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Avanço da Segurança Eletrônica pode inibir crimes de feminicídio no Brasil

 

Por Glauco Tavares (*)

Há algum tempo venho reafirmando a eficácia de sistemas de segurança e monitoramento eletrônicos para inibir a prática de crimes hediondos no Brasil. O caso recente da advogada Tatiane Spitzner, que caiu do quarto andar de um prédio em Guarapuava-PR, coloca novamente o monitoramento de câmeras de segurança no centro da perícia e da investigação policial.

As imagens capturadas por câmeras de segurança do prédio onde o casal morava registraram momentos antes da queda da advogada. Os dois chegam ao local de carro. Segundo a polícia, ainda dentro do veículo, o marido comete agressões contra ela. Ainda conforme a polícia, o marido Luis Felipe Manvailer a retira do carro, ainda sob agressões. O casal entra no prédio. A advogada entra correndo no elevador para, segundo a polícia, tentar fugir das agressões.

Estas imagens, que perturbaram a opinião pública no fim de semana, mostram muito além da horrenda violência praticada em cada uma das cenas gravadas. Elas registram uma realidade cruel pela qual passa o Brasil com relação aos crimes cometidos contra mulher. Homicídios qualificados, motivos torpes, uso de meio cruel que impossibilitam a defesa das vítimas em razão do sexo feminino – o que se chama de (feminicídio).

Não apenas neste caso específico, mas em alguns outros, que também chegaram ao conhecimento da população, as imagens de câmeras de segurança foram fundamentais para a investigação policial e para esclarecer o que de fato pode ter acontecido. Em artigo anterior citei a relevância das gravações de câmeras de segurança para explicar o que de fato aconteceu com a vereadora Marielle Franco, no Rio de Janeiro.

Nas redes sociais protestos com relação à forma com a qual denúncias feitas por mulheres tem também reforçado a importância deste monitoramento. Algumas mensagens que estão viralizando registram: “Se com imagens de câmeras de segurança, registros do passo a passo da violência recebida ainda há pessoas que duvidam do ocorrido, imaginem como a mulher é tratada na delegacia sem estas evidências”.

Felizmente, em todo o Brasil, o setor de segurança eletrônica vem crescendo de forma acelerada. A expansão média anual foi de 8% nos últimos cinco anos e em 2017 a expectativa ficou acima de 5%. Em 2016, distribuidores, indústrias e empresas de serviços que operam no setor movimentaram R$ 5,7 bilhões de reais. O monitoramento permanente não suprime a dor e o sofrimento dos casos ocorridos, mas pode inibir a prática de feminicídio no Brasil.

Autoridades em todo o país tem anunciado uma diminuição da prática de vandalismo e crimes hediondos a partir da instalação de câmeras de monitoramento. Não será diferente com a prática de feminicídio. A possibilidade de estar sob a visão de uma câmera fará com que um agressor passe a pensar duas vezes antes de agir com violência.

É um passo muito importante em defesa das mulheres brasileiras que integram, neste momento, uma triste estatística: uma mulher é assassinada a cada duas horas no Brasil, segundo levantamento do portal G1 considerando dados oficiais dos estados brasileiros.

A utilização de câmeras de segurança e o monitoramento permanente podem ser uma esperança para que as práticas destes crimes contra a mulher comecem a diminuir e para que cada vez mais agressores sejam punidos pelos seus atos. As imagens das câmeras acabam com a impunidade e com a sensação de desamparo que toda mulher sente ao caminhar pelas ruas brasileiras.

(*) Glauco Tavares tem mais de 20 anos de experiência em Segurança, é sócio-diretor do Grupo RG Brasil, uma das maiores empresas de segurança de Goiás e presente em todo o país. É especialista em gestão empresarial pela Fundação Getúlio Vargas, graduado em análise de sistemas e têm cursos em áreas como licitações, gestão eletrônica de segurança privada e planejamento tributário.

 

https://www.comexdobrasil.com/avanco-da-seguranca-eletronica-pode-inibir-crimes-de-feminicidio-no-brasil /

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