Segurança patrimonial e eletrônica

Setor elétrico ainda não se beneficiou das tecnologias disponíveis

“O mundo evolui rapidamente e o setor elétrico ainda não se beneficiou das tecnologias disponíveis. O consumidor é digital e exigente, precisamos fazer um transformação digital através de smarts grids”. A frase é da consultora da Vellano Smart Energy Consultoria, Maria Tereza Travassos Vellano, durante palestra promovida na quinta-feira (21), último dia da 15ª Latin American Utility Week.

A transformação digital, segundo Maria Tereza, é o vetor de desenvolvimento do setor elétrico e deve ser realizada através de smart grid e da chamada Internet das Coisas (IoT). Os benefícios promovidos pela digitalização das concessionárias são muitos: aumento de produtividade, eficiência energética, agilidade, redução de perdas e gestão do consumo, este acarretando na redução de custos.

Os desafios a serem vencidos para a implantação do smart grid no modelo de negócios do setor elétrico também são substanciais. É preciso que seja criado, explicou Maria Tereza, um modelo regulatório, com a elaboração de um Roadmap Regulatório para redes inteligentes. “Isso tornaria necessário o desacoplamento das tarifas das vendas para que as distribuidoras pudessem ter incentivos para a promoção do uso eficiente de energia aos seus clientes, sendo remuneradas por isso. No modelo atual estas empresas perdem quando há redução de consumo e demanda”, disse.

“Esse plano nacional de redes inteligentes deve ser coordenado pelo governo, pois não envolve somente a ANEEL”, acrescentou. “As utilities querem e trabalham na medida do possível com o que podem, existem muitos fornecedores no mercado, mas não há um plano integrado para a implantação de smart grid, não há certeza de retorno. Não faz sentido que concessionárias que possuem milhões de clientes tenham que ir em suas casas para fazer a medição em um mundo digital”.

IoT como agente para eficiência energética – A automação promovida pela Internet da Coisas não traz benefícios somente para relação entre utilities e consumidores, com a redução de perdas e custos. Ela é aliada também da sustentabilidade do processo de distribuição de energia.

Em sua palestra, o professor da Fundação Getúlio Vargas, Roberto Blatt, demonstrou os benefícios da IoT na construção civil. “Os edifícios são grandes consumidores de recursos naturais no mundo, cerca de 40%. O sistema de automação predial permite o uso de sensores que geram dados e estatísticas que permitem a tomada de decisões assertivas e edifícios mais inteligentes”.

A automação permite, segundo Blatt, uma redução de 15% no uso de recursos naturais. Às concessionários é possível, por exemplo, o desligamento da iluminação de espaços públicos através de troca de dados entre sensores instalados nos ambientes e as empresas, gerando economia. “Atualmente o uso é mais recorrente em prédios, mas a tendência é que se incorporar até medidores para esse fim em residências”.

Eficiência hídrica – O segmento de água foi pauta da programação do último dia da LAUW. Um dos temas foi o Estudo de Caso: Otimização do Sistema de Abastecimento de Água do Setor Jardim São Luiz, ministrado pelo gerente de departamento de planejamento integrado e relações comerciais da SABESP, Meunim Oliveira.

Com o objetivo de reduzir perdas e otimizar o sistema de abastecimento, a concessionária dividiu seu maior setor de abastecimento, no Jardim São Luiz, em São Paulo, criando o novo setor Capão Redondo. Ao longo do desenvolvimento do projeto, iniciado em 2013, foram implantadas adutoras, reservatórios metálicos, redes de reforço, conserto de vazamento de redes e troca de mais de 2 mil ramais. Além disso, a SABESP adotou ações de uso social em escolas e comunidades de baixa renda da área.

O resultado alcançado, com o início de registro de redução de perdas em 2014, superou a expectativa da empresa. A meta de economia de água era de cerca de 680 m³ por mês e o resultado foi de mais de um milhão de m³. “O resultado apurado foi 50% maior que a meta que tínhamos ao iniciar o projeto. Houve evolução no volume disponibilizado e registramos uma queda de 51% nas perdas, o que é muito significativo”, afirma Oliveira.

Outro ponto alto do dia foi a palestra ministrada pela engenheira especialista em automação distribuída e telemetria da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), Tânia Mara Pereira Marques, sobre Medição inteligente (AMI) de água individualizada – desafios de infraestrutura, que discutiu benefícios para concessionárias e clientes e desafios tecnológicos de AMI em saneamento.

De acordo com a palestrante, é preciso analisar com atenção os desafios construtivos da infraestrutura para realizar plenamente os benefícios de um sistema AMI, o que deve modificar as relações das concessionárias com os clientes, produzindo novos modelos de negócio e racionalizando o uso da água. “Os benefícios possíveis de sistemas AMI em fornecimento de água e saneamento são muitos, assim como também são para concessionárias de energia e gás. Para que se realizem, porém, é preciso vencer desafios técnicos e de legislação, alguns comuns aos três segmentos e outros diferenciais”, avaliou.

Utility Brazil – Fórum & Expo – A Latin American Utility Week retorna em 2018 com uma nova proposta mercadológica, maior foco e novo nome: Utility Brazil – Fórum & Expo.

Após avaliação do setor e das necessidades da utilities no Brasil, o evento ganha foco no setor brasileiro de distribuição de energia, água e gás, com destaque para medição e redes inteligentes, segmentos que sofrerão grandes transformações e serão alvo de investimentos no país.

Utility Brazil – Fórum & Expo contará com a participação efetiva das principais distribuidoras de energia, água e gás do Brasil, que apresentarão seus projetos e inovações em estandes próprios a área de exposição.

O evento terá também o Networking Lunch, uma oportunidade gratuita e exclusiva de interação entre a indústria e as utilities. O evento acontecerá de 18 a 20 de setembro de 2018, no São Paulo Expo, em São Paulo.

(Redação – Agência IN)

http://investimentosenoticias.com.br/noticias/energia/setor-eletrico-ainda-nao-se-beneficiou-das-tecnologias-disponiveis

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