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Podemos olhar um pouco mais além dos problemas que o colaborador apresenta na empresa?

Por Celma Maciel

Lembrando que, existem vários tipos e perfis psicológicos, algumas pessoas possuem pensamentos e ações rápidas e querem tudo “pra ontem”, no outro polo temos outras pessoas, que precisam de um tempo para pensar, planejar e executar. Existem pessoas desinibidas e comunicativas e os introspetivos, que possuem fala direta e poucas palavras.
Existem os detalhistas, especialistas e os que conseguem ser mais generalistas, os confiáveis e aqueles que precisam provar que podemos confiar, os que tem iniciativa, os que precisam de motivação para fazer as coisas. Ainda as inúmeras combinações e nuances de cada característica.
Mas o que quero mostrar aqui é, em algumas situações as pessoas desenvolvem características totalmente diferentes das que fazem parte de sua personalidade e naturalmente exibiriam. Percebo que existe muita incompreensão ou falta de informação e entendimento de sinais, além dos sintomas de transtorno psicológicos, instalados ou não, apresentados por colaboradores de empresas.
Algumas atividades são intrinsecamente estressantes, como os que trabalham confinados, os socorristas, os que trabalham em altura, outras apresentam periculosidade, insalubridade em todas ou determinadas situações, nestas atividades, mesmo sendo desempenhadas por pessoal cuidadosamente selecionado, é necessário que sejam monitorados periodicamente. Mas não refiro a estas atividades apenas, me refiro as que são mais comuns. Deixo claro que, o que abordo neste artigo são comportamentos, que não aconteciam e que passaram a acontecer, não aqueles que a pessoa já apresentava.
Muitas vezes uma pessoa com comportamento exemplar passa a se atrasar com frequência, começa a apresentar menor rendimento, desinteresse, falta de motivação, sendo que anteriormente não apresentava estes comportamentos. Ao analisar esta situação, os gestores geralmente não consideram o contexto da vida da pessoa, focando apenas no problema apresentado na empresa. Ao realizar avaliação de desempenho, fazem de maneira parcial, o que pode prejudicar o colaborador. Em muitas situações é advertido, suspenso ou demitido, o que piora a situação psicológica do ser humano.
O ideal seria um serviço de psicologia para dar a orientação correta, mas se não for possível, em alguns casos uma breve conversa sincera, mostrando interesse pela pessoa ou simplesmente ouvindo-a, é o que a pessoa precisa. Perguntar se ela está bem, o que está acontecendo, pois está diferente do que era antes. Oferecer ajuda em alguma coisa, pois muitas vezes apenas uma visão diferente do assunto em que a pessoa está envolvida pode ajudar, já que ela não consegue perceber além do problema. Apenas alguns minutos de atenção ao outro, pode mudar tudo.
Considero muito difícil uma pessoa conseguir “separar assuntos de casa e do trabalho”, pois precisamos ver as pessoas por inteiro, globalmente, não em partes. Enxergando o ser humano desta forma, podemos considerar que, quando a pessoa tem problemas em casa, em família, nos relacionamentos, quando tem excesso de atividades na soma casa e trabalho podem ter reflexo no trabalho.
Percebo que, muitas empresas e seus gestores já adotam práticas que demonstram interesses pelo colaborador como um todo nos feedbacks. Seria interessante que mais organizações adotassem práticas semelhantes para melhorar a saúde psicológica dos colaboradores e da própria empresa.

 

Celma Maciel, Psicóloga Clínica e organizacional

Celma Maciel, Psicóloga Clínica e organizacional há 15 anos. Atua em Psicoterapia Cognitiva Comportamental, Terapia focada no Esquema e Coach Cognitivo em consultório em São Paulo.
Contatos: psicologa@celmamaciel.com
www.celmamaciel.com
(11) 9731 – 09109

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