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A evolução da segurança nas máquinas através das normas

Além da proteção, a segurança aumentará a produtividade, reduzindo paradas totais desnecessárias. Na realidade ela deixou de ser apenas 'bom senso' para se tornar engenharia mensurável

*Hernane Cauduro

 

No início, as máquinas eram projetadas apenas com foco na produtividade, sem haver preocupações com proteções físicas dos operários. Por consequência, acidentes com amputações e esmagamentos eram frequentes. A segurança tinha um papel mais reativo e dirigida para a compensação de acidentes.

 

A fundação de entidades como a Organização Internacional do Trabalho (OIT) em 1919, juntamente com a promulgação de leis de compensação por acidentes (como a Lei n° 3724 no Brasil, também em 1919, e a CLT em 1943), criou os alicerces legais, com um foco inicial nas consequências dos acidentes e na formação de profissionais especializados (como o SESMT – NR 4).

 

No Brasil, as Normas Regulamentadoras (NRs) assinadas em 1978 foram um marco. Elas estabeleceram diretrizes obrigatórias para segurança e medicina do trabalho, como a NR-12 (segurança em máquinas e equipamentos) e a NR-13 (caldeiras e vasos de pressão). O fato concreto é que a NR-12 foi protagonista dessa evolução, porque exigiu que a segurança fosse incorporada desde o projeto da máquina.

 

Dentro do guarda-chuva da NR12 tem normas e diretrizes que permitem que um projetista conheça, antecipadamente, os índices de confiabilidade de determinados elementos do seu projeto e que, com auxílio da tecnologia monitoram estes indicadores durante a operação.

 

Com o passar do tempo, as normas vêm passando por atualizações para se ajustarem às novas tecnologias e práticas. A NR-12, por exemplo, dentre atualização, recentemente foram incluídos requisitos de automação, sensores de segurança e ergonomia. A bem da verdade, antes de 2010, NR12 dispunha apenas de exigências genéricas, e alguma integração com as normas internacionais. Mas depois daquele ano, e principalmente depois de 2017, houve a adoção de princípios da ISO (Organização Internacional para Padronização) e IEC (Comissão Eletrotécnica Internacional), e a análise estruturada de risco passou a ser exigência.

 

A partir da introdução das últimas atualizações, foram incorporadas instruções sobre dispositivos de segurança como barreiras físicas, botões de parada de emergência, sensores de presença e sistemas de enclausuramento que tornaram o ambiente industrial bem mais seguro. Com a tecnologia bem mais avançada agora, os sistemas de segurança estão integrados com inteligência artificial, automação industrial e monitoramento remoto, permitindo prever falhas e agir preventivamente.

 

Além disso, houve a imposição normativa de treinamentos formais, certificação de dispositivos de segurança, documentação técnica da máquina, exigência de partes móveis protegidas, e mais requisitos protetivos para operação de prensas, injetoras, serras, calandras e outros maquinários de maior risco. Na atual fase, a normatização/normalização é mais proativa e se baseia na prevenção de riscos e na incorporação contínua de dispositivos e tecnologias de ponta.

 

Entre 2019 e 2021, o Governo Federal deixou as regras mais claras para usuários e fabricantes, flexibilizando alguns aspectos e procurou mais alinhamento com normas internacionais. Houve, além de tudo, uma redefinição precisa da operação com máquinas usadas e importadas.

 

No rol dos avanços se formou uma verdadeira cultura de segurança. Além do cumprimento de normas, as empresas passaram a valorizar e investir no seu modus vivendi em treinamentos, ergonomia, no pensamento e em ações para a prevenção de acidentes.

 

Além da adoção de padrões como ISO 45001 (sistema de gestão de saúde e segurança ocupacional) que promove uma abordagem global e integrada, onde a digitalização e Internet das coisas (IoT) para identificar riscos em tempo real antes que se transformem em acidentes, basicamente, as novas tecnologias empregam os últimos recursos que surgiram, como: sensores conectados e análise de dados do dia a dia, no chão de fábrica, na era da predição, o que permite evitar paradas indesejadas, em alguns casos, até potenciais acidentes;inteligência artificial, automação industrial e monitoramento remoto, permitindo prever falhas e agir preventivamente para risco físico e risco digital, e ainda sistemas que se protegem sozinhos. Essas novidades já estão por aí.

 

 

 

*Hernane Cauduro, diretor da Metal Work Pneumática do Brasil. https://www.metalwork.com.br/ 

 

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