Incêndios

ANP amplia prazo para Petrobras esclarecer explosão seguida de incêndio em refinaria de Paulínia

Refinaria de Paulínia mantém produção parcial desde retomada de atividades, no dia 6 de setembro. Incidente ocorreu em 20 de agosto; veja o que se sabe o que falta esclarecer do caso.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) confirmou na tarde desta quarta-feira (26) que prorrogou, até a segunda quinzena de outubro, o prazo para que a Petrobras apresente um “relatório detalhado” sobre a explosão seguida de incêndio ocorrida na Refinaria de Paulínia (Replan), em 20 de agosto. A unidade é responsável pelo refino de 20% do petróleo no Brasil e os reflexos do incidente afetam metade da produção de derivados desde 6 de setembro.

“O processo administrativo está em andamento […] A ANP aceitou o pedido [da Petrobras] e pediu informações complementares”, diz nota da assessoria, sem revelar, contudo, quais foram os questionamentos. Com isso, a petrolífera deve apresentar as respostas até 20 de outubro.

Em nota, o sindicato que representa os funcionários (Sindipetro) informou que a empresa iniciou reparos nas unidades de craqueamento e destilação afetadas pela explosão, mas não há previsão para término e retomada das atividades nestas áreas. A entidade destaca que equipamentos como bombas, motores e turbinas começaram a ser encaminhados para conserto em fabricantes.

Especialista da Unicamp em explosões fala de riscos e precauções

“A retirada do aparato que sofreu avaria é feita pela própria equipe de manutenção da Replan, que executa os serviços de rotina. As obras de recuperação da estrutura deverão começar ainda neste ano”, diz texto da entidade. Veja, abaixo, o que se sabe e o que falta esclarecer do incidente.

Em plena capacidade, a Replan produz em torno de 415 mil barris de derivados em planta que ocupa 9,1 km². Ela atende mercados do interior de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Acre, Sul de Minas Gerais e Triângulo Mineiro, Goiás, Tocantins e Brasília.

Área afetada pela explosão na refinaria Replan, em Paulínia. — Foto: Arte/G1Área afetada pela explosão na refinaria Replan, em Paulínia. — Foto: Arte/G1

Área afetada pela explosão na refinaria Replan, em Paulínia. — Foto: Arte/G1

Apurações

Questionada sobre a previsão para retomada integral da produção e por qual motivo solicitou mais tempo para entrega do relatório, a Petrobras se limitou a informar que opera com 50% da capacidade e o processamento de carga na Replan atende ao planejanamento diário da empresa.

“O escopo dos trabalhos estão em fase de avaliação e ainda não é possível prever o retorno à operação das unidades afetadas”, informa texto da assessoria.

Para o Sindipetro, a sobrecarga de trabalho decorrente de um plano de demissão voluntária pode estar entre os fatores que resultaram no incidente. A Petrobras, contudo, defende “compromisso com a segurança, operações e instalações”, e adota “padrões da indústria mundial de petróleo”.

O que já se sabe

  • A refinaria possui dois trens de produção que têm a mesma estrutura, e cada um responde por 50% das operações. O acidente foi em um deles, e afetou craqueamento e destilação;
  • A Cetesb multou a Refinaria de Paulínia em R$ 192,7 mil por causa da emissão de poluentes na atmosfera e na água do Rio Atibaia;
  • Para compensar a parada da produção na Replan, a Petrobras confirmou importações de diesel e querosene de aviação;
  • A ANP deu aval para a Petrobras vender gasolina e diesel sem seguir padrões de cor e temperatura;
  • O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) realizou uma fiscalização na área afetada pela explosão para verificar as condições de saúde e segurança em 3 de setembro, e espera entrega de documentos para se posicionar sobre elas;
  • O Ministério Público (MP) investiga se houve danos ambientais em Paulínia;
  • O Ministério Público do Trabalho (MPT) inclui apurações sobre o incidente no procedimento aberto inicialmente para analisar desdobramentos de uma “pane” registrada em 2017

O que falta esclarecer ou não foi divulgado

  • As causas do incidente na refinaria;
  • O prejuízo financeiro provocado pela explosão seguida de incêndio;
  • Qual o custo dos reparos necessários e prazo para que sejam concluídos;
  • Quando a Replan retomará 100% das produção;
  • Qual o investimento nas importações de diesel e querosene de aviação;
  • Resultados de análises do MTE e MPT, além das apurações do MP;
  • Conclusão das investigações realizadas pela ANP;

 

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