Incêndios

Corpo de Bombeiros vistoria Hospital de Bonsucesso após relatório apontar risco de explosão na rede elétrica

Bombeiros fazem uma vistoria nas instalações elétricas e no sistema de combate a incêndio do Hospital Federal de Bonsucesso (HFB), na tarde desta quinta-feira. A corporação atende a um ofício da Defensoria Pública da União (DPU), enviado nesta segunda-feira, solicitando a avaliação das condições de funcionamento da unidade.

Conforme o EXTRA revelou nesta quinta-feira, um relatório elaborado por um grupo de engenheiros do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS), ligado ao Ministério da Saúde, apontou falhas gravíssimas no sistema de prevenção e combate a incêndio e “alto risco de explosão” e de inoperância total do sistema elétrico, ameaçando a vida dos operadores. O alerta foi dado pela equipe técnica após identificarem superaquecimento em dois transformadores da subestação principal do hospital. Um deles chega a atingir 148,6 °C, e o outro, 128,6 °C.

Relatório aponta risco de explosão de transformador

De acordo com o engenheiro eletricista Luiz Consenza, presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea/RJ), a temperatura de trabalho normal desses transformadores fica em torno de 70 °C.

Em abril, uma equipe de engenheiros de diversas especialidades do Proadi-SUS avaliou toda a infraestrutura dos seis prédios do HFB, que ocupam 42 mil metros quadrados, e têm hoje 396 leitos ativos e cerca de cinco mil funcionários. Na semana passada, um incêndio atingiu o Hospital Badim, na Tijuca, provocando 14 mortes. No momento em que o fogo começou, havia 103 pacientes internados.

Quadro de força
Quadro de força “obsoleto e descontinuado, risco de acidente para operadores, risco de curto circuito, incêndio e inoperância do sistema elétrico” Foto: reprodução

Foi constatada ausência de licença e de plano de prevenção e combate a incêndio aprovado pelo Corpo de Bombeiros, além da inexistência de sistemas de detecção de fumaça e sprinklers. Foram encontrados também hidrantes desativados com mangueiras danificadas e sem qualificação para uso.

Em relação ao sistema elétrico do complexo hospitalar, além do superaquecimento dos transformadores, foram encontradas outras inadequações a normas técnicas, como cabos expostos e instalações elétricas irregulares, oferecendo risco de incêndio e de apagão.

Equipamentos obsoletos e em desacordo a normas técnicas são outros pontos levantados pelos profissionais ao concluírem que “o atual sistema elétrico do Hospital Federal de Bonsucesso não apresenta o grau de confiabilidade requerido pela instituição”. Ainda de acordo com o relatório, “o sistema de potência não possui manutenção em seus componentes como transformadores, disjuntores de média tensão e periféricos, oferecendo risco iminente de sinistro”.

O Proadi-SUS é um programa criado pelo Ministério da Saúde em 2009 com o propósito de apoiar e fortalecer a qualificação do SUS através de consultorias realizadas por cinco hospitais de referência em qualidade médico-assistencial: Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Hospital do Coração (HCor), Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Moinhos de Vento e Hospital Sírio-Libanês. Em contrapartida, esses hospitais privados recebem imunidade fiscal.

DPU pede informações à direção do hospital

Diante da situação exposta pelos profissionais do Proadi-SUS, o defensor regional de Direitos Humanos da DPU, Daniel Macedo, encaminhou ofício ao Corpo de Bombeiros solicitando vistoria e também à direção do hospital, requisitando informações sobre medidas adotadas para minimizar os efeitos de eventual explosão e questionando se a diretora solicitou providências ao Ministério da Saúde.

Segundo o defensor público, o Ministério da Saúde, ao longo de duas décadas, deixou de viabilizar o suporte no planejamento das necessidades de longo prazo dos hospitais federais no que se refere ao aperfeiçoamento das tecnologias disponíveis ou a sua substituição:

– São unidades cinquentenárias que, nas últimas décadas, sofreram o efeito do desinvestimento, da politização da saúde, da corrupção e da má gestão. O resultado é que hoje essas unidades representam em seus aspectos estruturais verdadeiras “gambiarras” com grande propensão de risco à vida dos pacientes e do corpo de funcionários.

Em nota, a direção do Hospital Federal de Bonsucesso afirmou que possui brigada de incêndio com atuação 24 horas e que “todas as medidas para sanar eventuais riscos estão sendo tomadas, para que seja garantida assistência segura a todos os pacientes do SUS”.

O Ministério da Saúde afirmou que, neste ano, a gestão adotou as seguintes medidas de emergência: aquisição de mesa de transmissão para suporte de energia, responsável por ligar e controlar os geradores em caso de interrupção de fornecimento de energia pela concessionária; isolamento de área adjacente ao transformador e geradores; posicionamento da brigada de incêndio do hospital e equipamentos de combate a incêndio nas áreas afetadas; agendou reunião com o comando do Corpo de Bombeiros para iniciar a regularização e legalização do hospital.

A nota do ministério informa também que está em trâmite o projeto de reforma e atualização da subestação elétrica do HFB, que devem começar dentro de 40 dias. O plano de recuperação dos hospitais federais prevê a liberação de R$ 120 milhões até 2020 para obras de infraestrutura. “Os problemas na estrutura elétrica do HFB foram identificados há dez anos, tendo se agravado nos últimos cinco anos”, alega o ministério, acrescentando que nenhuma medida concreta foi providenciada pelos governos anteriores.

 

https://extra.globo.com/noticias/rio/corpo-de-bombeiros-vistoria-hospital-de-bonsucesso-apos-relatorio-apontar-risco-de-explosao-na-rede-eletrica-23959423.html

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