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O combate a incêndio por espuma de baixa expansão

Equipe Target

NBR 12615 de 02/2020 – Sistema de combate a incêndio por espuma – Espuma de baixa expansão

A NBR 12615 de 02/2020 – Sistema de combate a incêndio por espuma – Espuma de baixa expansão fornece diretrizes para a elaboração de projetos de sistemas fixos, semifixos, móveis e portáteis de combate a incêndios por meio de espuma de baixa expansão, assim como para a instalação, inspeção, ensaio, operação e manutenção dos referidos sistemas. As NBR 12615 e NBR 17505-7 são complementares entre si. Sua aplicação conjunta tem como objetivo substituir as demais normas brasileiras sobre o assunto, consolidando estas normas como referência nacional para sistemas de combate a incêndio por espuma de baixa expansão.

Um sistema de espuma consiste em suprimento de água, suprimento de líquido gerador de espuma (LGE), equipamento de proporcionamento, sistema de tubos e dispositivos de aplicação, projetados para distribuir efetivamente a espuma. O sistema pode incluir dispositivo de detecção e comando. Em instalações que possuam sistema fixo de água e espuma, todos os locais sujeitos a derramamento ou vazamento de produto, ou onde o produto possa ficar exposto à atmosfera em condições de operação (como, por exemplo, separador de água e óleo), devem estar protegidos pelo sistema de aplicação de espuma.
Isto não se aplica aos sistemas operados com líquidos de classe IIIB. A instalação de sistemas fixos de aplicação de espuma não é obrigatória quando o produto armazenado for de classe IIIB. O projeto deve considerar os mesmos parâmetros estabelecidos para a classe IIIA.
Deve-se tomar cuidado na aplicação de espuma em líquidos aquecidos acima de 93 °C. Embora a pouca quantidade de água contida na espuma aplicada contribua para o resfriamento destes combustíveis, esta água, quando aquecida, pode entrar em ebulição e provocar o transbordamento do conteúdo do tanque. As válvulas de alimentação das câmaras de espuma dos tanques devem estar localizadas fora da bacia de contenção e no mínimo a 15 m do costado do tanque correspondente às referidas válvulas.
A água usada nos sistemas de espuma e resfriamento de combate a incêndio pode ser doce ou salgada, sem tratamento, desde que isenta de óleo ou de outras substâncias incompatíveis com a produção de espuma. Tomar cuidado especial na adição de antiespumante para tratamento de água. Se necessário consultar o fabricante. Quando a água contiver quantidade considerável de material sólido em suspensão que possa obstruir os aspersores ou outros equipamentos, devem ser previstos dispositivos para retenção de impurezas e limpeza das linhas, sem interrupção do sistema de combate a incêndio.
O suprimento de água deve ser baseado em uma fonte inesgotável (mar, rio, etc.), sendo capaz de atender à demanda de 100% da vazão de projeto, na condição mais crítica, em qualquer época do ano ou sob qualquer condição climática. Na inviabilidade desta solução, deve ser previsto um reservatório com capacidade para atender à demanda de 100% da vazão de projeto, durante o período de tempo descrito abaixo e na tabela abaixo.
Para o projeto dos sistemas de proteção contra incêndio por água e espuma, devem ser considerados os seguintes conceitos fundamentais: dimensionamento pelo maior risco predominante quanto à demanda de água, para resfriamento e formação de espuma; dimensionamento do LGE para o cenário com a maior demanda; não simultaneidade de eventos, isto é, o dimensionamento deve ser feito com base na ocorrência de apenas um evento.

As condições e requisitos relativos às bombas de água devem ser conforme estabelecido na NBR 17505-7. Quando as bombas de LGE forem requeridas para a operação de um sistema automático de espuma, enquanto não houver norma brasileira específica, elas devem ser projetadas de acordo com a NFPA 20. Para sistemas manuais, os controles de acordo com a NFPA 20 não são necessários.

O LGE usado em um sistema de espuma deve ser especificado para ser utilizado no combate a incêndio do líquido inflamável ou combustível a ser protegido. O LGE e os equipamentos devem ser armazenados de que não sejam expostos aos riscos que eles protegem. O LGE e os equipamentos devem ficar armazenados em uma estrutura não combustível. A quantidade de LGE deve ser dimensionada de forma a assegurar a aplicação para proteção do maior risco.

O fabricante do LGE deve fornecer relatório de ensaio, para cada lote fornecido, conforme a NBR 15511. A dosagem do LGE para hidrocarbonetos ou solventes polares deve ser a recomendada pelo fabricante do LGE. Havendo mais de um fornecedor de LGE, deve-se observar a compatibilidade entre os LGE no seu armazenamento. Devido às características físico-químicas de alguns LGE, os tanques, tubos, válvulas e conexões devem ser fabricadas com materiais compatíveis com o LGE.

Para efeito de cálculo, a vazão de solução de LGE não considera o ar na mistura, isto é, deve ser apenas a da água com o LGE. O estoque mínimo de LGE deve ser fixado de modo a permitir a operação contínua do sistema de combate a incêndio com espuma para o maior risco a cobrir com aplicação de espuma, considerando as taxas e os tempos de aplicação estabelecidos. O volume de LGE reserva estocado na instalação deve corresponder no mínimo a 100% do volume calculado para o maior risco.

Este volume reserva pode ser compartilhado com as instalações que fazem parte de plano de auxílio mútuo (PAM) ou da rede integrada de emergência (RINEM) oficial, desde que atenda à quantidade necessária, ao tipo e a dosagem de LGE de projeto. O reservatório de LGE deve ser protegido contra a irradiação direta do sol. A tabela abaixo indica os tipos e classes de LGE.

Em líquidos inflamáveis e combustíveis solúveis em água ou que destruam a espuma tipo 1, 2 ou 3, devem ser aplicadas espumas resistentes aos solventes polares do tipo 4, 5, 6 ou 7. A aplicação de espuma por canhões-monitores ou linhas manuais não pode ser utilizada em derramamentos de solventes polares com profundidade superior a 25 mm. Os tanques de armazenamento de LGE devem ser produzidos ou revestidos com material compatível com o LGE a ser armazenado, de forma a não comprometer a qualidade do LGE e a integridade do tanque.

O tanque de armazenamento deve ser projetado de forma a minimizar a evaporação do LGE. Os sistemas de proporcionamento devem possuir instruções e sequência de desligamento ou parada, de forma a prevenir a perda acidental de LGE ou danos ao tanque de armazenamento. Os tanques devem possuir meios que permitam a verificação do nível de LGE.

Para as condições de armazenamento, de forma a assegurar o correto funcionamento de qualquer sistema de espuma, as características químicas e físicas dos materiais devem ser consideradas no projeto. O LGE deve ser armazenado conforme as temperaturas indicadas pelo fabricante. Devem ser colocadas indicações em placas no tanque de armazenamento, indicando: fabricante do LGE; tipo e classe do LGE; dosagem (porcentagem); faixa de temperatura de armazenamento (graus Celsius); e volume de projeto de LGE (em litros).

A taxa de consumo de LGE deve ser baseada no percentual de dosagem do LGE utilizado no projeto do sistema. O estoque mínimo de LGE deve ser fixado de modo a permitir a operação contínua do sistema de combate a incêndio com espuma para o maior risco a ser coberto com aplicação de espuma, considerando as taxas e os tempos de aplicação estabelecidos. O volume de LGE reserva, estocado na instalação deve corresponder no mínimo a 100% do volume calculado para o maior risco.

Este volume reserva pode ser compartilhado com as instalações que fizerem parte de plano de auxílio mútuo (PAM) ou rede integrada de emergência (RINEM) oficial, desde que atenda à quantidade necessária, ao tipo e à dosagem de LGE de projeto. Projetos em que existe a possibilidade de uso de espuma e pó para extinção de incêndio em ação conjunta, deve ser assegurada a compatibilidade dos agentes extintores empregados.

Esta condição deve ser determinada conforme descrito a seguir: a compatibilidade entre pó e espuma deve ser determinada pela medição do tempo de resistência à reignição na presença de pó para extinção; a aparelhagem utilizada deve ser a peneira com malha de abertura de 0,420 mm (40 mesh), com diâmetro nominal 200mm; o ensaio de fogo do LGE deve ser realizado nas classes aplicáveis (HC, AV ou AR), conforme a NBR 15511, em água doce e/ou salgada. Antes de posicionar o cilindro de reignição, distribuir 800 g de pó sobre a superfície de espuma com o auxílio da peneira provida de um cabo longo, com aproximadamente 2 m.

Esta distribuição do pó deve ocorrer em até um minuto após o final da aplicação da espuma. Após 2 min do final da aplicação da espuma, iniciar a contagem do tempo de resistência à reignição. O tempo de resistência à reignição deve atender ao estabelecido na NBR 15511 para as classes aplicáveis (HC, AV ou AR).

Os sistemas de proporcionamento devem ser conforme listados a seguir, quando aplicável: esguicho autoedutor; proporcionador de linha; proporcionadores de pressão (com ou sem diafragma); proporcionadores around-the-pump; bomba de LGE com injeção direta e vazão variável; proporcionador de pressão balanceada; bomba monobloco (bomba acoplada ao motor); proporcionador de dosagem volumétrica. O sistema de proporcionamento deve assegurar a dosagem de LGE para toda a faixa de vazão projetada do sistema de combate a incêndio por espuma.

Os tubos do sistema devem ser de aço-carbono ou outra liga adequada para as pressões e temperaturas envolvidas. Os tubos de aço-carbono não podem ter características inferiores a Schedule 40 até o diâmetro nominal de 305 mm (12”). Os tubos de aço-carbono devem estar em conformidade com a NBR 5590, preferencialmente, ou com a ASTM A 135, ASTM A 53 ou ASTM A 795.

Quando expostos a ambientes corrosivos, os tubos de aço-carbono devem ser de material resistente à corrosão ou então tratados contra a corrosão, de acordo NBR 17505-2:2015, 4.6. A escolha da espessura da parede dos tubos deve considerar a pressão interna, a corrosão interna e externa e os esforços mecânicos. Devem ser usados tubos galvanizados ou de desempenho superior para a tubulação de solução de espuma.

FONTE: Equipe Target

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