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As mangueiras semirrígidas para o combate a incêndios

O conjunto de mangueira semirrígida de incêndio é um equipamento de combate a incêndio constituído de mangueira, esguicho regulável, válvula e carretel. Assim, tem a finalidade de canalizar a água que sai de uma fonte, como por exemplo um hidrante, e direcioná-la até o local onde ocorre o incêndio. As mangueiras podem chegar até a 30 m e possuem alta resistência à abrasão, cada uma com especificações diferentes, como diâmetro, pressão e utilização para cada local de uso.

Da Redação –

As mangueiras de incêndio são classificada em tipos. Cada tipo de mangueira é indicada para um uso diferente, como por exemplo, a mangueira do tipo 1 que é ideal para ser utilizada em edifícios residenciais para apagar chamas em materiais sólidos, como madeira, papel e tecido. Já as do tipo 2 são indicadas para o uso em edifícios comerciais e pelo Corpo de Bombeiros. Também são encontradas as mangueiras do tipo 3 que são indicadas para a área naval e pelo Corpo de Bombeiros, por serem resistentes à abrasão e por ser ideal para apagar chamas em situações mais críticas.

Os tipos 4 e 5 possuem maior pressão e altíssima resistência à abrasão e seu uso é específico para o Corpo de Bombeiros e para indústrias que trabalham com combustíveis e com metais que inflamam espontaneamente, como por exemplo magnésio, potássio e o sódio. É importante verificar as especificações nas extremidades da mangueira ao realizar a compra, como o selo de qualidade, nome do fabricante, tipo da, data de fabricação e o número da norma para que você possa verificar a autenticidade do produto e garantir que o mesmo não sofreu adulteração e que o produto venha com a qualidade direto de fábrica.

NBR 16642 de 02/2019 – Conjunto de mangueira semirrígida e acessórios para combate a incêndio especifica os requisitos mínimos exigíveis para o conjunto de mangueira semirrígida e acessórios para combate a incêndio, de diâmetro nominal de 25 mm, pressão de trabalho de 1,2 MPa e comprimentos nominais de 15 m, 20 m, 25 m e 30 m, para uso em condições ambientes, atmosferas não agressivas ou não corrosivas, dentro de uma faixa de temperatura entre – 5 °C e + 50 °C. Não se aplica aos carretéis equipados com válvula de acionamento automático.

O conjunto de mangueira semirrígida e acessórios é uma unidade operada manualmente, instalada em edifícios residenciais e outras aplicações, em conformidade com a NBR 13714, de modo que seja possível para os ocupantes o controle e a extinção de um pequeno incêndio. É constituído de unidades fixas montadas em paredes ou em armários, permanentemente conectados a um abastecimento de água, composto de carretel giratório, válvula, mangueira semirrígida e esguicho regulável.

A mangueira semirrígida é constituída de um duto semirrígido, confeccionado em fibra sintética, de tecido, por meio do entrelaçamento de fios de monofilamento e multifilamentos de alta tenacidade, de modo a manter a sua seção circular, mesmo quando não pressurizada, com revestimento interno de borracha e terminais em suas extremidades para conexão. O diâmetro interno da mangueira semirrígida deve ser de (26 ± 2) mm, quando verificado conforme o ensaio de diâmetro interno. A massa da mangueira semirrígida deve ser no máximo 0,35 kg/m, quando ensaiada conforme A.2. O comprimento da mangueira não pode ser inferior a -3 % do seu comprimento nominal, quando ensaiado conforme A.3. Os requisitos de pressão devem ser conforme a tabela abaixo.

mangueira3

A estabilidade dimensional da mangueira, quando ensaiada conforme A.4, deve ter uma variação máxima de + 5 % no seu comprimento e diâmetro externo. A torção deve ocorrer no sentido do fechamento do acoplamento A mangueira semirrígida quando ensaiada conforme A.5, não pode apresentar vazamentos, rompimentos de fios e deslizamento dos terminais em relação ao duto.

A mangueira não pode romper à pressão inferior a 3,6 MPa quando ensaiada conforme A.6. Não é necessário aumentar a pressão acima do valor mínimo de ruptura estabelecido no requisito. Quando ensaiada conforme A.7, a mangueira não pode apresentar vazamentos ou rompimento de fios. Quando ensaiada conforme A.8, a velocidade de separação não pode ser superior a 25 mm/min.

Quando ensaiado conforme A.9, o corpo de prova não pode apresentar vazamento antes dos 20 s. O material que compõe o tubo interno da mangueira semirrígida, quando ensaiado conforme A.10, deve atender aos seguintes requisitos: tensão de ruptura mínima de 8,3 MPa; alongamento de ruptura mínimo de 400%; deformação permanente à tração máxima de 25 %; variação máxima da tensão de ruptura após o envelhecimento de – 20 %; variação máxima do alongamento de ruptura após o envelhecimento de – 50%.

Quando ensaiado conforme A.11, a razão T/D do corpo de prova não pode exceder 1,20. Quando ensaiado conforme A.12, a variação da resistência à tração do conjunto de fios sintéticos que compõe o reforço têxtil deve ser no máximo igual a – 60%. Os terminais devem ser fabricados em ligas de latão ou bronze.

O carretel pode ser tipo de tambor fixo ou móvel. O carretel consiste em dois discos com um diâmetro máximo de 800 mm, com tambor interno (ou segmentos) de diâmetro mínimo de 200 mm. O conjunto mangueira semirrígida de incêndio não pode apresentar vazamentos visíveis após rotação, quando ensaiado conforme E.1.

O carretel tipo tambor móvel não pode apresentar vazamentos visíveis ou deterioração como emperramento e ruptura, além de outros que alterem o bom funcionamento do sistema, quando

ensaiado conforme E.2. A força para desenrolar a mangueira em qualquer direção horizontal não pode exceder os valores da tabela abaixo, quando ensaiado conforme E.3.

mangueira4

A mangueira deve ser equipada com esguicho regulável por rotação, que permita as seguintes posições de controle: fechado; jato de neblina; jato compacto. O corpo e o bocal devem ser de latão, bronze ou resinas termoplásticas. O pino central deve ser de latão ou bronze.

Para ergonomia, o esguicho deve ser fabricado de forma a facilitar seu manuseio. O comprimento da empunhadura do bocal deve ser no mínimo 80 mm. Sua superfície deve possuir ressaltos, recartilhados ou qualquer outra forma ou material que dificulte o deslizamento da mão do operador.

Para a resistência à queda, o esguicho não pode trincar, quebrar ou apresentar vazamentos. Deformações podem ser aceitas, desde que não afetem seu uso operacional, quando ensaiado conforme D.1. O esguicho deve apresentar resistência rotacional máxima de 4 Nm para regular as diferentes posições, quando ensaiado conforme D.2. Os esguichos devem ser marcados de forma indelével, indicando o sentido de abertura e fechamento.

O esguicho não pode apresentar fissuras, rachaduras ou romper à pressão inferior a 5,0 MPa, quando ensaiado conforme D.3. O esguicho não pode apresentar vazamentos à pressão de 2,4 MPa, quando ensaiado conforme D.4. Após ser submetido ao ensaio de envelhecimento térmico conforme B.1, o esguicho não pode apresentar fissuras, rachaduras ou romper, quando ensaiado conforme D.3.

O esguicho deve apresentar passagem livre de uma esfera, quando ensaiado conforme D.5. O esguicho deve atender a NBR 14870-1:2013, 5.4, para a posição de jato compacto. Após ser submetido ao ensaio de corrosão conforme D.6, o esguicho deve atender aos requisitos de desempenho estabelecidos em 4.3.5 e 4.6. O envelhecimento acelerado por radiação ultravioleta (somente para os esguichos com componentes a base de resinas termoplásticas) se dará após ser submetido ao ensaio de envelhecimento acelerado por radiação ultravioleta conforme D.7, o esguicho deve atender aos requisitos de desempenho estabelecidos em 4.3.5 e 4.6.

Uma válvula de abertura manual deve ser montada na entrada do carretel. A válvula deve ser do tipo esfera, de passagem plena, diâmetro nominal mínimo de 25 mm, corpo de latão ou bronze, esfera de aço inoxidável 314, conforme a NBR 14788. As superfícies metálicas pintadas não podem apresentar sinais de corrosão e bolhas, grau F0, conforme NBR ISO 4628-3, após exposição por 240 h ao ensaio de névoa salina, conforme a NBR 8094.

Para os materiais plásticos, todo componente, após ser submetido ao ensaio conforme B.1, não pode apresentar rachaduras ou fissuras. Todo componente exposto à luz solar, após ser submetido ao ensaio conforme B.2, por 1.000 h, não pode apresentar rachaduras ou fissuras.

O funcionamento mecânico de todos os componentes não pode ser afetado e não pode haver trincas, rachaduras ou bolhas, quando ensaiados conforme o Anexo C. O conjunto mangueira semirrígida de incêndio não pode apresentar vazamentos, quando for submetido à pressão de ensaio estabelecida na tabela acima, conforme E.5. A vazão para o conjunto deve ser de no mínimo 100 L/min, quando ensaiado conforme E.6.

O alcance mínimo do jato deve ser de 10 m, quando ensaiado de acordo com E.7. O ângulo de abertura do jato deve ser de (90 ± 5)°, quando ensaiado de acordo com E.8. O carretel e a mangueira devem ser marcados, de forma indelével e legível, com as seguintes informações: nome do fabricante ou marca comercial; número desta norma; ano de fabricação; pressão nominal de trabalho; comprimento da mangueira.

O conjunto de mangueira semirrígida deve ser acompanhado de instruções de uso a ser afixado no próprio local ou na sua proximidade. O fabricante deve disponibilizar manual de instalação, preservação e manutenção para o conjunto de mangueira semirrígida e acessórios.

Para o ensaio de deformação sob pressão de trabalho, deve-se usar como aparelhagem: bancada de ensaio de superfície lisa, de modo a minimizar o atrito com a mangueira, isenta de rebarbas, cantos vivos, pontos pontiagudos, obstáculos ou quaisquer outras irregularidades que possam danificar a mangueira e, ou interferir nos ensaios; equipamento de pressurização hidrostático; manômetro com fundo de escala de no mínimo 2,0 MPa e resolução de 0,1 MPa; trena com resolução máxima de 0,001 m; paquímetro com resolução máxima de 0,05 mm.

O corpo de prova deve ser um segmento de duto de aproximadamente 1,2 m. Para o procedimento, estender a mangueira sem torção e em linha reta sobre a bancada de ensaios, acoplando em uma das extremidades a válvula de suprimento de água. Na outra extremidade, com a válvula de dreno na posição aberta, encher a mangueira com água até a completa remoção do ar. Fechar a válvula de dreno e aumentar a pressão até 0,1 Mpa.

Ao atingir a pressão indicada de 0,1 Mpa, fazer duas marcas no corpo de prova com 1 m de distância entre elas. Marcar um ponto de referência sobre a extremidade livre da mangueira, para o ensaio de torção. Medir o diâmetro externo da mangueira. Aumentar a pressão até atingir a pressão nominal de trabalho da tabela acima. Durante a elevação da pressão, verificar se, a partir do ponto de referência marcado em A.4.3.2, a torção ocorre no sentido do fechamento do acoplamento.

Medir o comprimento entre as marcas, acompanhando o trajeto real da mangueira e o diâmetro externo no mesmo ponto da medição, conforme A.4.3.2. O alongamento é dado por: A (Lf Lo)/Lo x 100, onde Lo é o comprimento inicial, expresso em metros (m); Lf é o comprimento na pressão nominal de trabalho, expresso em metros (m); A é o alongamento, expresso em porcentagem (%). A deformação diametral é dada por: Dd=(Df-Do)/Do x 100, onde Do é o diâmetro inicial, expresso em milímetros (mm); Df é o diâmetro na pressão nominal de trabalho, expresso em milímetros (mm); Dd é a deformação diametral, expresso em porcentagem (%).

 

https://revistaadnormas.com.br/2019/04/09/as-mangueiras-semirrigidas-para-o-combate-a-incendios/

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