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Redução do risco de acidentes exige rotina de atenção e compromisso entre patrão e empregado

Vale do Taquari – No início de abril, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) lançou a Campanha Nacional de Prevenção aos Acidentes de Trabalho (Canpat) 2018. A ação é realizada pelo segundo ano e alerta para a quantidade de casos: a cada 48 segundos acontece um acidente laboral no Brasil. No Vale do Taquari, entre 2012 e 2017, foram 8.831 registros.

Coordenador do curso Técnico em Segurança do Trabalho da Universidade Vale do Taquari (Univates), José Heberle explica que toda atividade apresenta algum tipo de risco. “Algumas possuem um maior potencial como, por exemplo, trabalho em altura ou espaços confinados; com eletricidade e atividades de pintura, que envolvem riscos adicionais, como altura e em proximidades de redes elétricas”, comenta.

O especialista lembra que os trabalhadores precisam ter alguns cuidados no local onde atuam. “É importante que façam uma avaliação das atividades que irão executar para identificar os riscos aos quais estarão expostos”, alerta Heberle. Segundo ele, a partir disso é possível adotar medidas de controle para minimizar ou eliminar o risco, reduzindo a possibilidade da ocorrência de acidente.

Para o coordenador da Comissão de Defesa do Meio Ambiente de Trabalho do Ministério Público do Trabalho (MPT), Leonardo Osório, o alto índice de doenças e acidentes de trabalho deve-se à baixa preocupação de empresas com a organização adequada do ambiente laboral. Na opinião dele, a aceleração das rotinas produtivas e a ampliação das tarefas e obrigações dos funcionários abrem espaço para o crescimento desse fenômeno.

Responsabilidade compartilhada
José Heberle destaca que a responsabilidade é compartilhada. “Ou seja, a empresa e empregado são responsáveis pela manutenção de um ambiente de trabalho seguro”, afirma o profissional da área. “Quem contrata deve informar o funcionário a quais riscos ele estará exposto e adotar medidas de controle para neutralizar e eliminar o perigo. Em contrapartida, o trabalhador deve respeitar e cumprir os procedimentos estipulados pelo patrão”, explica. Ele lembra que o investimento, por si só, não garante a redução dos riscos. “A empresa pode aplicar milhões de reais em equipamentos de segurança. Se o trabalhador não tiver capacitação e consciência do uso dos mesmos, de nada adianta. O inverso também é pertinente”, acredita.

Equipamentos apropriados
Conforme José Heberle, coordenador do curso Técnico em Segurança do Trabalho da Univates, o tipo de equipamento de proteção individual (EPI) a ser utilizado depende do perigo e riscos que o trabalhador está exposto. “Atualmente temos uma grande quantidade de tipos e modelos de EPIs. Por isso, é necessário identificar qual é o mais adequado e fazer a utilização correta”, reforça o professor. Ele destaca que, antes do EPI, devem ser adotadas medidas de ordem coletiva e administrativas. “O equipamento de proteção seria a terceira opção”, frisa.

Na avaliação do Ministério Público do Trabalho (MPT), as empresas devem respeitar as previsões legais sobre saúde e segurança do trabalho e assegurar de forma mais efetiva meios de proteção coletivos. Em último caso, destaca o procurador Leonardo Cavalcante, é preciso fornecer equipamentos de proteção individuais, como capacetes, luvas, máscaras e afins.

Saiba mais
A Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho (Canpat) é uma ação desenvolvida pelo Ministério do Trabalho, por meio da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), com objetivo de sensibilizar a sociedade para a importância da prevenção de acidentes e doenças do trabalho. Além das mortes, incapacitações e danos à integridade física dos trabalhadores, as perdas decorrentes de acidentes e doenças do trabalho são estimadas pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em 4% do PIB, o que ultrapassa o valor de R$ 200 bilhões/ano somente no Brasil. Em 2003, foi instituído pela OIT o 28 de abril como o Dia Mundial de Segurança e Saúde no Trabalho. No Brasil, é o Dia Nacional em Memória às Vítimas de Acidentes do Trabalho.

 

https://informativo.com.br/geral/nao-basta-tomar-cuidado,272650.jhtml

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