Início de ano é geralmente aquele momento propício para renovações nas empresas, o que pode incluir também o quadro de colaboradores em função de novos objetivos que foram traçados e necessidade de novas cabeças com novos skills. É comum, porém, gestores terem dificuldade para encontrar profissionais que não apenas tenham as qualificações desejadas, como também partilhem dos mesmos valores da empresa. Segundo o escritor Uranio Bonoldi, especialista em tomada de decisão, carreira e negócios, é fundamental que empregadores façam uma autoavaliação reconhecendo seus verdadeiros intuitos com a vaga a ser preenchida, de modo que a busca por um colaborador seja mais eficaz.
O processo seletivo pode variar de acordo com o tamanho e a área de atuação da empresa, assim como o grau de responsabilidade da vaga e a quantidade de candidatos inscritos. Porém, em qualquer caso é importante se buscar alinhamento de valores entre a empresa e o profissional a ser contratado. “Pode ser difícil, porque às vezes nem o próprio recrutador entende o que a empresa realmente precisa naquele momento. Mas é importante que os líderes, ao conduzirem as entrevistas, busquem formas de captar se há uma razoável comunhão de valores entre a empresa e os candidatos apresentados “, diz Bonoldi.
O tema é abordado em seu livro “Decisões de alto impacto: como decidir com mais consciência e segurança na carreira e nos negócios”, no qual detalha processos que tornam as escolhas profissionais mais assertivas. “Quando temos uma visão clara de nossos valores, nossas metas e objetivos, conseguimos comunicar melhor o que esperamos daqueles que trabalharão conosco, e isso facilita na contratação de novos colaboradores. Assim, no processo seletivo, será mais perceptível visualizar aqueles que estiverem desalinhados com os propósitos da empresa”, opina.
Na autoavaliação, os gestores devem se perguntar, por exemplo: O que a empresa busca alcançar? Quais princípios éticos norteiam os negócios? Que tipo de profissional esse setor precisa? Quais aspectos da cultura da empresa são fundamentais e não podem ser negligenciados? “A partir daí, começa-se a questionar: de que formas o novo colaborador poderá contribuir para o alcance de tais objetivos? Qual a personalidade esperada de um profissional, para se adequar aos princípios e cultura da empresa? Conhecendo melhor o próprio negócio, é possível desenhar que tipo de colaborador a organização realmente deseja”, aponta Bonoldi.
Outro ponto é reconhecer quão disponível a empresa está para oferecer uma carreira de longo prazo. “Se for esse o caso, é ainda mais importante que os sonhos e metas pessoais do candidato sejam próximos dos objetivos da empresa. É dessa forma que se garante a longevidade da relação com o profissional contratado”, diz o escritor. É também imprescindível ter claras quais serão as funções atribuídas ao novo contratado, além de aspectos práticos como salário, expediente e benefícios. “Isso confere credibilidade para empresa e traz segurança para os candidatos”.
Ao fim, é preciso considerar que quando se lida com relações humanas, há sempre a possibilidade de imprevistos surgirem. “É comum que decepções ocorram, mesmo quando tudo parece bem alinhado. O importante é que os gestores estejam preparados para lidar com o que sai diferente daquilo que foi planejado. Uma conversa franca com o colaborador ainda é a melhor saída nesses casos, principalmente para saber se a pessoa ainda está de acordo com os valores da empresa e disposta a seguir trabalhando com novas metas e conquistas”, finaliza.
Sobre o autor:
Uranio Bonoldi é palestrante e especialista em negócios e tomada de decisão, é professor do Executive MBA da Fundação Dom Cabral, onde leciona sobre “Poder e Tomada de Decisão”. Educado pelo método Waldorf, sua graduação e em seguida a pós-graduação em administração de empresas foi feita na FGV-SP. Atuou em grandes empresas como diretor e CEO.

