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Empresas passam a apostar em ações de integração de pessoas com deficiência auditiva

Apesar das estatísticas expressivas, população surda ainda sofre barreiras no mercado de trabalho

Dino

De acordo com estatísticas do IBGE, existem, no Brasil, cerca de 10 milhões de pessoas com deficiência auditiva – o que representa 5% da população, aproximadamente. Apesar da quantidade significativa desse grupo social, a exclusão por meio da negligência com as formas de comunicação, sobretudo da Língua Brasileira de Sinais (Libras), ainda é um grande empecilho não só no eixo pessoal, como também no profissional. Ainda que haja o reconhecimento por lei da linguagem de sinais no país, o suporte oferecido para esta população permanece marginalizado.

Mesmo com as barreiras que o grupo social enfrenta no mercado de trabalho, algumas instituições e empresas tem começado a apostar na inclusão efetiva das pessoas com deficiência auditiva. É o caso do Hospital São Lucas Copacabana, que realizou, no dia 2 de maio, a formatura de diversos funcionários que participaram do curso de Libras oferecido pela instituição. O workshop, que acontece desde 2014, é voltado para a própria equipe e já formou mais de 200 colaboradores nos módulos básico e intermediário e conta agora com um módulo avançado, que está previsto para começar até o fim do semestre.

Segundo Amanda Rodrigues, analista de Recursos Humanos do hospital, a iniciativa da instituição parte de um sentimento de empatia e inclusão e tem o objetivo de incentivar a aproximação entre os colaboradores portadores de deficiência auditiva – cerca de 20 – e o resto da equipe, fazendo com que se sintam efetivamente integrados no ambiente de trabalho, por meio do reconhecimento de que a comunicação é um direito humano fundamental.

Felipe Oliver, um dos instrutores do curso de Libras do hospital, atua há mais de 10 anos como intérprete do idioma e vê a iniciativa com otimismo: “Vivemos numa época em que se fala sobre acessibilidade e inclusão o tempo inteiro, então, é uma atitude muito bonita e necessária. Nem todas as empresas têm a preocupação de oferecer o ensino de Libras ou até mesmo trazer intérpretes, o que demonstra a preocupação da instituição com a integração dos funcionários que têm a deficiência. Este grupo não pode ser ignorado”.
Já Michael Milhoranse, do Setor de Faturamento e portador de deficiência auditiva, também destaca a importância da iniciativa pelo lado social. “Sinto-me muito feliz, pois me sinto motivado e desejado aqui – assim como os outros funcionários surdos -, e não desprezado. É muito bom conhecer melhor as pessoas com quem trabalho, me aproximar delas. Em várias ocasiões, nós nos ajudamos para realizar alguma tarefa. Também tenho a satisfação de saber que até mesmo os pacientes surdos podem ter amparo da equipe”, explica o colaborador, por meio do intérprete.

Regina Filomena, Rosanete Silva e Bárbara Cruz, também do Setor de Faturamento, são três das formandas do curso, tanto do módulo básico como no avançado. “No início, decidi me inscrever pela curiosidade. Mas depois percebi a dimensão de uma iniciativa como essa. É realmente sobre ajudar o próximo”, conta Rosanete. “Em nosso setor, há vários funcionários com deficiência auditiva, então, meu interesse era conhecê-los melhor”, explica Regina. “O mais bacana é ver, a cada degrau de conhecimento que subimos, o quanto eles ficam animados e motivados em perceber nosso interesse”, aponta Bárbara.

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