Governo lança estratégia nacional de cibersegurança
Especialista comenta como empresas podem se alinhar à nova agenda de soberania digital
O lançamento da Estratégia Nacional de Cibersegurança pelo Governo Federal, com foco em soberania digital e proteção de infraestruturas críticas, reacende a urgência do tema entre empresas e organizações brasileiras. O plano prevê ações para fortalecer a resiliência digital do país, mas, segundo especialistas, sua efetividade dependerá da adesão e preparo do setor privado.
Para Daniel Tieppo, Diretor Executivo da HexaDigital, empresa especializada em conectividade segura e proteção de dados corporativos, a iniciativa é um passo relevante, mas precisa ser acompanhada por uma mudança real de postura dentro das empresas.
“A soberania digital não será garantida apenas com diretrizes públicas. As empresas precisam entender que sua vulnerabilidade também é uma vulnerabilidade nacional. Investir em redes privadas, monitoramento contínuo e arquiteturas resilientes não é mais uma opção, mas sim uma questão de sobrevivência”, afirma Tieppo.
O executivo alerta que, hoje, muitas companhias ainda operam com infraestruturas frágeis e soluções pontuais que não acompanham a complexidade das ameaças. “Não adianta termos uma estratégia nacional se a maioria das empresas segue tratando cibersegurança como custo e não como prioridade estratégica.”
Brasil deve investir R$ 104,6 bilhões em cibersegurança
Dados recentes reforçam a urgência do momento: o Relatório de Cibersegurança 2025 da Brasscom projeta um investimento de R$ 104,6 bilhões em segurança digital no Brasil entre 2025 e 2028, com uma taxa de crescimento acumulada de 43,8%. Só em 2025, são esperados aproximadamente R$ 21,6 bilhões destinados ao setor
Apesar do Brasil estar entre os principais mercados globais, ocupando a 12ª posição no ranking mundial de cibersegurança, e sendo o único da América do Sul no tier 1 do Global Cyber Security Index da UIT, o país também se destaca pelo alarmante volume de ameaças: foram registradas cerca de 60 bilhões de tentativas de ataque em 2023, ainda que esse número represente uma queda em relação às 103 bilhões de tentativas em 2022
Daniel Tieppo reforça que o momento exige uma postura integral por parte das empresas. “Soberania digital se constrói com tecnologia robusta, inteligência embarcada e ambientes preparados para responder a ataques em tempo real. É preciso sair da defensiva e adotar uma postura proativa.”



