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Crescimento sustentável é a chave para o futuro do setor de seguros

CONSEGURO 2019 reúne autoridades, executivos e especialistas em Brasília (DF) para debater os desafios do setor

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Brasília, 04 de setembro de 2019 – Apresentar cenários que possam adequar o mercado de seguros aos novos hábitos da população, modernizar o arcabouço regulatório do setor, investir em tecnologia para criar novas modalidades e reduzir os custos estão entre as estratégias para aumentar a adesão do consumidor à proteção garantida pelos seguros. Essas foram as principais mensagens da abertura da CONSEGURO 2019, o congresso bianual do mercado de seguros, realizado pela Confederação Nacional das Seguradores (CNseg), que começou hoje em Brasília.  A superintendente da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Solange Vieira, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, também participaram da abertura. A CONSEGURO ocorre até amanhã e ainda discutirá temas como a modernização do segmento, a desburocratização de processos, o impacto da conjuntura, economia digital e parceria público-privada.

“O setor de seguros tem muito a contribuir para a retomada do crescimento do Brasil em bases sustentáveis. O seu protagonismo em prol do desenvolvimento das nações foi e continua sendo reconhecido no mundo inteiro”, destacou Marcio Coriolano, presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg).

O Brasil é, hoje, a nona economia do mundo, mas ainda figura na 50ª posição quando se trata do gasto per capita com seguros. Segundo o presidente da CNseg, é hora de desafiar e mudar essa relação. Coriolano afirmou que o setor almeja estar no centro das políticas públicas, como ocorre em diversos países. Atualmente, a receita anual de prêmios do setor representa cerca de 6,5% do Produto Interno Bruto (PIB) e soma R$ 1,3 trilhão em ativos financeiros. “Isso torna as seguradoras, em conjunto, um dos maiores investidores institucionais do país, com ativos que equivalem a cerca de 25% da dívida pública brasileira”, mostra Coriolano.

Os desafios do setor abrangem todos os segmentos, de seguro automóvel a títulos de capitalização. Antônio Trindade, presidente da Federação Nacional de Seguros Privados (FenSeg), citou como exemplo o crescimento do seguro automóvel a partir de produtos mais simples e preços acessíveis à população. De acordo com ele, um estimulo a esse segmento veio com a divulgação da Carta Circular Eletrônica 01, de 22 de agosto, que permite o uso de peças automotivas não originais. Dentro deste tema, a agenda inclui também o combate à distribuição de seguros sem regulação.

Novos produtos

Desenvolver diversos produtos de seguros está entre os temas prioritários da FenSeg. “Na semana passada, a Susep aprovou o seguro temporário e intermitente, que abre caminho para oferta de produtos sob medida para atender consumidores. A norma estimula a ampliação da base de segurados por meios remotos”, reforçou Trindade. A lista inclui ainda o seguro rural, segmento em crescimento no Brasil, com o subsídio de mais de R$ 1 bilhão, além dos riscos específicos da nova economia, como o ramo cibernético e de responsabilidade civil, e o seguro de crédito à exportação.

Outro tema de destaque foi o resseguro, importante apoio para as seguradoras participarem de  riscos vultosos e também de novos mercados. Paulo Pereira, presidente da Federação de Resseguros (Fenaber), afirmou que o segmento está otimista. “A Fenaber acredita no governo atual, nas reformas, na chegada do capital estrangeiro. Sabemos que o investidor internacional vai se animar e vamos tirar do papel os grandes projetos, que são uma necessidade para o Brasil.”

O reforço da presença das seguradoras estrangeiras será fomentado com a aprovação de projetos, como o que prevê seguros para garantia de obras. “Vamos trabalhar no projeto, que em breve chegará ao Senado para fazer as devidas alterações e correções de alguns erros. Temos uma oportunidade grande neste momento, e que poderá revolucionar o mercado”, destacou o deputado federal Lucas Vergílio (Solidariedade/GO), que também participou da abertura da CONSEGURO.

Previdência 

A Federação Nacional de Previdência Aberta (FenaPrevi) também tem desafios ligados à previdência privada e longevidade, considerando que pessoas estão vivendo mais e precisam se planejar para ter qualidade de vida. “Estamos aqui para celebrar o diálogo e abrir espaço para o conhecimento, que se torna ainda mais prioritário com o avanço da reforma da Previdência no Senado. Temos pressa para resgatar os fundamentos da previdência privada, com aperfeiçoamento constante e foco na inovação”, resumiu o presidente da FenaPrevi, Jorge Nasser.

Longevidade

João Alceu Amoroso Lima, presidente da FenaSaúde, destacou a importância da saúde suplementar, com R$ 80 bilhões em faturamento, e citou desafios para os novos tempos. “Nossos desafios são também os de todos os países no mundo: como financiar a saúde em tempos de longevidade”.

Nos últimos quatro anos, 3 milhões de pessoas deixaram de contar com planos privados de saúde. Apesar da queda, os últimos números são otimistas e apontam para um crescimento, com 200 mil novos beneficiários, informou Amoroso Lima. Segundo ele, um dos principais objetivos do setor é viabilizar a volta dos planos individuais que, hoje, representam menos de 20% do setor. Para ele, é fundamental ampliar o leque de opções de coberturas para a população, a partir do aprimoramento da regulamentação. Outros desafios são a atenção primária, o combate a fraudes e desperdícios e o fortalecimento da ANS para trazer mais estabilidade aos contratos na esfera judicial e a todos os agentes dos sistemas.

Leandro Fonseca da Silva, presidente da Agência Nacional de Saúde (ANS), assinalou que as aspirações da iniciativa privada são também as do órgão regulador. “Nosso olhar está no estoque da regulamentação e, com boas práticas, revisitamos o que precisa de ajuste ou correções. O objetivo é reduzir fardos regulatórios para contribuir com a retomada do crescimento. Isso, porém, requer não só ações do regulador, como uma discussão com toda a sociedade sobre o financiamento de cuidados com a saúde no cenário de longevidade que temos pela frente”.

Poupança 
Fazer economia pogramada também é tema na pauta de Marcelo Gonçalves Farinha, presidente da Federação Nacional das Empresas de Capitalização (Fenacapi). Ele sinalizou o comprometimento das empresas associadas para o crescimento do segmento, que completa 90 anos da primeira emissão de um título de capitalização. “Nos últimos anos, essa reserva permitiu ao brasileiro transitar em movimentos de dificuldades. Se, por um lado, temos desafios, por outro, temos a esperança renovada com a determinação de construir o futuro da capitalização”.

Corretores

Armando Vergílio, presidente da Federação Nacional de Corretores de Seguros (Fenacor), ressaltou a importância do corretor de seguros. Ele destaca que os corretores têm vários desafios. Alguns coincidentes com os do setor, como investimentos tecnológico e inovação. “Mas nós temos o desafio conceitual, que é vencer a incompreensão que ainda existe sobre o nosso papel. Somos consultores que agregamos valor tanto para o cliente como para a seguradora. O corretor é um moderador e garantidor de qualidade nesta relação”.

Tecnologia, crescimento, inclusão social e disrupção

Durante a palestra “Brasil já começa a dar certo”, a superintendente da Susep, Solange Vieira, mostrou a base que ajudará a impulsionar o mercado segurador. Uma das suas prioridades é o desenvolvimento de TI (tecnologia da informação), que designou uma diretoria para cuidar do tema. “Todos nós estamos correndo para nós adaptar. A Susep, como todo órgão do governo, tem limitações, mas estamos avançando. A apólice eletrônica é a tônica”, explicou Solange.  A inclusão social, segundo ela, é uma meta que, inclusive, beneficia muito o governo.

De acordo com a superintendente, no Brasil, a participação do seguro público é maior do que o privado. “Temos de rever isso, trazendo para a iniciativa privada proteções como o seguro desemprego e também parte dos que procuram o SUS (Sistema Único de Saúde) por estarem sem acesso à saúde suplementar”.

Solange defendeu a transparência. “Estamos trabalhando duro para isso. Queremos mais coberturas e concorrência, com qualidade no atendimento e novos produtos”, enfatizou. Desde que chegou à Susep, no início do ano, ela já assinou três decretos e criou quatro diretorias. “Estamos avançando, como mostra a última normativa que aprova os seguros intermitentes. Ninguém tem dúvidas de que o setor é um dos principais investidores institucionais do país, com reservas acima de R$ 1 trilhão. Seguro é um instrumento importante. Se não funcionar, o setor público se sobrecarrega. É preciso desonerar o estado e buscar um maior bem estar social”.

Na sua palestra, Solange Vieira disse ter duas certezas: há muito potencial para o setor crescer e é preciso trabalhar melhor a educação da população sobre risco. No tema concorrência, a Susep tem buscado incentivar as seguradoras a elevar a qualidade dos serviços prestados e redução dos preços praticados. Ela apresentou um estudo comparando o Brasil com o mundo em taxas de administração e de corretagem. “Estamos muito acima do que vemos no mundo e precisamos melhorar esses dois indicadores”.

Solange citou duas ações de transparência que visam melhorar a concorrência. A primeira foi divulgar um ranking de fundos previdenciários, com as taxas cobradas pelas companhias, e que já está disponível no portal da autarquia. A outra, sobre reclamações de clientes contra seguradoras, deve ser publicado em 30 dias. Ela ressaltou ainda a importância de as empresas agirem dentro de práticas em conformidade com a regulamentação. “As que agirem com condutas inadequadas precisam ser excluídas para não contaminarem todo o mercado”, finalizou.

Um olhar sobre o mundo e sobre o Brasil

O ministro do STF, Luís Roberto Barroso, comparou a expansão econômica entre o Brasil e a Coreia do Sul nas últimas décadas para afirmar que as políticas nacionais erraram muito. Em 1960, a economia brasileira era duas vezes e meia maior do que o PIB da Coreia do Sul. Hoje, equivale a um terço da economia coreana. Segundo ele, há três causas que podem ser responsabilizadas por esse atraso: investimentos insuficientes e inadequados em educação básica, estado grande demais, ao lado de economia fechada, e apropriação privada do Estado por elites locais. “A regulação digital, a crise na democracia de modo geral e as mudanças climáticas são três questões globais que devem estar no radar das pessoas que compõem a elite brasileira”, finalizou.

Website: http://cnseg.org.br/

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