Os métodos para a determinação da perda por inserção de barreiras acústicas
Como deve ser feitas as medições nas classes de cobertura de nuvens (nebulosidade)? Como fazer a avaliação da equivalência de fonte? Quais são as posições do receptor? Quais devem ser as durações sugeridas ou tamanhos de amostra para cada repetição de medição? Essas perguntas estão sendo respondidas na NBR ISO 10847 de 11/2021 - Acústica - Determinação in situ da perda por inserção de todos os tipos de barreiras acústicas para ambientes externos.
Equipe Target
NBR ISO 10847 de 11/2021 – Acústica — Determinação in situ da perda por inserção de todos os tipos de barreiras acústicas para ambientes externos
A NBR ISO 10847 de 11/2021 – Acústica — Determinação in situ da perda por inserção de todos os tipos de barreiras acústicas para ambientes externos especifica os métodos para a determinação da perda por inserção de barreiras acústicas empregadas em ambientes externos para a mitigação de ruído de diversos tipos de fontes sonoras. Ela especifica procedimentos detalhados para a medição in situ da perda por inserção de barreiras, incluindo posições de microfone, condições da fonte sonora e ambientes acústicos dos locais de medição.
Essa norma admite a medição da perda por inserção de uma dada barreira em um determinado local, considerando as respectivas condições meteorológicas. Ela não torna possível comparar valores de perda por inserção de uma barreira equivalente situada em um local distinto. Ela pode ser empregada, pelo método direto, para a comparação de valores de perda por inserção de diferentes tipos de barreiras situadas em um mesmo local, sob dadas condições meteorológicas.
Descreve os métodos para a determinação da perda por inserção a partir da diferença de níveis obtidos antes e depois da instalação de barreiras acústicas ou, caso não seja possível antes, quando a barreira já estiver instalada, usando um método indireto para estimar os níveis de pressão sonora antes da instalação da barreira, por meio da medição em outro local acusticamente equivalente. Para se considerar locais acusticamente equivalentes, é exigida uma boa correspondência entre as características da fonte sonora, dos locais dos microfones, dos perfis de terreno e da cobertura do solo, das construções adjacentes e de condições meteorológicas.
Essa norma descreve princípios para garantir que as condições suficientemente equivalentes sejam mantidas entre as situações antes e depois da instalação da barreira, a fim de permitir a determinação correta, confiável e repetível da respectiva perda por inserção. Não trata da determinação de grandezas acústicas intrínsecas de barreiras, como, por exemplo, o índice de redução sonora e o coeficiente de absorção.
São utilizados como descritores sonoros o nível de pressão sonora contínuo equivalente ponderada em A, o nível de exposição sonora ponderada em A, os níveis de pressão sonora de bandas de oitava ou de terço de oitava e/ou o nível máximo de pressão sonora. Essa norma pode ser utilizada para a determinação rotineira do desempenho de barreiras ou para avaliação de engenharia ou diagnóstica. Ela pode ser empregada em situações em que a barreira ainda está para ser instalada ou em que já foi instalada.
Essa norma especifica dois métodos para a determinação da perda por inserção de barreiras acústicas em ambientes externo. O método recomendado é o método direto. O método alternativo é o método indireto, utilizando os níveis medidos na situação antes em um local equivalente.
O método a ser adotado é escolhido levando em consideração diversos fatores, incluindo os objetivos da medição, a possibilidade de se realizar medições antes da instalação da barreira e a viabilidade de equivalência de fonte, perfil de terreno, obstáculos e superfícies refletoras, caso existam, cobertura do solo e condições meteorológicas entre as situações antes e depois. O método direto só pode ser utilizado se a barreira ainda não tiver sido instalada ou se puder ser removida para as medições da situação antes.
Os níveis de pressão sonora são medidos nas posições de referência e do receptor para ambas as situações antes e depois da instalação da barreira. As mesmas posições de referência e de receptor devem ser utilizadas nas situações antes e depois. Devem ser satisfeitas as equivalências de fontes, perfis de terrenos, obstáculos e superfícies refletoras, caso existam, cobertura do solo e condições meteorológicas.
Para o método indireto, se a barreira já tiver sido instalada e não for possível ser removida prontamente para permitir a medição direta da situação antes, uma estimativa do nível de pressão sonora antes é obtida pela medição em um local acusticamente equivalente ao local do estudo. O local acusticamente equivalente refere-se às equivalências entre fonte, perfis de terreno, obstáculos e superfícies refletoras, caso existam, cobertura de solo e condições meteorológicas.
A incerteza de medição deve sempre ser estimada. Além disso, a calibração do sistema de instrumentação deve ser efetuada, para averiguar a conformidade com as especificações pertinentes das normas. O intervalo entre as calibrações deve ser determinado por normas ou regulamentos nacionais nos respectivos países.
No início das medições e após o período prévio de estabilização especificado pelo fabricante, a sensibilidade geral do sonômetro deve ser verificada usando um calibrador de nível sonoro. Se necessário, este deve ser ajustado de acordo com as instruções do fabricante. Uma verificação adicional deve ser efetuada no fim de cada sessão de medição.
Pelo menos dois sistemas de medição devem ser utilizados para permitir medições simultâneas nas posições de referência e de receptor. Deve ser utilizado o protetor de vento especificado pelo fabricante, em cada microfone, durante as medições.
Se forem utilizados outros sistemas de medição, como gravadores analógicos ou digitais, ou ainda sistemas de aquisição de dados digitais, estes sistemas devem ser calibrados para garantir que atendam aos requisitos das normas IEC referenciadas neste documento. Devem ser avaliadas as incertezas sistemáticas associadas com o uso do sistema. Um anemômetro ou outro dispositivo de medição de velocidade e de direção do vento deve ter uma incerteza não superior a ± 10%.
A periodicidade de medição da velocidade do vento deve ser suficiente para representar as condições de vento durante o período de medição de nível sonoro. Um termômetro ou outro sensor para medir a temperatura ambiente deve ter uma incerteza não superior a ± 1 °C. Um higrômetro para medir a umidade relativa do ar deve ter uma incerteza não superior a ± 2%.
Se perfis de vento e de temperatura forem considerados, é necessário utilizar um suporte de altura variável. Convém que seja dada atenção ao posicionamento dos sensores meteorológicos. Recomenda-se posicioná-los na altura dos receptores acústicos mais elevados.
Para permitir uma comparação válida entre as medições de nível de pressão sonora nas situações antes e depois, visando a determinação da perda por inserção, devem ser determinadas e documentadas no relatório de ensaio as equivalências de perfil de terreno, dos obstáculos e das superfícies refletoras, caso existentes, condições do solo e das condições meteorológicas entre as situações antes e depois. Se a barreira já tiver sido instalada, as medições de níveis sonoros que simulam a situação antes devem ser efetuadas em locais similares ao local real da situação antes.
Se possível, convém que o local simulado da situação antes seja localizado próximo ao local real de instalação da barreira, em uma área sem obstáculos. O local simulado da situação antes é considerado equivalente ao local real da situação antes, se as condições descritas a seguir forem satisfeitas.
O local simulado da situação antes deve possuir um perfil de terreno, obstáculos e superfícies refletoras, caso existentes, e cobertura de solo equivalente àqueles do local real de instalação da barreira, dentro de um setor abrangendo 60° em ambos os lados da linha reta, entre as posições de receptores e a posição da fonte sonora (área), de modo que possa ser obtida uma propagação sonora semelhante, incluindo as reflexões do solo. O ambiente na região dentro de 30 m atrás e nas laterais do local da maioria das posições de receptores deve ser semelhante.
Essas equivalências devem ser também preservadas entre as situações antes e depois no método direto. A equivalência de cobertura de solo é preferencialmente descrita pela determinação da impedância específica do solo. Se não for possível determinar a impedância do solo, então este pode ser sempre descrito por suas características (por exemplo, através da pavimentação, de vegetação densa, curta ou ausente em solo compacto ou solto (empolado), incluindo areia/argila, g ramado, etc.).
Convém que sejam evitadas mudanças extremas no teor de água da superfície do solo. Entende-se que esta recomendação quanto ao teor de água na superfície do solo corresponda também ao nível da lâmina d’água, conforme o caso. Visando a reprodutibilidade de medição, são necessários alguns requisitos sobre as condições meteorológicas, como vento, temperatura e nebulosidade.
As condições de vento das medições acústicas antes e depois são consideradas equivalentes entre si, se a classe de vento (dada na tabela abaixo) permanecer inalterada e os componentes vetoriais da velocidade média do vento, desde a fonte até o receptor, não diferirem mais que 2 m/s. Em qualquer situação, nenhuma medição acústica deve ser efetuada quando a velocidade média do vento ultrapassar 5 m/s, independentemente da direção. Também convém que vento forte com um componente vetorial na direção de propagação do som seja evitado, em vista da possibilidade de grandes erros devido à flutuação do vento.

Não há requisitos específicos, desde que a temperatura seja registrada em cada ensaio. Contudo, as medições das situações antes e depois devem ser efetuadas com suas respectivas temperaturas médias não diferindo mais que 10 °C uma da outra. As condições de gradiente de temperatura em função da altura a partir do solo, que influenciam a propagação sonora, devem ser semelhantes entre as medições acústicas antes e depois. Não se deve tentar ajustar os níveis de pressão sonora medidos com base nos dados da temperatura.
A umidade afeta predominantemente sons de alta frequência (componentes principais acima de 3.000 Hz). Portanto, convém que as medições das situações antes e depois sejam restritas às condições semelhantes de umidade relativa do ar. Não se deve tentar ajustar os níveis de pressão sonora medidos com base nos dados de umidade.
FONTE: Equipe Target



