Acidente Voepass pode ter acontecido por falha na integração entre inventário, manutenção e fiscalização
Especialistas defendem integração digital para evitar fraudes e aumentar a segurança operacional
O relatório final conduzido pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) que investigou o acidente com o avião da Voepass, em 9 de agosto de 2024, concluiu que a aérea trocava peças com defeito por outras em pane. Divulgada na última quinta-feira (23), essa afirmação revela um ponto sensível: a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) poderia ter evitado o uso de peças em pane por meio de fiscalização do inventário da Voepass.
A aviação é reconhecida por possuir um dos sistemas de inventário mais rigorosos do mundo. O sistema internacional de Lista de Equipamentos Mínimos (MEL) define quais panes em peças podem ser toleradas temporariamente e por quanto tempo, justamente para equilibrar a segurança com as necessidades de operação da empresa. A gestão das peças tem rastreabilidade de cada componente, prazos de validade e registros obrigatórios.
No entanto, o artigo Aprimorando a segurança da aviação: um modelo baseado em 80 anos de dados, publicado na revista científica estadunidense PLOS One em maio deste ano, mostra lacunas metodológicas e processos manuais na aviação que abrem espaço para falhas e fraudes.
O estudo analisou 53.770 relatórios de ocorrências aeronáuticas (incidentes e acidentes) coletados ao longo de 80 anos pelo Conselho de Segurança no Transporte do Canadá (TSB na sigla em inglês). A conclusão é que inventário e manutenção devem ser integrados aos sistemas de gestão de segurança, já que registros incompletos ou manipulados podem ocultar padrões de risco e comprometer a prevenção de acidentes.

Pedro Sobreira, ex-Big four e Diretor Técnico-Operacional da EcoInventory, empresa brasileira de tecnologia especializada em soluções de inventário, explica a importância dessa integração. “O inventário físico tradicional é manual, lento e vulnerável a manipulações. Na aviação, isso significa abrir espaço para que peças em pane sejam reutilizadas sem rastreabilidade adequada. A ANAC pode se beneficiar de sistemas digitais que tornam o processo auditável em tempo real, eliminando brechas para fraude e aumentando a confiabilidade dos dados”, diz.
A ANAC e o Cenipa apontaram que a fiscalização não conseguiu impedir a continuidade das práticas irregulares. “Isso sugere que a gestão de inventário, por si só, não é suficiente sem auditoria rigorosa e cultura de conformidade”, afirma Pedro.
Sobre a Ecoinventory
A Eco Inventory é a primeira empresa brasileira de tecnologia especializada em soluções de inventário de estoque, inventário de ativos e conciliação contábil automatizada. Criada por executivos experientes, que atuaram nas Big Four (as maiores empresas de auditoria do mundo), a plataforma integra coleta de dados, rastreabilidade, fotos ilimitadas e integração com ERPs, permitindo que empresas de todos os portes realizem inventários com precisão e redução de custos. A Eco Inventory atua no varejo, indústria e setor público, oferecendo tecnologia nacional para gestão patrimonial eficiente e confiável.



