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Construção debate segurança e saúde

Thiago Conceição*

Os riscos de queda, choque e soterramento são os principais perigos para os trabalhadores da construção civil baiana, segundo o Sindicato da Indústria da Construção do Estado da Bahia (Sinduscon-BA). A concepção da cultura de precaução nas obras, feita por meio de treinamentos e ações voltadas para o uso de equipamentos de proteção individual (EPI) e coletiva (EPC), é a forma de combater as ameaças que colocam em risco a segurança, a saúde e o bem-estar dos profissionais do setor.

A construção de edifícios foi responsável por 2.215 registros de acidentes de trabalho na Bahia nos últimos seis anos, resultado que colocou a atividade econômica como a segunda que mais comunicou ocorrências, atrás apenas do atendimento hospitalar (8.204 registros). Os números são do Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho (observatoriosst.mpt.mp.br), ferramenta do Ministério Público do Trabalho (MPT) que monitora em tempo real os dados sobre acidentes de trabalho no País.

Os debates que envolvem a segurança e a saúde dos profissionais da construção civil serão intensificados pela Conferência Internacional Segurança, Saúde e Pessoas na Construção, que será realizada no Hotel Wish da Bahia, de 1º a 3 de agosto. Promovida pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) e pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a conferência tem o objetivo de gerar a troca de conhecimento entre pesquisadores, estudantes e empresas da área.

O presidente Carlos Henrique Passos, do Sinduscon-BA, afirma que a cultura de segurança passa pelas ações das empresas e funcionários do setor. As empresas têm que oferecer as condições de segurança de trabalho, a partir da instalação dos EPCs e fiscalização do uso dos EPIs, e o trabalhador tem que criar o hábito de usar os aparelhos de proteção e adotar métodos de resguardo na execução das tarefas.

Questão cultural

“A segurança não fica apenas na tecnologia, ela não se restringe ao uso de capacete ou instalação de uma balaustrada de proteção, pois estamos falando de uma questão cultural. Quando não existe um ambiente de segurança e bem-estar, os aparatos de nada servem”, explica Passos.

Ciente da necessidade de reforço da cultura de segurança na construção, José Luiz Esteves, gestor de segurança, saúde e meio ambiente da construtora MRV Engenharia, participa dos diálogos diários de segurança (DDS), feitos nos canteiros de obra da empresa.

“O sistema da construção é dinâmico, em questão de horas uma edificação passa a ter mais um andar. É por isso que os diálogos de segurança colaboram para o aviso de ocorrências perigosas e a projeção dos perigos existentes nos trabalhos seguintes. As situações mais arriscadas envolvem a tarefa em altura e os reparos em eletricidade. Os ambientes confinados também exigem a atenção redobrada”, conta Esteves.

A professora de engenharia civil da Ufba Dayana Costa, integrante do comitê de organização da conferência, destaca que a iniciativa é reflexo da preocupação mundial com a segurança na construção, que exige a participação de todos os agentes envolvidos nos projetos construtivos.

“A construção tem a incerteza dos serviços que serão elaborados como uma característica peculiar, fator que contribui para deixar os ambientes inseguros. Para ter maior segurança, é preciso integrar o planejamento e a execução do projeto construtivo. Esta integração é feita com as análises e discussões dos métodos aplicados no segmento. Daí a importância das conferências, onde é possível conhecer as estratégias adotadas no país e no resto do mundo”, explica Dayana.

A pesquisadora acrescenta que as empresas que atuam no Brasil passaram a pensar mais as questões de segurança por causa da maior rigidez das legislações e fiscalização do MPT. “Há 30 anos, este tema não seria pautado com força, pois não existia uma verdadeira cultura de segurança na construção baiana”, afirmou.

 

 

http://www.atarde.uol.com.br/imoveis/noticias/1978291-construcao-debate-seguranca-e-saude

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