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Mulheres no plástico: cresce o interesse feminino pelos postos de trabalhos na indústria de polímeros

Dino

Como o mercado de trabalho está cada vez mais concorrido e escasso, as mulheres estão buscando novas alternativas de emprego, que há alguns anos eram inimagináveis. A Escola LF, de cursos profissionalizantes em plástico, já formou algumas operadoras de máquinas do setor, que estão tendo um ótimo desempenho em suas novas funções na indústria. Essas ‘guerreiras’ que aproveitam as novas oportunidades na área de plásticos, se prevalecem pela enorme carência de profissionais com boa qualificação, isso tanto homens quanto mulheres.

O ‘chão de fábrica’ no Brasil sofre há longo tempo pela falta de capacitação de mão de obra. De acordo com Alexandre Farhan, diretor-técnico da Escola LF – profissionalizante em plásticos, existem cursos de qualificação nessa área e as empresas têm procurado cada vez mais profissionais com esse perfil. “A imensa maioria no setor é de homens, e por isso as mulheres me perguntam: Será que tem campo para mim? Sim, existe campo na parte operacional, comercial, e na área de qualidade, por exemplo. As mulheres também podem trabalhar em laboratórios, entre outras funções”, esclarece ele.

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2012 e 2018, o número de mulheres ocupadas aumentou mais de 1,4 milhão, enquanto o número de homens cresceu apenas 194 mil.

Empresária de sucesso

Thamires Wisniewski Calegari fez um curso na área de plásticos e acabou tempos depois se tornando uma empresária bem-sucedida nesse ambiente industrial. Ela foi aluna da Escola LF há cerca de 10 anos. Tudo porque começou a trabalhar numa empresa de reciclagem na área administrativa e não gostava daquele marasmo do escritório. Acabou se interessando pelo setor comercial e se arriscou nas vendas de plásticos reciclados. “Mas então eu precisava de conhecimento técnico, porque era completamente leiga. Para mim plástico era plástico, e hoje sei que há uma infinidade de tipos. Precisava entender melhor do assunto e foi quando eu fiz o curso”, conta ela.

Thamires Calegari foi gostando cada vez mais do trabalho e acabou se tornando empresária de sucesso. Ela afirma que o mais importante é não desistir, porque as pessoas vão encontrar várias dificuldades no decorrer da carreira. Na época do curso nem imaginava ser empresária.

Uma outra ex-aluna da escola, Maria Dalva Braga, tinha outro foco profissional e acabou alcançando seu objetivo após quatro anos. Ela já era operadora de máquina na indústria antes de entrar na escola, e com um curso específico se qualificou e cresceu mais profissionalmente. “Maria Dalva estava nesse processo de progresso. Começou como operadora de máquina, se qualificou com a gente e se tornou encarregada”, conta Farhan.

Maria Dalva sempre aconselha as pessoas a não ficarem acomodadas na mesma função operacional. “Tem que procurar se aperfeiçoar, porque sempre surgem oportunidades. Muitos pensam que elas são apenas para os mais jovens, no entanto não é só para eles. Dependendo do profissional e sua melhor capacitação, os chefes observam e reconhecem esse funcionário dedicado, com novas oportunidades”, argumenta.

A área de plásticos é muito ampla e cada aluna vai em busca de sua necessidade imediata ou mais a médio ou longo prazo. A estudante da LF, Thamirys Pacífico da Silva, começou numa indústria plástica há dois anos, inicialmente no setor de produção onde separava os tipos de materiais. Depois foi transferida para a recepção e não demorou muito para ser promovida para a área comercial, em que se tornou profissional de vendas de resinas. O conhecimento inicial adquirido tecnicamente já lhe ajudou a dar uma boa alavancada nos seus negócios.

“Na recepção conhecia muitos clientes e assim comecei a ter os primeiros contatos e trocas de informações, mas precisava me aperfeiçoar mais e fui fazer um curso, porque a produção da própria fábrica não era tão informativa assim para o setor de vendas. Valeu a pena, o treinamento é bem detalhado e já conheci muitas características dos materiais’, conta.

Thamirys Pacífico lembra que na sua classe há 30 alunos, e apenas 3 são mulheres, uma atua em vendas, as outras duas na qualidade. Essa profissional garante que na classe não há divisão ou qualquer tipo de discriminação.

Treinamento para negócios

Formada também na Escola LF, a ex-operadora de máquinas, Cristiane Maria dos Santos, recentemente, passou a ocupar uma função no Controle de Qualidade, que era seu sonho antes de fazer o curso. Na verdade, a chegada ao setor não foi tão planejada assim. Atuava no ramo de costura, mas posteriormente ficou desempregada. Entregou um currículo numa empresa de plástico, fez entrevista com o dono e ele perguntou se conhecia máquina de injeção plástica? Como não entendia nada, o empresário perguntou se gostaria de aprender o novo trabalho. A vaga era para operadora de injetora. “Eu queria aquela oportunidade e disse para ele: Só se for agora”, lembra ela. “Foi quando o dono da empresa me admitiu, mas depois fiz o curso na Escola LF”.

Hoje, Cristiane é contratada de uma empresa que fabrica peças automotivas plásticas e semelhantes, mais precisamente produz mangueira de ar e de combustível e reservatórios para carro. “Eu fui operadora de injetora durante quase dois anos, sacando peças nas máquinas semiautomáticas. Para mim, o mais interessante é aprender coisas novas todos os dias e superar os meus limites”, expõe.

Agora o trabalho na indústria lhe é bastante natural, mas no começo foi um pouco constrangedor, porque para os homens que lá trabalhavam, eu era uma grande novidade. Ela conta que na época do seu início, só trabalhavam homens no ‘chão de fábrica’. “Quando fui sacar as peças na máquina só os homens faziam aquilo e muitos não acreditavam na situação e ficavam me observando. Tudo era novidade. Quando eu olhava para trás tinha uns dez vendo eu trabalhar. Fui a primeira mulher a atuar nessa empresa no ‘chão de fábrica’. Agora as mulheres vêm conquistando esse espaço não só nessa empresa, mas no mercado de trabalho”, finaliza Cristiane.

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