Segurança Coletiva

Trabalhadores necessitam de capacitação adequada, diz especialista da Fundacentro

Ciclo de debates teve como foco o EPI respirador como medida de proteção

Considerado como importante medida de proteção para a realização de atividades e operações insalubres, o respirador é um Equipamento de Proteção Individual que ainda é negligenciado por usuários e responsáveis pelo seu uso correto. Isso porque em muitas situações o trabalhador não recebe a devida capacitação para compreender a importância e o cuidado no seu uso, conforme preconiza o Programa de Proteção Respiratória da Fundacentro, em “treinamento quanto ao uso dos respiradores”.

Exemplos dessa ausência de informação foram apontados pelo Chefe do Serviço de Equipamentos de Segurança da Fundacentro e especialista na temática de proteção respiratória , Antonio Vladimir Vieira, durante a realização do ciclo de debates sobre “A eficácia dos equipamentos de proteção respiratória se utilizados de acordo com o programa de uso”, realizado na Fundacentro em São Paulo.

O especialista em normas de EPI´s e um dos responsáveis pela elaboração do PPR coloca que em muitas situações o trabalhador retira o EPR (equipamento de proteção respiratória) em plena atividade podendo inalar as partículas do ambiente contaminado. Em outras situações, o trabalhador no final do expediente deixa o respirador sem o devido armazenamento fazendo com que o mesmo se contamine. “O trabalhador precisa usar o respirador todo o tempo que está na área de trabalho contaminada. Mesmo que ele retire por 10 minutos, o EPR pode se tornar ineficaz”, coloca.

Outro aspecto colocado por Vladimir foi com relação à NR-9 – PPRA, programa implementado pelas empresas, que envolve várias atividades e profissionais e como o mesmo vem sendo utilizado. Para o especialista, quando se fala no EPI respirador como medida de proteção, são poucos os casos em que o foco está na proteção à saúde do trabalhador.

A palestra abordou tópicos sobre legislação quanto ao uso dos EPI´s; o FPA (Fator de Proteção Atribuído) dos respiradores; exemplo de seleção de respiradores conforme o PPR e a consequência da omissão do uso.

A apresentação discorreu sobre artigos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) como por exemplo, o artigo 166, que estabelece a entrega gratuita do EPI ao trabalhador. Destacou o artigo 167 da CLT sobre a emissão do Certificado de Aprovação pelo Ministério do Trabalho; e comentou sobre a normativa atual do Ministério que trata da vida útil do epi em comparação com a validade do seu Certificado de Aprovação. O artigo 191 sobre neutralização da insalubridade foi outro ponto destacado na palestra.

A NR-9 foi destacada com especial ênfase nos itens 9.3.5.1 que coloca a importância da análise quantitativa para comparar com o limite de exposição, mas o técnico lembrou que a realização de um bom exame médico é a peça-chave para saber como estão as mediadas de controle no ambiente. O item 9.3.5.5 trata da necessidade de seleção de um epi tecnicamente adequado ao risco existente no ambiente de trabalho. Na visão do especialista, o conforto que o equipamento oferece é uma das características da adequação ao uso. Assim, equipamento deve ser confortável ao usuário “O Brasil possui equipamentos de excelente qualidade, mas o problema está no uso”, finaliza.

Na sessão de debates, os palestrantes convidados, Gilberto Almazan, Secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região – SINDMETAL; Mauro David Ziwian, Médico do Trabalho e Analista Pericial do Ministério Público do Trabalho – 2ª Região e Osny Ferreira de Camargo, Presidente da Associação Brasileira de Higienistas Ocupacionais – ABHO deram contribuições sobre a temática.

De acordo com Almazan, a luta sindical por melhores condições de trabalho vem da década de 70, a partir da identificação de várias situações que geravam problemas de saúde ao trabalhador, sem a devida fiscalização e a ausência de programas de controle. O Secretário fez um relato sobre as ações do sindicato contra o uso indiscriminado de máscaras descartáveis antes de 1994. Afirmou que “As empresas relutam muito em substituir produtos que fazem mal à saúde”, e observou que uma das grandes questões que se coloca atualmente é a nanotecnologia e como os respiradores serão eficazes em conter as nanopartículas.

Para o Presidente da ABHO, Osny Ferreira de Camargo em um sistema de gestão de saúde do trabalhador, as empresas devem estar preparadas para as mudanças e focarem nos aspectos da SST, especialmente no reconhecimento, avaliação e controle dos riscos.

Na visão do Médico do Trabalho do Ministério Público do Trabalho, 2ª. Região, Mauro David Ziwian, o tema abordado no ciclo de debates é importante, pois são os trabalhadores que produzem a riqueza das empresas. Ziwian defende a atualização das normas para que possam se adequar à realidade. “A NR-15 está defasada, não acompanhou os parâmetros da ACGIH”, enfatizou o médico.

Coordenação técnica

A coordenação técnica do ciclo de debates é realizada por José Damásio de Aquino; Marcelo Prudente de Assis, Milda Jodelis e Rogério Galvão da Silva.

A coordenação da mesa de debates foi realizada pela assessora da Diretoria Técnica da Fundacentro, Tereza Luiza Ferreira.

O próximo ciclo de debates será realizado em 27 de outubro de 2017.

Acompanhe no site da Fundacentro, na área de Eventos, a abertura para o preenchimento de ficha de inscrição.

 

http://www.fundacentro.gov.br/noticias/detalhe-da-noticia/2017/10/trabalhadores-necessitam-de-capacitacao-adequada-para-o-uso-de-respiradores-diz-especialista

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