Social media não é apenas um “fazedor de post”
Segundo a especialista em mídias sociais, Rejane Toigo, o profissional da área deve atuar como um estrategista de conteúdo capaz de atrair o cliente certo e gerar a confiança necessária para efetivar uma venda
O mundo digital já é realidade há algum tempo. Avanços tecnológicos rápidos e constantes revolucionaram a sociedade, fazendo com que diversas atividades pudessem ser realizadas de maneira majoritariamente virtual. A pandemia e o isolamento social reforçaram essa tendência. Neste cenário, diversas profissões começaram a ganhar cada vez mais campo. O social media é uma delas.
Conforme a produtora de conteúdo, especialista em mídias sociais e fundadora da Like Marketing, Rejane Toigo, por conta da pandemia, que fechou negócios físicos e restringiu o contato físico, as empresas passaram a ter nos canais digitais um meio para continuar atendendo clientes, vendendo, ou seja, funcionando. Nesse sentido, todas as áreas de atuação dentro do mercado digital se projetaram como atividades importantes para a sobrevivência das empresas, também o marketing digital. “Como o conteúdo é essencial para essa atividade é consequência lógica que o trabalho de social media como estrategista de conteúdo passasse a ser valorizado de maneira exponencial”, diz.
A especialista em mídias sociais relata que há 10 anos, quando começou a atuar na área, o social media era alguém que apenas publicava conteúdo nas redes sociais. “Naquela época, tínhamos o conceito de presença digital, e pouco depois o conceito de presença nas redes sociais”, conta. De acordo com Rejane, na atualidade, as empresas e os negócios entendem que a mera presença digital é muito pouco. “É preciso atuar nos canais digitais, e o termo presença não traduz isso”, destaca.
Dessa forma, o profissional de mídias sociais precisa ser estrategista de conteúdo e não um simples “fazedor de posts”. “Nossa profissão é sobre produzir uma estratégia de conteúdo capaz de atrair o cliente certo e gerar a confiança necessária para efetivar uma venda”, afirma a especialista em mídias sociais, enfatizando que essa forma de trabalhar deve ocorrer em todos os canais digitais do negócio – redes sociais, blog, site, youtube. “Se o social media atuar como um mero ‘fazedor de posts”, vai contribuir para entupir as redes sociais com conteúdo desorientado”, afirma.
A busca por essa compressão de como deve ser o papel de um social media nos dias atuais passa por criar uma mentalidade específica e pela capacitação, conforme a fundadora da Like Marketing. “A mentalidade deve ser a de cientista digital. Isso se refere à disposição de estudar o tempo todo, buscar incessantemente os resultados e compreender que tudo é teste quando o assunto é comportamento humano”, esclarece.
Capacitar-se, por sua vez, é adquirir habilidades técnicas e comerciais necessárias para exercer sua profissão da melhor maneira possível. No que diz respeito à técnica, Rejane afirma que um bom social media deve procurar dominar metodologias de construção de estratégia e de produção de conteúdo de forma organizada. Em relação ao aspecto comercial, deve buscar dominar técnicas de atração de clientes ideais e de venda de estratégia e serviços de gerenciamento de conteúdo.
Segundo a especialista em mídias digitais, um social media antenado com a modernização da profissão deve compreender que a relação entre o conteúdo produzido pela profissional e o cliente se modificou. Conforme Rejane, criar conteúdo para marketing digital é diferente de produzir publicidade. “Conteúdo é diálogo, resultante de uma conversa com um potencial cliente. Já publicidade foi durante muitos anos um monólogo, sendo o cliente um mero receptor de conteúdo”, explica.
Para que o relacionamento com o cliente seja transparente e os resultados pretendidos possam se potencializar, cabe ao profissional de social media educar o cliente de que ele é um co-construtor e co-disseminador de ideias. “O social media é o estrategista, mas a participação do cliente na construção de conteúdo é fundamental”, afirma.
Entendendo que o seu papel é essencialmente estratégico, ou seja, que a continuidade do trabalho e o êxito de seus clientes dependem do resultado de sua ação, o profissional que atua como produtor de conteúdo digital consegue se posicionar como um consultor da empresa e não um empregado ou prestador de serviço. “O cliente não é patrão e cabe ao social media fazer com que ele compreenda isso”, diz.
Por outro lado, ao ensinar que o processo de criação de conteúdo é feito a quatro mãos, ou seja, que a participação ativa dele é imprescindível, o social media evita que o cliente adote a prática de terceirização de conteúdo. O que acaba por resultar, de acordo com Rejane, também na valorização do profissional responsável pelos conteúdos de marketing digital direcionados à empresa.
Essa cada vez maior compreensão por parte do cliente a respeito da importância do estrategista digital culminará futuramente, segundo a especialista em mídias sociais, em uma nova vertente de modalidade de trabalho: empresas implantando um processo de criação de conteúdo internamente, através da contratação de equipe de social media capacitados para criar e conduzir suas estratégias. Além disso, para Rejane, a atuação dos profissionais da área se tornará mais especializada. “A tendência é que surjam cada vez mais agências focadas na criação de estratégia de conteúdo para nichos específicos: área de saúde, atividades gastronômicas etc.”, destaca.
Por fim, a especialista em mídias digitais acredita que, no futuro, o profissional que atua com marketing digital terá que entender muito sobre o funcionamento do cérebro humano para criar experiências neurocompatíveis através do conteúdo produzido. “Na minha visão, o social media precisará atuar como um neurocientista capacitado para criar neuroconteúdo”, conclui.




