Emily SobralPAT

A triste história de um coletor de lixo

Legenda: É preciso treinamento para evitar acidentes na função de coletor de lixo (Foto ilustrativa: Pixabay)

Por Emily Sobral Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

Desde que lancei o blog, abordo a saúde e segurança do trabalho dos coletores de lixo. Assim, não deixarei de repercutir um recente acidente fatal com um gari de 29 anos que foi atropelado por um caminhão de lixo em Ariquemes (RO). Meu Deus do céu e da terra também, parafraseando o jornalista Sérgio Vaz, como é possível uma tragédia dessas?

Os coletores de lixo são trabalhadores preciosos para a população e ao meio ambiente. Os garis recolhem resíduos domiciliares, resíduos sólidos de serviços de saúde e de serviços de limpeza e conservação de áreas públicas. Entretanto, são estigmatizados porque lidam com as imundices produzidas por todos. São consideradas ainda pessoas que estão mais baixo na tal escala social. Muitas vezes, são trabalhadores ‘invisíveis’ diante do conjunto da sociedade. No entanto, são eles que enfrentam uma multiplicidade laboral diária, com a atividade sendo feita com características próprias, quando se observa a corrida dos garis atrás do caminhão, seus arremessos dos sacos dentro da caçamba.

Sem dúvida, a atividade do coletor de lixo não é fácil, pois lidam com os restos, as sobras e coisas que são descartadas no dia a dia pela população. Por isso, volto à tragédia de RO e pergunto: será que houve imprudência do motorista ou falta de treinamento quanto aos riscos ao exercer aquela atividade? Segundo a perícia técnica que foi acionada durante a ocorrência, o trabalhador iria recolher os lixos domésticos que estavam na via. O motorista ativou a marcha ré do veículo e efetuou a manobra por cerca de 10 metros para adentrar no logradouro. Momentos depois, o condutor ouviu gritos de pessoas para que ele parasse o caminhão. Ao descer do veículo para verificar o que tinha acontecido, o motorista constatou que havia atropelado o colega de trabalho e o arrastado por cerca de dois metros. O veículo passou por cima das costas da vítima, próximo ao pescoço, que morreu na hora.

Que tristeza nessa tragédia, não é mesmo? A partir desse acidente de trabalho, sugiro que as prefeituras brasileiras, responsáveis pela coleta de lixo, exijam que as empresas contratadas promovam treinamentos aos funcionários, capacitando-os a lidar com os perigos inerentes à função.

 

Emily Sobral

Jornalista em SST
(11) 4238-1955 / 99655-0136
www.segurancaocupacionales.com.br

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