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Como a neurociência vem mudando o perfil das lideranças nas empresas?

Dino

Ao longo dos últimos anos, uma gradual mudança no entendimento do que é produtividadevem acontecendo: o paradigma focado em produtividade e competição a qualquer custo (que pode resultar em burnout da equipe e sucesso não sustentável) sai de cena para dar lugar a uma mentalidade de alta performance em que a eficácia é medida por qualidadeconsistência e sucesso sustentável por longo prazo. Por conta dessa mudança de paradigma, as condições mentais e emocionais dos líderes responsáveis pelas decisões têm sido cada vez mais avaliadas como um fator fundamental de sucesso da empresa e satisfação no trabalho.

Para ajudá-los na tarefa de compreender fatores emocionais individualmente e em seus grupos de liderança, gestão de carreira e formação de equipe, as empresas vêm usando princípios de Neurociência – a disciplina que estuda essencialmente fatores conscientes e subconscientes do indivíduo – que saiu do âmbito médico e da psicologia para impactar comportamento de grupos sociais em áreas das mais diversas, como o mundo dos negócios e a liderança nas empresas.

Como comenta a médica, cientista e life coach Siglia Diniz, radicada nos Estados Unidos e especialista em Neurociência, as empresas têm se esforçado para se aprofundar no entendimento do funcionamento mental e gatilhos emocionais em prol de desenvolver, inovar, engajar e performar melhor. Como consequência, o perfil do gestor moderno não é mais só analisado pela ótica de personalidade e background profissional, mas também por fatores mentais e subconscientes.

E isso gera uma mudança no conceito de liderança moderna, que agora analisa a formação de um líder também em relação aos seus padrões e tendências subconscientes, além de conhecer sua motivação para alcançar o sucesso e seus mecanismos para lidar com frustrações.

Neurociência hoje ajuda a seleção por líderes melhores que construam equipes criativas e colaborativas, com um índice maior de satisfação e compromisso, o que implica em melhores tomadores de decisão, e como consequência, uma otimização de resultados positivos do ponto de vista de ascensão profissional e financeira das empresas – algo extremamente relevante para a sobrevivência no mundo dos negócios, afirma Siglia.

À medida que se entende mais sobre o funcionamento do cérebro e sobre o sistema nervoso, é possível se tornar um líder mais atual, mais empático e conseguir desenvolver conversas de qualidade mesmo nos momentos mais desafiadores. E todos saem ganhando, a empresa, o funcionário e os clientes. Sendo assim, como um profissional pode aplicar esses princípios em sua carreira e se tornar um melhor líder? A coach Siglia Diniz enfatiza que inicialmente o líder precisa entender quetransparência e intenção de objetivos são fundamentais para a equipe se comprometer com os projetos.

Uma abordagem que foque na motivação do indivíduo para participar de um projeto, estimulando suas vocações individuais, pode se sobrepor a motivações como dinheiro, por exemplo. Abaixo, a coach listou três  processos para não apenas fortalecer lideranças como também criar um ambiente favorável nas equipes para criação e progresso:

1) Construa uma ‘mentalidade de crescimento’

Mudança e crescimento estão intrinsecamente ligados. O problema com a mudança é que as pessoas normalmente resistem a ela: a maioria de nós prefere o status quo, por mais imperfeito que seja, do que o desconhecido. Incentivar uma mentalidade de ‘crescimento’ para mudar pode ser divertido e frutífero.

Carol Dweck, professora de psicologia da Universidade de Stanford, desenvolveu a teoria que postula que a mudança é mais fácil quando vista como uma oportunidade. “A mentalidade é a atitude única que separa aqueles que têm sucesso daqueles que não o fazem”, diz ela.

2) Permita que coisas novas sejam aprendidas em pequenas doses

Qualquer experiência de aprendizado repetida e intensa requer habilidades sensoriais e cognitivas. É preciso entender novos conceitos, traduzi-los em trabalho cotidiano, memorizar novos processos e assim por diante, religar o cérebro em muitos níveis. Comece o aprendizado usando um termo técnico chamado ‘prática distribuída’: dividindo o aprendizado em sessões curtas, idealmente, distribuídas por um longo período de tempo.

Se a mudança envolver treinamento formal, lembre-se de que os alunos também se beneficiam de recall e testes, em vez de ler material passivamente. Aprender dessa maneira ajuda o cérebro a construir as novas redes neurais necessárias para a mudança. A própria Neurociência afirma que novas conexões neurais no cérebro são reforçadas com a persistência de hábitos, Em poucos dias de aprendizagem e prática repetidas, os circuitos neurais do cérebro começam a disparar repetidamente e agem em conjunto, criando novas tendências de pensamentos e comportamentos, resultando assim em uma fundação para a mudança desejada.

3) Defina metas amigáveis ao cérebro

A chave para uma mudança bem-sucedida é comportamental: nossos cérebros gostam de rotina, e o cérebro colocar muito esforço para desenvolver novos hábitos. Definir metas pode ser útil na construção de novos hábitos, mas a reconfiguração do cérebro precisa garantir que as metas sejam “apenas” difíceis o suficiente, sejam fáceis de ver quando alcançadas e sejam fáceis para a empresa rastrear e medir.

Esse approach vale tanto em nível individual quanto para grupos. Um bom gerente de mudanças deve criar metas no processo de mudança em todas as oportunidades para tornar a transição o mais tranquila possível.

Em resumo, a qualidade da liderança corporativa, da interação das equipes, da satisfação e compromisso com o trabalho, além da gestão positiva de projetos ou carreiras são produtos do desenvolvimento de uma melhor consciência e intenção nas decisões – lembre-se que não se faz negócios com empresas, mas com humanos que trabalham nas empresas – e sob essa ótica, criam-se melhores líderes, relações de trabalho efetivas e mais sucesso a longo prazo.

Website: https://www.drasigliadiniz.com/

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