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Retomada de fornecimento após apagão é o novo desafio mundial do setor elétrico

Assunto foi destaque no UTCAL Summit 2019, mais importante seminário internacional da América Latina voltado para empresas de utilidade pública

Temos enormes desafios. Utilizamos cada vez mais equipamentos de comunicação bidirecional e precisamos discutir como melhorar o serviço oferecido

Rio de Janeiro,27/03/2019 –

Um blecaute generalizado capaz de interromper o fornecimento de energia elétrica de um país inteiro é uma preocupação mundial. Mais do que a interrupção em si, o desafio é o chamado blackstart, a retomada da energia, quando o governo e as empresas responsáveis pela transmissão estão no escuro. Especialmente após os apagões registrados na Ucrânia, Índia, Itália, e recentemente, na Venezuela, especialistas nos Estados Unidos e na Europa estão debruçados sobre o assunto e definiram protocolos de ação em caso de blecautes, que podem ser provocados por terremotos, enchentes, ataques cibernéticos, entre outros incidentes. No Brasil, o tema foi apresentado pela primeira vez durante o UTCAL Summit 2019, mais importante seminário internacional da América Latina sobre Tecnologia de Informação e Telecomunicações para utilities, empresas de serviços de utilidade pública (energia, gás e saneamento).

O diretor da Joint Radio Company (JRC), Adrian Grilli, comentou que, no Reino Unido, por exemplo, há um registro de quais são os riscos nacionais de interrupção hoje em dia, principalmente em um mundo cada vez mais dependente da eletricidade.

“Existem enchentes, vulcões, terremotos, furacões, epidemias, entre outros riscos sociais. Diante disso, como ter segurança de que vamos continuar todas as operações e de que as utilities vão estar funcionando? As fatalidades podem ser físicas, na interrupção de serviços essenciais, negócios, saúde, acarretando em desordem social”, explicou Grilli.

Segundo o especialista, a retomada é difícil e só pode ser feita de maneira lenta e gradual. “Em um primeiro momento, o operador nacional é acionado para se ter as instruções de como será feito o Blackstart. Ilhas geradoras de energia são criadas e precisam ser sincronizadas para formar uma rede interconectada. Aos poucos, em pequenas áreas, o serviço é retomado. Nesse processo, o uso das telecomunicações é essencial, com tecnologias sem fio e com fio”

A importância de discutir a retomada de energia foi apresentada na Comissão de Energia do Senado pela presidente da Utilities Technology Council (UTC), Joy Ditto, que também participou do evento no Rio. “É preciso recorrer a outras tecnologias para comunicação de voz, como as usadas por policiais e bombeiros, por exemplo. Isto é, um espectro exclusivo e seguro para as empresas atuarem em momentos críticos, algo que será mais necessário do que nunca com o advento da integração de tecnologias e com o 5G”, afirmou Joy.

Desafios

Além da retomada do fornecimento de energia após um apagão, o avanço da tecnologia impõe uma série de outras questões para a garantia da oferta dos serviços essenciais à população.

“Temos enormes desafios como segurança cibernética, geração distribuída e a definição de um espectro de frequências dedicados. São temas extremamente importantes e discutidos agora com a introdução cada vez maior de dispositivos digitais e com a implantação de redes inteligentes. Utilizamos cada vez mais equipamentos de comunicação bidirecional e precisamos discutir como melhorar o serviço oferecido”, destacou Dymitr Wajsman, presidente da UTC América Latina (Utilities Telecom and Technology Council América Latina), entidade sem fins lucrativos que congrega especialistas do setor e tem entre as associadas empresas de energia, gás e saneamento de todo o continente latino-americano.

Medidas preventivas contra apagões, como os sofridos pela Ucrânia em 2015 e 2016, causados por ataques cibernéticos, também estão no radar da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

“Precisamos fazer essa reflexão: hoje estamos com essa vulnerabilidade no nosso setor? Faremos as discussões necessárias a uma regulamentação para a proteção da transmissão contra ataques cibernéticos”, disse Sandoval de Araújo Feitosa Neto, diretor da Aneel,  durante Painel Regulatório apresentado no seminário internacional.

 

Novidades para o setor

Em três dias, de 27 a 29 de março, o seminário UTCAL Summit 2019 vai reunir profissionais de empresas dos setores de missão crítica, bem como alguns de seus fornecedores multinacionais, e especialistas de entidades regulatórias para apresentar tópicos relevantes às empresas de serviços de utilidade pública.

Estão entre os assuntos abordados: políticas públicas, regulamentação, compartilhamento de infraestrutura entre empresas de diferentes setores, migração para novas tecnologias, impacto do padrão 5G no mercado de energia, Internet das Coisas (IoT) para eficiência operacional e exemplos de redes inteligentes implantadas não só no Brasil.

No primeiro dia de palestras e painéis, além do Diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Sandoval Feitosa, estiveram presentes: a representante da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Maria Aparecida Muniz Fidelis da Silva; o Diretor de Manutenção e Operação de Furnas Centrais Elétricas, Djair Fernandes; o Diretor Regional para as Américas da União Internacional de Telecomunicações (ITU), Bruno Ramos, e o vice-presidente da UTC, Brett Kilbourne.

Website: http://www.utcamericalatina.org/summit2019/

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