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A economia das queimadas e desmatamento na Amazônia

A mídia nacional e internacional traz dados alarmantes sobre queimadas e desmatamento na Amazônia. É necessário entender os motivos das queimadas e a incapacidade do Estado de impedir ações criminosas. A derrubada de floresta precisa deixar de ser a melhor opção econômica.

dino

São Paulo, SP,23/08/2019 –

Nos últimos dias, a mídia nacional e internacional reportou os crescentes índices de desmatamento da Amazônia brasileira. Reportagem da revista National Geographic destaca imagens de satélite compartilhadas pela agência americana National Aeronautics and Space Administration (NASA), nas quais é possível identificar fumaças das chamas.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), por meio do Programa Queimadas , que registra focos de queimadas desde 1998 no Brasil e países vizinhos com floresta amazônica, aponta mais de 75 mil pontos apenas em 2019.

Trata-se de questão alarmante que guarda um profundo dilema: áreas de floresta não geram remuneração suficiente aos proprietários. É necessária a queima da vegetação para, na sequência, instalar atividades de pecuária ou agricultura.

Não fosse isso, certamente o problema seria outro: invasões de propriedades e mortes, possivelmente, mas ninguém usaria fogo.

Queimadas em anos anteriores

As queimadas na Amazônia não são novidade. De acordo com dados históricos do INPE , o Brasil já registrou mais de 380 mil focos ativos de fogo em 2004 e 390 mil em 2007.

Os anos com menores registros, desde que o monitoramento teve início, foram 1998, 2000 e 2018 com, respectivamente, 123.896, 101.530 e 132.872 focos ativos de fogo.

Ou seja, trata-se de uma tradição criminosa, com números alarmantes, que as autoridades ainda não conseguiram quebrar.

Na Argentina, os números mais alarmantes vieram em 2003 e 2008, com mais de 60 mil focos. No Chile, o ano com mais focos de fogo foi 2017, registrando o número de 6.732.

A preservação como negócio

Uma das alternativas para que as queimadas reduzam é viabilizar a renda com a floresta em pé.

Conforme explica Yuri Rugai Marinho, empresário no segmento de negócios ambientais, a derrubada ou queima de floresta precisa deixar de ser a melhor opção econômica aos proprietários ou qualquer parte interessada.

Remunerar particulares que preservam o meio ambiente é uma forma muito eficiente de fazer da preservação um negócio e não um ônus.

Yuri aponta que “proprietários preservacionistas fornecem a toda a sociedade serviços ambientais fundamentais à saúde e a diversas atividades econômicas. É preciso que esses serviços sejam remunerados para que as florestas continuem em pé.”

Atividades de agrofloresta também representam uma alternativa viável. A iniciativa Café Apuí Agroflorestal, por exemplo, viabilizou a produção de café 100% amazônico desde 2015, plantado por produtores da agricultura familiar de Apuí, Estado do Amazonas, cultivado em consórcio com árvores nativas e sem a utilização de produtos químicos.

Modernização e fortalecimento da fiscalização

Frente à extensão continental do Brasil e à violência no campo, fiscais dos órgãos ambientais com treinamento precário, remuneração baixa e falta de segurança acabam ilhados em seus escritórios.

O termo “indústria de multas”, utilizado pelo presidente Jair Bolsonaro, parece fazer menção às autuações dos órgãos federais, estaduais e municipais, que estariam em valores excessivos. Todavia, uma análise de dados nacionais permite identificar que os fiscais não têm condições técnicas de monitorar todos os pontos de produção ou de preservação no país.

É necessário, portanto, um esforço de modernização e fortalecimento dos órgãos ambientais, de forma que o setor produtivo e os órgãos de governo possam ter melhores condições de diálogo e entendimentos.

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