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Uma análise sobre o setor ocupacional na área da saúde do Brasil

Por Alex Araújo, CEO 4Life Prime

Falar sobre saúde e segurança do trabalho é uma das obrigações dos gestores, em conjunto com médicos e engenheiros do trabalho, para com os trabalhadores. A falha e a falta de comunicação podem levar a acidentes e, em casos mais graves, à mortalidade. Hoje, o Brasil é o país que mais possui leis com foco na saúde e segurança do trabalho. São 38 normas no total. No entanto, o país ainda se configura como o quarto que mais mata, ficando atrás apenas da China, Índia e Indonésia.

Mais de 6,7 milhões de acidentes e 25.500 mortes foram contabilizados no emprego com carteira assinada, sem contar aqueles não registrados e estagiários nos últimos 10 anos. O cenário nos remete a subvalorização da mão de obra e foco no capital. É uma contratação muitas vezes barata, que sofre pela baixa escolaridade e falta de benefícios. Com o isolamento social ocorrido na pandemia, muitas pautas de interesse social foram colocadas no radar da população, principalmente com foco na saúde mental. Observa-se muito o lado corporativo da questão, para aqueles que deixaram de trabalhar nos escritórios e fizeram  home office.

Claro que estamos falando de um cenário atípico, em meio a uma contingência pandêmica, mas, e aqueles que continuaram trabalhando presencialmente? Trazendo aqui os setores hospitalar – público e privado –, indústria e serviços, o cenário foi diferente. Na área da saúde, os colaboradores sofreram diariamente com o contato próximo à Covid-19 e uma alta incidência de mortes, sem, no início, terem a certeza do tratamento adequado para seus pacientes. Já na indústria, a mão de obra barata, a falta de fiscalização e uso inadequado de equipamentos de proteção, seguem como uma das grandes problemáticas atuais do setor. E, por fim, o setor de serviços, muito prejudicados pelo cenário catastrófico.

São situações que mexem com a saúde física e mental, e com a vida financeira de muitos que batalham diariamente pelos seus salários, mas que muitas vezes não possuem resguardo fiscal. Não podemos esquecer que durante a pandemia, o número de famílias endividadas chegou a 77.9%. Muito se falou sobre a saúde ocupacional, mas pouco se discutiu quanto às problemáticas que fogem do âmbito da saúde mental. Os três setores citados guardam grandes questões quanto ao impacto da pandemia, justamente por se manterem “ativos”, diferente daqueles que trabalham normalmente na segurança de suas casas.

Hoje, os principais casos ocorrem entre funcionários de 18  a 24 anos, com um enfoque nas empresas de pequeno e médio porte. De acordo com o Ministério da Previdência Social, as ocorrências mais comuns de acidentes são quedas, choques contra objetos, choques elétricos, golpes provocados por ferramentas, fraturas, contusão e esmagamento, lesões por Esforços Repetitivos (LER), distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho (Dort), estresse e ansiedade.

Os agravos surgem, prioritariamente, pela falta de estrutura do setor de recursos humanos e o desenvolvimento de um braço voltado para a saúde ocupacional, a depender do setor, que deveria desenvolver um programa de prevenção de riscos ocupacionais, que abrange: análise das condições do ambiente de trabalho, fiscalização diária do uso de EPIs (Equipamentos de Proteção), palestras de conscientização e explicação das NRs (Normas Regulamentadoras).

A saúde ocupacional faz parte da gestão das empresas, ou, pelo menos, deveria fazer. Estamos falando de pessoas. É preciso entender suas necessidades e os contextos nos quais estão inseridas.

 

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