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Especialista esclarece dúvidas sobre a Inteligência Artificial na advocacia

O debate sobre a ascensão da Inteligência Artificial no mercado de trabalho é crescente. Será que ela dominará o mundo jurídico?

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A Inteligência Artificial é um dos principais assuntos do mercado de trabalho atual, com indicações de que permanecerá assim nas próximas décadas.
Por causa do seu desenvolvimento acelerado, existem atualmente diversos debates sobre o impacto da IA em diversas áreas da sociedade, inclusive na advocacia. Será que a Inteligência Artificial vai dominar esse setor ou ela será aliada dos advogados?

Em uma conversa com os especialistas do SAJ ADV foram feitas algumas perguntas para entender melhor os efeitos da Inteligência Artificial no mundo jurídico e quais são as dúvidas mais comuns das pessoas. As respostas seguem abaixo:

A Inteligência Artificial vai demorar para chegar?

Não. Na verdade, a Inteligência Artificial já é, no momento, uma realidade nos principais escritórios de advocacia do Brasil e do mundo.
“Uma das principais questões em relação ao desenvolvimento da IA é que muitas pessoas não entendem exatamente o que é uma Inteligência Artificial”, explica o especialista. “Teoricamente, existem pelo menos 3 níveis de Inteligência Artificial e ainda estamos longe de atingir os dois níveis mais avançados. O que há hoje, são as chamadas ‘weak AI’, ou IA fraca, que cumprem alguma função específica”, completa.

Um exemplo que comprova o que o especialista diz são os assistentes pessoais em smartphones como Siri ou Cortana. Outro exemplo são as ferramentas do Google para identificar pessoas em fotos ou algoritmos da Netflix e Spotify para recomendar filmes ou músicas aos clientes.
Resumindo: a Inteligência Artificial, no seu nível mais básico, já é uma realidade no mundo todo. Quem lê essas palavras provavelmente está utilizando um dispositivo, seja um smartphone ou computador, que usa elementos de IA para cumprir suas funções.

É verdade que a IA é melhor que os advogados?

Não. Como foi visto, existem pelo menos 3 diferentes níveis de IA: a Inteligência Artificial Limitada, a Inteligência Artificial Geral e a Superinteligência. O único nível alcançado atualmente é o primeiro, que cria algoritmos capazes de cumprir algumas funções, mas sem nenhum tipo de consciência.
A dúvida sobre a IA ser melhor do que os advogados surge de experimentos específicos como o da LawGeex, que venceu 20 advogados em uma disputa de revisão de contratos.

Entretanto, a máquina da LawGeex é especializada em encontrar falhas em contratos, sendo incapaz de atuar em qualquer outra área do meio jurídico.
“As IAs atuais são ferramentas. Dizer que elas são melhores do que os advogados é como dizer que uma chave de fenda é melhor que um humano para parafusar alguma coisa. Pode até ser verdade, mas a chave de fenda não monta uma estante sozinha, por exemplo”, explica o especialista.

A IA vai substituir todos os advogados?

Não em curto prazo. O especialista ainda explica:
“Atualmente, as IAs são ferramentas criadas para aprimorar o trabalho dos advogados, juízes, assistentes jurídicos, promotores e todos os profissionais que atuam no meio. Pensar em substituição desses trabalhos, atualmente, é ficção”.
Como o meio jurídico é um setor de ampla argumentação, negociação, compreensão aprofundada dos regimentos de leis, hierarquia de códigos e de situações em específico, não dá para uma Inteligência Artificial Limitada assumir uma posição de destaque.
“Se, no futuro, o ser humano desenvolver uma Inteligência Artificial Geral ou Superinteligência, talvez haja o debate sobre substituições”, diz o especialista em Software Jurídico .

A IA vai substituir os juízes?

É o mesmo caso da pergunta acima. Esse é um debate que só faz sentido no cenário em que a humanidade consiga desenvolver uma Inteligência Artificial Geral.
Por enquanto, as IAs são ferramentas que aprimorarão o trabalho dos advogados, juízes e promotores, sem previsão de substituição desses profissionais.
A humanidade está perto de desenvolver uma Inteligência Artificial Geral?
Não. Na verdade, a humanidade ainda está há muitas décadas de distância de um avanço desse tipo.
Segundo uma pesquisa feita com 373 especialistas no assunto, a previsão mais confiável é de que há 50% de chance que a AGI (Inteligência Artificial Geral) seja alcançada em 2060.

Algumas pessoas são mais otimistas, como o escritor e empreendedor Louis Rosenberg, que acredita que esse marco será alcançado até 2030. Patrick Winston, professor e diretor do setor de IA do MIT até 1997, acha que o feito será alcançado até 2040. Entretanto, a maior parte dos especialistas não é tão otimista assim.
Isso significa que um advogado que comece a trabalhar em 2019, terá pelo menos 41 anos de carreira antes de alcançar 50% de chance de ver uma Inteligência Artificial Geral. Quem começou antes, já estará aposentado nesse cenário.
É por isso que a questão da “substituição de advogados por Inteligências Artificiais” é um debate sem base real no momento.

Afinal, a IA é boa ou má para o setor da advocacia?

Nem boa e nem má. A Inteligência Artificial é uma ferramenta, assim como o martelo, chave de fenda, carro, computador e tantas outras que usamos diariamente no ambiente de trabalho ou não.
Foi somente nos anos 80 que os computadores pessoais começaram a ser utilizados pelas pessoas. Em alguns lugares, no entanto, isso aconteceu na década de 90. Antes disso, os documentos judiciais eram datilografados em máquina de escrever.
Com a chegada dos computadores, o trabalho dos advogados se otimizou, ganhou em produtividade e o número de erros diminuiu.
“O importante é entender como a IA pode facilitar o trabalho desenvolvido nos dias de hoje, e como ela pode aumentar a produtividade e taxa de sucesso nos casos em que atua”, diz o especialista. “Afinal, ela é uma ferramenta. Como será usada é uma escolha de quem a manuseia”, complementa.

Website: https://www.sajadv.com.br/

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