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Trabalho que vence a desconfiança

Trabalho que vence a desconfiança

Legislação que define vagas completou 25 anos e pessoas com deficiência que estão no mercado comemoram a chance

De segunda a sábado, Alan Almeida, de 27 anos, acorda às 6h para ir ao trabalho em um supermercado de Nova Odessa. Repositor do setor de hortifruti, ele enfrentou algumas negativas até conseguir uma colocação no mercado. Almeida possui uma leve deficiência mental que, apesar de não impedi-lo de realizar um trabalho competente, foi entrave para sua contratação em outros lugares. A situação enfrentada por ele não é incomum. Apesar de ter completado 25 anos no final de julho, a Lei de Cotas de Deficientes ainda é descumprida na região.

A legislação determina que toda empresa com mais de 100 funcionários deve preencher, entre 2% e 5% de seus cargos, com portadores de deficiências, percentual que varia proporcionalmente conforme a quantidade de colaboradores. Na RPT (Região do Polo Têxtil), sete empresas foram investigadas pelo Ministério Público do Trabalho por descumprimento da cota de contratação de deficientes nos últimos dois anos, sendo duas em Sumaré e cinco em Hortolândia.

A vaga preenchida por Almeida, contudo, não era especificamente destinada às cotas. Inicialmente contratado como empacotador, ele foi promovido há pouco mais de um ano para o setor de frutas e legumes por conta de seu bom desempenho. “Eu gosto de trabalhar aqui, faz dois anos e sete meses. É o meu primeiro emprego. Se Deus quiser, vou ficar bastante tempo”, almeja

 

Gerente de Almeida e responsável por sua contratação, Josué Luiz Alves explicou que a dedicação do funcionário foi determinante para a mudança de função, e que nunca teve qualquer tipo de problema no desenvolvimento do trabalho por conta da deficiência. “Ele é o melhor repositor do setor de hortifruti, conhece bem o andamento do trabalho, é responsável por organizar o estoque e interage bem com todo mundo. Tem uma ótima dinâmica”, elogiou.

FORA Já Wilson Rodrigues Galvão, de 52 anos, procura há dois anos por um emprego. Depois que a empresa têxtil onde trabalhava entrou em crise e o demitiu, ele não conseguiu outra vaga no setor industrial. Ele está afastado por invalidez, mas conta que sente falta de trabalhar e que abandonaria a pensão caso encontrasse um emprego que pagasse mais do que recebe pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

“Os cadeirantes sempre ficam por último, as empresas dão preferência para quem tem deficiências mais leves e não precisa de adaptação no local. Sinto muita falta de trabalhar, faz dois anos que estou parado e tem hora que até desanima ficar em casa”, relatou.

DENÚNCIAS Contudo, o número de empresas que descumprem a lei pode ser ainda maior, segundo o gerente da regional do MPT de Campinas, João Batista Amâncio. Atualmente, apenas dois auditores fazem a varredura em 34 cidades da região. Por conta da equipe reduzida, apenas empresas com maior percentual de contratação são fiscalizadas e são necessários dois anos para passar por todos os municípios.

“O mais crítico para nós hoje é a falta de auditores, que nos impede de conseguir minimamente fazer uma verificação das empresas. Dentro da fiscalização sempre tem possibilidades de contratação e a ausência no quadro de auditores está prejudicando pessoas que hoje poderiam estar trabalhando”.

Em nota, o Ministério do Trabalho informou que “solicitou a realização de novos concursos públicos para o provimento de vagas, no entanto, as autorizações são concedidas pelo Ministério do Planejamento”.

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