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Interpretar e saber como se mede o ruído no ambiente ocupacional é essencial para a boa gestão de SST

EPI para conter o ruído ambiental do trabalho (Foto Pixabay)

Por Emily Sobral Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

O ruído e suas consequências para os trabalhadores requerem entendimento técnico e interesse das empresas em buscar a redução de danos. Há questões que despertam dúvidas, especialmente para os que manejam as ações de prevenção de doenças e acidentes do trabalho. O profissional dessa área que não tem um conhecimento mais ampliado dos requisitos da norma não vai saber avaliar os limites de tolerância para preservar a audição do empregador exposto ao demasiado ruído ocupacional. Quem pensa no som ensurdecedor das rotativas operando muitas horas, se não trabalhar em gráfica? Os medidores de nível de pressão sonora ou de nível sonoro, que são conhecidos como decibelímetro, precisam de técnico de segurança, por exemplo, que saiba apurar com precisão as medições obtidas durante as avaliações nos locais de trabalho. Há uma dúvida que ronda o setor, já que a norma regulamentadora 15, de atividades e operações insalubres, indica o fator de ‘incremento de duplicação’ 5 dB (decibéis), ao passo que as normas de higiene ocupacional para avaliação da exposição ao ruído da Fundacentro, indicam 3 dB. Quer dizer, são divergências em critérios técnico-legais na avaliação de ruído, para a elaboração de laudos técnicos.

Decibel é a unidade de medida do ruído, e isso não é difícil de entender. Porém, em função de a avaliação do ruído utilizar escala logarítmica e não linear, o fator de dobra ou incremento de duplicação não significa necessariamente a duplicação numérica da dose de exposição. Parece complicado, mas com calma é possível assimilar os conceitos, ainda que reconhecendo as divergências de parâmetros entre o texto da NR 15 e a norma da Fundacentro.

Primeiramente, a ‘parcela de dB’ somada a um estipulado nível de pressão sonora provoca a duplicação da dose de exposição, que é o incremento de duplicação de dose ou fator de dobra. Em vários países adotam-se como critério-técnico para a jornada de trabalho, 85 dB, e com fator de dobra, 5dB.

Na jornada de 8 horas, o ruído deve chegar até 85 dB, com fator de dobra 3 dB, e isso significa que 88 dB permitem uma exposição de apenas 4 horas. Já se o fator de dobra é igual a 5 dB, com o mesmo limite para 8 horas, uma exposição de 4 horas a 90 dB passa a ser cabível. Aplicando corretamente o índice 5 dB, a exposição ao ruído deverá ser reduzida para a metade do tempo máximo permitido.

Concluo: o fator de dobra e a redução do tempo máximo diário de exposição permissível encontram-se na tabela da norma a ser aplicada, ou seja, a NR 15, e apesar dos estudos indicarem como melhor fundamentado o fator 3dB, o que prevalece no Brasil é o 5dB.

 

 

Emily Sobral

Jornalista em SST
(11) 4238-1955 / 99655-0136
www.segurancaocupacionales.com.br

 

 

 

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