De caças a pedágios sem cancela: a virada ousada que transformou um engenheiro da Embraer em referência em tecnologia rodoviária
Do cockpit da Força Aérea para as estradas brasileiras, Ailton Queiroga virou empresário referência no setor de tecnologias para rodovias e, agora, mira contratos milionários com o Free Flow
O caminho que liga um caça da Força Aérea Brasileira a um pedágio sem cancela pode parecer improvável. Mas é justamente nesse encontro entre alta engenharia, tecnologia crítica e decisões ousadas que Ailton Queiroga, ex-engenheiro da Embraer, construiu sua trajetória.
A decisão de deixar uma das maiores fabricantes aeronáuticas do mundo, ainda nos anos 1980, não foi um salto no escuro. Ailton enxergava nessa mudança mais do que uma virada de chaves no emprego, um ponto de partida para um empresário profissional. Formado no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e com a experiência em sistemas eletrônicos de navegação para caças da Força Aérea Brasileira, um ambiente em que precisão e confiabilidade são inegociáveis, ele decidiu fundar, em 1989, a COMPSIS. A empresa nasceu focada no setor aeroespacial, desenvolvendo sistemas críticos para aplicações militares e de alta complexidade.
“A base sempre foi a mesma: engenharia de precisão, confiabilidade absoluta e tecnologia embarcada capaz de operar em ambientes adversos”, relembra Queiroga, que possui mestrado em engenharia eletrônica na Holanda e também ajudou a desenvolver o sistema aviônico do caça AMX, na Itália.
Com o tempo, esses mesmos princípios saíram do cockpit e ganharam as estradas. A COMPSIS ampliou sua atuação e passou a desenvolver sistemas inteligentes para transportes, aplicando o rigor técnico da indústria aeronáutica aos desafios da mobilidade rodoviária. Quando o Free Flow, modelo de pedágio sem cancelas, que elimina filas e paradas, ainda era um conceito distante da realidade do Brasil, a empresa já participava, em meados dos anos 2000, da implantação de uma pista com esse sistema em Sydney, na Austrália, ao lado de grupos globais como Siemens e Philips.
Desde então, a tecnologia amadureceu, o mercado avançou e a COMPSIS acumulou know-how. Hoje, a empresa reúne mais de 15 soluções brasileiras voltadas à gestão e arrecadação em pedágios, além de sistemas aplicados a corredores urbanos e monitoramento viário.
Projeção
Aos mais de 35 anos de atuação, Ailton Queiroga vive um dos períodos mais estratégicos de sua carreira. Sob sua liderança, a COMPSIS tornou-se pioneira no País ao oferecer um pacote completo de soluções 100% nacionais e pensadas para as estradas brasileiras.
E isso acontece em um contexto especialmente favorável: o setor de concessões rodoviárias projeta dezenas de bilhões de reais em novos investimentos. Um cenário positivo para a COMPSIS, que se encontra plenamente estruturada, com tecnologia madura, portfólio consolidado e capacidade operacional para atender à expansão do mercado.
Entre os projetos concretizados, a empresa possui modelo Free Flow implantado e testado no Brasil com mais de 5 milhões de transações registradas, evidenciando a robustez, a estabilidade e a maturidade da solução em ambiente real de operação. Um dos exemplos de portifólio da empresa é o Free Flow do Rodoanel Mario Covas, em São Paulo.
Embora o Free Flow concentre hoje os holofotes, o portfólio da COMPSIS se diferencia no mercado por ser amplo e altamente estratégico. A empresa atua em infraestrutura de transportes com soluções tecnológicas para arrecadação de pedágios, gestão de rodovias por imagem e automação operacional, além do desenvolvimento de inteligências artificiais 100% brasileiras, criadas internamente e desenhadas para compreender, de forma nativa, a complexidade do tráfego nacional.
A COMPSIS é hoje a única empresa do mercado brasileiro a operar um ecossistema integrado com múltiplas IAs especializadas, aplicadas simultaneamente à automação, precisão, governança e otimização do processamento das transações, elevando os níveis de acurácia, velocidade e qualidade da arrecadação em ambientes rodoviários de alta complexidade.
Tecnologia feita para a realidade brasileira
O sistema Free Flow desenvolvido sob a liderança de Queiroga é capaz de identificar não só veículos de passeio, mas também comerciais e caminhões em tempo real, mesmo em condições adversas, sob chuva intensa, sol forte, alta velocidade ou durante a noite. A precisão se mantém mesmo em cenários que costumam confundir sistemas convencionais, como caminhões com eixos suspensos ou rodagem dupla. Isso é possível porque a tecnologia integra sensores de alta precisão, câmeras LPR dianteiras e traseiras, antenas RFID e algoritmos de inteligência artificial capazes de operar em tempo real.
“Nossa inteligência artificial foi treinada a partir de milhões de transações reais em rodovias brasileiras de alta complexidade operacional. Em alguns desses cenários específicos, especialmente onde a tecnologia da COMPSIS já está implantada, o tráfego de veículos comerciais pode representar até cerca de 40% do fluxo total, uma condição desafiadora que a maioria dos sistemas do mercado não consegue tratar com precisão. Esse histórico operacional é o que permite à nossa IA entregar desempenho elevado, mesmo em contextos pouco comuns ou altamente exigentes”, explica Ailton Queiroga.
Outro destaque do portfólio é o IVA COMPSIS, a plataforma de Inteligência Artificial da COMPSIS para gestão avançada de rodovias por imagem. A solução integra múltiplos módulos especializados, como o SAT, voltado à análise de tráfego e contagem de eixos; o DAI, sistema de detecção e análise de incidentes com um dos menores índices de falso negativo do mercado, incluindo aplicações específicas para túneis; o G-Fila, dedicado à gestão inteligente de filas; a leitura de Placas ONU, para identificação e controle de cargas perigosas; e o SVI, tecnologia de assinatura veicular por imagem que identifica cada veículo de forma única, viabilizando aplicações como autorização de pagamentos, gestão de estacionamentos e controle de operações de carga e descarga em docas com alto nível de precisão.
“Em um momento em que o país acelera a modernização da sua infraestrutura rodoviária, nosso objetivo é liderar a transformação digital da arrecadação e da gestão das rodovias por imagem no Brasil. Queremos soluções que não apenas otimizem o controle, mas que reduzam custos operacionais, simplifiquem a manutenção e entreguem mais eficiência ao usuário final”, conclui Queiroga.




