Emily SobralIncêndios

Museu Nacional foi vítima da falência pública brasileira

Por Emily Sobral Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

Um dos mais antigos acervos históricos consumidos pelas chamas? O incêndio de grandes proporções que atingiu no domingo o Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, zona norte do Rio, mostra o cúmulo da incompetência gerencial das autoridades públicas. Inclusive, era uma tragédia anunciada, tendo em vista que o Alexander Kellner, diretor da instituição, falava de todos os problemas de infraestrutura, pois sem verbas, não conseguiu resolvê-los. Kellner costumava mostrar a sala em que trabalhava que era cheia de infiltrações.

Agora, o País perde um acervo como aquele, um edifício histórico. Mas, como antes dessa tragédia eu mantinha neste blog a categoria de proteção contra incêndio, vou encerrar minhas críticas políticas, para concentra-me nas questões técnicas, que é nossa praia.

Os engenheiros de proteção contra incêndio dizem que os museus são ambientes de elevado risco de incêndio por uma série de motivos. São locais que abrigam materiais inflamáveis, incluindo telas de pinturas, molduras de madeira, esculturas, revestimentos de piso, parede e forro. As construções tombadas pelo patrimônio histórico representam ainda maior dificuldade de adequação às novas legislações de segurança contra incêndio.

Os museus precisam possuir hidrantes, extintores de várias classes, detectores de fumaças, central de alarmes de incêndio, compartimentação dos ambientes com portas corta fogo acionadas por alarme, escadas enclausuradas e shafts vedados, além de manter bombeiros civis. Certamente, para que ocorra um incêndio em instalação histórica deve haver uma sucessão de erros. Deve-se, por exemplo, haver zelo com os procedimentos, além de realizar o controle de materiais de acabamento e revestimento, que propagam as chamas e emitem fumaça em excesso. É preciso privilegiar ainda os materiais construtivos com baixa combustibilidade. Um museu ‘antincêndio’ requer sistemas modernos de extinção de fogo por gás, que absorve o calor a uma temperatura ao ponto que ela não consiga se sustentar. O prédio deve contar com um sistema de escoamento de álcool e líquidos, levando-os em minutos para uma caixa subterrânea, externa ao prédio. O projeto de segurança contra incêndio em museus deve contar com hidrantes de espuma, extintores portáteis e luminárias blindadas. Decerto que o Museu Nacional não estava projetado para evitar essa tragédia.

 

www.segurancaocupacionales.com.br

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