarcoidose

Siderose

Durante os procedimentos de corte de ferro com solda elétrica e de óxido de acetileno são emitidos vapores de óxido ferroso, que são oxidados a óxido férrico. A inalação prolongada desses fumos provoca alterações radiológicas pela deposição dos mesmos no pulmão. É frequente a associação com silicose pela exposição mista. A histopatologia não mostra fibrose nas formas puras. Na sua forma pura, não provoca alterações funcionais respiratórias. Têm sido descritas formas mistas associadas à poeira de sílica (silicosiderose).

O diagnóstico baseia-se na história ocupacional e nos achados radiológicos. Na radiografia de tórax, à semelhança da silicose, observa-se a presença de opacidades regulares tipo p, q ou r (segundo a Classificação Internacional de Radiografias de Pneumoconiosesda OIT, de 1980). Na siderose, apresentam-se mais densas e mais circunscritas do que na silicose. Tendem a distribuir-se por todo o pulmão, sem predileção pelos lobos superiores. A função pulmonar é normal nas formas puras.

Estanhose

A estanhose não apresenta sintomas. O diagnóstico é feito por meio das alterações radiológicas e história ocupacional. A radiografia de tórax mostra pequenas opacidades extremamente radiopacas, de 2 a 5 milímetros, distribuídas uniformemente. O quadro radiológico é muito importante, associado à pobreza de sintomas. A função pulmonar é normal.

Pneumoconioses por poeiras mistas

seguranca-do-trabalho-na-industria-metalmecanica-uma-abordagem-quimica-4Os sintomas relacionados à pneumoconiose por poeiras mistas são semelhantes às outras pneumoconioses que cursam com fibrose nodular. O sintoma mais comum é a dispneia de esforços. A radiografia de tórax revela opacidades mistas, podendo predominar nódulos ou opacidades irregulares, com acometimento inicial nas bases pulmonares. A função pulmonar pode estar alterada nas fases moderadas e avançadas, com restrição ou defeitos mistos ou obstrutivos, caso haja associação com o tabagismo. A biópsia pulmonar revela nódulos fibróticos em cabeça de medusa e áreas de fibrose intersticial verdadeira.

Outras pneumoconioses

A exposição a metais duros tem sido responsável por efeitos como obstrução reversível das vias aéreas, pneumonite de hipersensibilidade e fibrose pulmonar. Essas reações são relativamente incomuns. Vários estudos experimentais têm mostrado a inocuidade do tungstênio isolado em provocar reações teciduais pulmonares, o que não ocorre com o cobalto, que, pelo potencial antigênico comprovado em diversas outras doenças profissionais (dermatite, asma ocupacional), é o agente etiológico suspeito dessa doença. Na pneumoconiose por metais duros, o paciente apresenta dispneia de esforço, tosse seca, dor, constrição torácica, febre e perda de peso com a progressão da patologia. Em geral, os sintomas aparecem após um período de sensibilização variável de meses a anos.

Os sintomas da doença de Shaver são mais importantes. A fibrose desenvolve-se gradualmente, geralmente após um período de alguns anos. Os primeiros sintomas são tosse seca e dispneia, podendo ocorrer dor torácica na vigência de pneumotórax espontâneo. Febre baixa e opressão torácica sobrevêm depois. Ao exame, observa-se taquipneia, cianose, crepitações e baqueteamento digital nas fases avançadas. Pode ocorrer evolução progressiva para insuficiência ventilatória.

O diagnóstico baseia-se na radiografia de tórax e nas histórias clínica e ocupacional. A radiografia de tórax, nas pneumoconioses por metais duros, revela padrão retículo-nodular difuso bilateral, com áreas semelhantes a vidro opaco no início do quadro. Na pneumoconiose por exposição à rocha fosfática, o quadro radiológico é semelhante ao da silicose.

Na aluminose e na doença de Shaver aparece um infiltrado intersticial reticular, acometendo principalmente os lobos superiores, com diminuição do volume pulmonar e presença de bolhas enfisematosas. Pulmão em favo de mel aparece nas fases avançadas.

A tomografia computadorizada de tórax de alta resolução pode ser feita para melhor demonstração dos achados radiológicos. Os testes de função pulmonar mostram padrão restritivo na pneumoconiose por metais duros, na aluminose e na doença de Shaverg.

Tratamento e outras condutas

Nenhuma dessas pneumopatias tem tratamento específico. A medida mais importante é o afastamento da exposição, particularmente nos casos em que há presença da sílica como contaminante. No tratamento da beriliose, pode ser empregada a corticoterapia na dose de 1mg/kg/dia (miligramas por quilo por dia) de prednisona na primeira semana, com redução progressiva a menor dose diária que controle os sintomas.

PREVENÇÃO

seguranca-do-trabalho-na-industria-metalmecanica-uma-abordagem-quimica-5A prevenção da pneumoconiose devida a outras poeiras inorgânicas baseia-se nos procedimentos de vigilância dos ambientes, das condições de trabalho e dos efeitos ou danos para a saúde. O controle da exposição às poeiras metálicas pode contribuir para a redução da incidência da doença nos grupos ocupacionais sob risco. As medidas de controle ambiental visam a eliminação ou a redução da exposição a níveis considerados seguros, por meio de:

  • Enclausuramento de processos e isolamento de setores de trabalho;
  • Umidificação dos processos em que haja produção de poeira;
  • Uso de sistemas hermeticamente fechados, na indústria;
  • Adoção de normas de higiene e segurança rigorosa, com utilização de sistemas de ventilação exaustora adequados e eficientes;
  • Monitoramento ambiental sistemático;
  • Mudanças na organização do trabalho, que permitam diminuir o número de trabalhadores expostos e o tempo de exposição;
  • Medidas de limpeza geral dos ambientes de trabalho e facilidades para higiene pessoal, recursos para banhos, lavagem das mãos, braços e rosto e troca de vestuário;
  • Fornecimento, pelo empregador, de equipamentos de proteção individual (EPI) adequados, em bom estado de conservação, nos casos indicados, de modo complementar às medidas de proteção coletiva.

EPI

Na Roma dos Césares, as figuras atuantes no estabelecimento das medidas de segurança do trabalho foram Plinius e Rotharius, que, pelas recomendações do uso de máscaras contra poeiras metálicas, destacaram-se como pioneiros da prevenção de acidentes. De um simples pano de linho amarrado no rosto dos trabalhadores das minas de cobre, passamos aos mais sofisticados protetores respiratórios, que recebem alta tecnologia.

A portaria 3214/78, na norma regulamentadora nº 6 (NR-6) estabelece nove categorias de equipamentos de proteção individual, que são dispositivos ou produtos, de uso individual, destinados à proteção de riscos suscetíveis de ameaçar a segurança e a saúde do trabalhador, podendo ser de fabricação nacional ou importado, só podendo ser posto à venda ou utilizado com a indicação do Certificado de Aprovação (CA), expedido pelo órgão nacional competente em matéria de segurança e saúde no trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Quanto à proteção respiratória, temos os respiradores purificadores de ar não motorizados: a) peça semifacial filtrante (PFF1) para proteção das vias respiratórias contra poeiras e névoas; b) peça semifacial filtrante (PFF2) para proteção das vias respiratórias contra poeiras, névoas e fumos; c) peça semifacial filtrante (PFF3) para proteção das vias respiratórias contra poeiras, névoas, fumos e radionuclídeos. Também temos os respiradores de ar motorizados, os respiradores de adução de ar tipo linha de ar comprimido, os respiradores de adução de ar tipo máscara autônoma e os respiradores de fuga.

As máscaras protetoras respiratórias devem ser utilizadas como medida temporária, em emergências. Quando as medidas de proteção coletiva forem insuficientes, deverão ser cuidadosamente indicadas para alguns setores ou funções. Os trabalhadores devem ser treinados apropriadamente para sua utilização. As máscaras devem ser de qualidade e adequadas às exposições, com filtros químicos ou de poeiras, específicos para cada substância manipulada ou para grupos de substâncias passíveis de serem retidas pelo mesmo filtro. Os filtros devem ser rigorosamente trocados, conforme as recomendações do fabricante. A Instrução Normativa/MTE nº 1/1994 estabelece regulamento técnico sobre o uso de equipamentos para proteção respiratória.

Recomenda-se a verificação da adequação e cumprimento, pelo empregador, das medidas de controle dos fatores de riscos ocupacionais e de promoção da saúde identificadas no PPRA (NR-9) e no PCMSO (NR-7), além de outros regulamentos – sanitários e ambientais – existentes nos estados e municípios.

O exame médico periódico visa à identificação de sinais e de sintomas para a detecção precoce da doença. Além de um exame clínico cuidadoso, recomenda-se:

  • A utilização de instrumentos padronizados, como os questionários de sintomas respiratórios já validados;
  • Radiografia de tórax no padrão OIT (1980), na admissão e anualmente;
  • Espirometria, na admissão e bienalmente, de acordo com a técnica preconizada pela American Thoracic Society (1987).

Medidas de promoção da saúde e controle do tabagismo também devem ser implementadas.

Suspeita ou confirmada a relação da doença com o trabalho, deve-se:

  • Informar ao trabalhador;
  • Examinar os expostos, visando identificar outros casos;
  • Notificar o caso aos sistemas de informação em saúde (epidemiológica, sanitária e/ou de saúde do trabalhador), por meio dos instrumentos próprios, à Delegacia Regional do Trabalho (DRT) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e ao sindicato da categoria;
  • Providenciar a emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), caso o trabalhador seja segurado pelo Seguro Acidente de Trabalho (SAT) da Previdência Social;
  • Orientar o empregador para que adote os recursos técnicos e gerenciais adequados para eliminação ou controle dos fatores de risco.

Treinamento

seguranca-do-trabalho-na-industria-metalmecanica-uma-abordagem-quimica-6Por fim, ressaltam-se a importância do treinamento adequado e reciclagem periódica aos supervisores, usuários, pessoa que distribui o respirador e às equipes de emergência e salvamento, com a finalidade de garantir o uso correto dos equipamentos de proteção respiratória. O treinamento deve ser dado por uma pessoa qualificada e os nomes das pessoas que foram treinadas, o assunto, o nome do instrutor e as datas do treinamento devem ser registrados, para cumprimento do Programa de Proteção Respiratória (PPR) da empresa.

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