Segurança patrimonial e eletrônica

Obra do Maracanã pagaria 2 mil anos de prevenção

As obras de reforma do Maracanã para a Copa de 2014, onde foram realizados sete jogos, custaram aos cofres públicos R$ 1,2 bilhão, incluindo superfaturamento de R$ 200 milhões. O levantamento foi feito pelo Tribunal de Contas do Estado. Já um plano básico de prevenção contra incêndio para o Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, destruído pelo fogo no último domingo, custaria, segundo um especialista em segurança patrimonial, cerca de R$ 1 milhão para ser instalado, com manutenção anual de R$ 500 mil.

O dinheiro gasto com a obra superfaturada do Maracanã seria suficiente para prevenir um incêndio de grandes proporções no Museu Nacional, evitando a destruição de boa parte da memória do país, por um período de 2.398 anos.

A falta de liberação de recursos para a execução de um sistema contra incêndio para o Museu Nacional consta em um inquérito que tramita na Justiça federal desde 2016.

Segundo Fernando Fleider, especialista em segurança patrimonial e sócio-diretor da ICTS Security, um plano básico de prevenção contra incêndios, semelhante aos que já existem em shoppings de todo o país, ajudaria a evitar o início das chamas e minimizar riscos e estragos de um curto-circuito ou até mesmo da queda de um balão.

Bombeiros ainda trabalhavam ontem no rescaldo do incêndio
Bombeiros ainda trabalhavam ontem no rescaldo do incêndio Foto: Fabiano Rocha / Extra

A instalação do projeto básico pode ser feita em um mês e inclui, entre outras coisas, detecção de fumaça e de alta temperatura próximo a fios elétricos, desligamento automatizado da energia elétrica e o funcionamento de uma brigada de vigilância e combate às chamas 24 horas.

— Esse é o beabá da prevenção. Não estamos falando de equipamentos muito caros ou complexos. Há sistemas de integração que, quando se percebe um evento de calor, em uma região de fiação, o computador sozinho desliga a eletricidade que passa por esta área para diminuir o aquecimento. Num ambiente como este (museu), poderíamos ter um problema na fiação. E uma brigada saberia usar o tipo de extintor adequado para este tipo de fiação — explica Fleider.

Um erro atrás do outroAusência de brigada: O museu confirmou a inexistência de brigada de incêndio para proteger o patrimônio. A UFRJ disse que não tinha condições financeiras para manter uma.

Sistema anti-incêndio: O reitor Roberto Leher lembrou que funcionários do museu faziam treinamentos com o Corpo de Bombeiros e da modernização dos extintores. Não havia, porém, um sistema anti-incêndio, com detectores de fumaça.

Alertas de arquiteto: Em julho, um arquiteto denunciou as condições precárias do Museu Nacional ao Ministério Público Federal. O documento alertava que o prédio poderia pegar fogo a qualquer momento, devido a fios desencapados, gambiarras elétricas e cobertura de plástico inflamável no telhado.

Recursos escassos: Os recursos da União para a manutenção da UFRJ caíram 34,3% entre 2013 e 2017. A manutenção do museu é parte do custeio da universidade, que não tem margem para fazê-la, disse o reitor.

Projetos: Em agosto de 2017, o ministro da Cultura colocou-se à disposição para viabilizar projetos culturais da UFRJ. Segundo Sérgio Sá Leitão, nenhum projeto foi enviado, além dos inscritos na Lei Rouanet e da celebração dos 200 anos da instituição.

 

https://extra.globo.com/noticias/rio/obra-do-maracana-pagaria-2-mil-anos-de-prevencao-23040161.html

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