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Um ano depois do incêndio que culminou no desabamento de um prédio ocupado em São Paulo, ainda é grande a vulnerabilidade nessas instalações

Tragédia que matou sete pessoas pode se repetir, mas algumas ações podem mitigar os riscos de incêndio

Por Sandra Cunha| sandracunhapress@terra.com.br
Dia 1° de maio completa um ano da tragédia que matou sete pessoas no centro de São Paulo, quando um prédio ocupado de 24 andares desmoronou após pegar fogo. E essa não foi uma fatalidade, mas sim um resultado esperado.
            Faz-se necessário salientar que prédios invadidos e favelas são ocupações ilegais, e como tais, não têm legislação prevista contra incêndio. A vulnerabilidade é potencializada com a vasta presença de material inflamável, o adensamento das unidades habitacionais e com as fiações clandestinas que se multiplicam em um emaranhado assustador de “gatos”. E não há nenhuma garantia palpável que tragédias como essa não voltarão a acontecer.
            Mas, nem tudo está perdido, já que especialistas indicam que algumas medidas podem ser adotadas para diminuir os riscos, como a formação de brigadas comunitárias com equipamento de segurança e da instalação de mangueiras ou hidrantes próximos a essas áreas.

Foi nesses termos que, na década passada, o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) propôs um programa simples para esses lugares. O projeto saiu do papel na favela da Vila Dalva (zona oeste), com apoio da prefeitura e do Corpo de Bombeiros. Lá, os moradores conseguiram debelar uma centena de princípios de incêndio, até mesmo fora da comunidade. Técnicos da prefeitura foram treinados para implantar o programa em outras comunidades, mas infelizmente, essa ação foi descontinuada nesta década após as trocas na administração municipal.

O mecanismo para se chegar a essas bombas armadas e prontas para explodir é o mesmo: o Corpo de Bombeiros aciona o Ministério Público, que aciona a prefeitura.  Após a tragédia com o prédio do centro, uma força-tarefa fez um mutirão de visitas a ocupações para mensurar riscos. Segundo a gestão Bruno Covas, foram visitados 75 imóveis, dos quais 51 estão ocupados. Destes, 16 são prédios públicos, e a prefeitura quer transformar 11 deles em moradia popular ou equipamento público. A segunda etapa de vistorias, para verificar se as ocupações seguiram as medidas propostas pela Defesa Civil, teve início em dezembro. Entre as medidas estavam a desocupação preventiva de alguns andares, a remoção de divisórias de madeira e demais materiais combustíveis, e a adequação das instalações elétricas. Como ação mitigadora, a implantação de brigada também foi indicada.

O fato é que a marginalização de parte da população em decorrência de acentuada desigualdade social vai continuar a produzir comunidades como os prédios e terrenos invadidos. Mas há medidas que podem ser adotadas em áreas irregulares, como favelas e ocupações, para a proteção de vidas, como a formação de brigadas comunitárias, a remoção de material inflamável e de lixo acumulado, a adequação das instalações elétricas, o alargamento de vias e a instalação de alarme de incêndio.

São soluções que podem não dar moradias dignas e adequadas às pessoas que não têm onde morar, mas certamente, podem mantê-las vivas.

 

     

      Sandra Cunha é jornalista pós-graduada em marketing e premiada pela camara-e.net (Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico) e o Movimento Internet Segura, na categoria Veículos Especializados em Tecnologia. Também pela ABCR (Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias), na categoria Revista Impressa Especializada, além de ser finalista do Prêmio Embratel de Jornalismo.

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