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A saúde mental virou indicador de risco e mudou a rotina das empresas

Mudanças regulatórias estão levando organizações a monitorar comportamento, estresse, engajamento e fatores psicossociais com mais rigor

Os afastamentos por transtornos mentais no Brasil atingiram o maior nível da última década. Segundo dados do Ministério da Previdência Social, mais de 470 mil benefícios por incapacidade relacionados a transtornos mentais e comportamentais foram concedidos em 2024. Ao mesmo tempo, as novas exigências da NR-1 estão levando empresas a estruturar indicadores emocionais para monitorar riscos psicossociais e comprovar medidas preventivas.

Advogada, psicóloga e fundadora da IntegraMente, plataforma especializada em diagnóstico emocional, indicadores emocionais e gestão de riscos psicossociais, Jéssica Palin Martins também é sócia da Palin & Martins, consultoria com atuação nacional em gestão estratégica, conformidade empresarial e programas voltados à saúde mental corporativa. Segundo ela, a principal mudança não está na criação de programas de bem-estar, mas na capacidade de demonstrar resultados. “Os indicadores emocionais passaram a ter função estratégica. Não basta realizar ações isoladas. É preciso medir, documentar e acompanhar”, afirma.

A atualização da NR-1 elevou os fatores psicossociais ao grupo de riscos que precisam ser monitorados pelas empresas. Com isso, a saúde mental passou a integrar formalmente a gestão de riscos corporativos, exigindo acompanhamento contínuo e evidências documentais das ações adotadas.

O movimento ganhou ainda mais relevância com a Lei 14.831/2024, que instituiu o Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental. A legislação estabelece critérios para reconhecer organizações que adotam práticas efetivas de promoção da saúde emocional e bem-estar dos trabalhadores. Entre os requisitos estão ações contínuas, políticas estruturadas e mecanismos de acompanhamento capazes de demonstrar resultados.

O que não está documentado pode não existir para a fiscalização

Segundo a especialista em saúde mental corporativa, muitas organizações ainda confundem campanhas de conscientização com gestão emocional estruturada. A tendência, segundo ela, é que auditorias, fiscalizações e futuras certificações exijam evidências cada vez mais objetivas das medidas adotadas.

“Fiscalizações e certificações tendem a exigir evidências objetivas. As empresas precisarão demonstrar quais riscos identificaram, quais medidas adotaram e quais resultados alcançaram. A gestão emocional precisa ser rastreável”, explica a fundadora da IntegraMente.

Além da conformidade regulatória, o tema possui impacto financeiro direto. Absenteísmo, presenteísmo, aumento da rotatividade, afastamentos médicos e ações trabalhistas estão entre as consequências associadas à falta de monitoramento dos riscos psicossociais. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), depressão e ansiedade geram perdas globais de produtividade equivalentes a cerca de US$ 1 trilhão por ano.

“Quando a empresa não mede, ela perde capacidade de prevenção. O problema deixa de ser apenas humano e passa a afetar produtividade, retenção de talentos, reputação e exposição jurídica. O custo da omissão costuma ser muito maior do que o investimento em gestão preventiva”, afirma a psicóloga.

Nesse contexto, os indicadores emocionais ganham relevância dentro da governança corporativa. Entre os dados mais monitorados estão níveis de estresse ocupacional, percepção de pertencimento, segurança psicológica, conflitos interpessoais, engajamento, exaustão emocional e intenção de desligamento.

“A empresa que não mede não consegue identificar tendências nem agir preventivamente. Os indicadores emocionais transformam percepções subjetivas em informações que apoiam decisões estratégicas”, diz a consultora.

Na avaliação da advogada e psicóloga, o tema também passou a ocupar espaço crescente em áreas como jurídico, compliance, auditoria interna e gestão de riscos. A preocupação deixou de estar concentrada apenas no RH e passou a influenciar decisões relacionadas à governança e à sustentabilidade dos negócios.

“Os indicadores emocionais caminham para ocupar o mesmo espaço estratégico que os indicadores de segurança, qualidade e compliance já possuem nas empresas. O que antes era tratado como diferencial está se tornando uma obrigação de gestão”, conclui Palin.

Sobre Jéssica Palin

Jéssica Palin Martins é advogada, psicóloga e especialista em saúde mental no ambiente corporativo, graduada em Direito pela Universidade Paulista (UNIP) e em Psicologia pelo Centro Universitário do Norte Paulista (UNORP), mestre em Direito pelo Instituto Brasileiro de Estudos Tributários (IBET) e especialista em Intervenção Familiar Sistêmica pela pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, FAMERP .

Fundadora da IntegraMente, desenvolveu uma metodologia que combina testes psicológicos validados com planos de ação estratégicos para lideranças e RHs. Sua atuação tem como foco no gerenciamento de riscos ocupacionais deve abranger os riscos que decorrem dos agentes físicos, químicos, biológicos, riscos de acidentes e riscos relacionados aos fatores ergonômicos, incluindo os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho.

Seu trabalho ganhou relevância especialmente após a publicação da Lei 14.831/2024, que instituiu o Certificado de Empresa Promotora da Saúde Mental. A norma, já aprovada e aguardando regulamentação, estabelece critérios claros para a promoção da saúde emocional no trabalho.

Paralelamente, a Portaria nº 1.419 do Ministério do Trabalho e Emprego, publicada em 27 de agosto de 2024 (DOU de 28 28/08/2024 – Seção 1),  que aprova a nova redação do capítulo “1.5 Gerenciamento de Riscos Ocupacionais” e altera o “Anexo I – Termos e definições” da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) que incluiu oficialmente os fatores psicossociais como riscos ocupacionais, reforçando a necessidade de estratégias corporativas de prevenção.

Contato e redes oficiais:

Instagram @jessicapalinmartins e  Linkedin

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Sobre a Palin & Martins

Fundada em São José do Rio Preto (SP), a Palin & Martins é uma consultoria especializada em gestão tributária para o agronegócio, com atuação em todo o território nacional. A empresa é referência na recuperação de créditos de ICMS, conformidade fiscal e reestruturação estratégica, com foco em produtores rurais, empresas do agro e exportadores.

Sob a liderança de Altair Heitor, contador e psicólogo com mais de 22 anos de experiência, e da advogada e psicóloga Jéssica Palin Martins, a consultoria já movimentou mais de R$668 milhões em créditos tributários para seus clientes.

Reconhecida por aliar precisão técnica, inteligência de dados e abordagem humanizada, a Palin & Martins atua diretamente na conversão de tributos em ativos financeiros legítimos. Além disso, oferece mentorias e treinamentos voltados à capacitação de empresários e profissionais do setor. Acesse palinemartins.com.br

Fontes de Pesquisa:

Ministério da Previdência Social

https://www.gov.br/previdencia/pt-br/noticias/2025/marco/afastamentos-por-transtornos-mentais-batem-recorde-no-brasil

Lei nº 14.831/2024

https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2024/lei/l14831.htm

NR-1 / Ministério do Trabalho

https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/assuntos/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/normas-regulamentadoras/nr-01-atualizada-2024.pdf

OMS
https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/mental-health-at-work

 

 

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