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A segurança operacional e a responsabilidade social no manuseio do gás cloro

Engº Francisco Carlos Oliver*

 

Os sistemas de cloração são indispensáveis na área industrial, por garantirem a segurança operacional, desinfecção mais profunda, e a conformidade com normas sanitárias e ambientais. No entanto, as indústrias antes de tudo precisam se concentrar no aspecto preventivo e humano do seu emprego. É indispensável, deste modo, examinar a relevância dos sistemas de segurança como os chamados eliminadores do gás cloro (scrubbers), Lavadores de gases, que estão também entre os alicerces do universo ESG (Ambiental, Social e Governança).

 

Hoje, a segurança no tratamento de água não pode ser entendida apenas como uma obrigação técnica, mas sim como um dever para funcionários e à comunidade vizinha da própria indústria. Só se fortalece a reputação de uma indústria com investimentos em contenção, ou seja, sistemas, estruturas ou procedimentos criados para conter produtos químicos perigosos, evitando desta forma que se tornem um caso de vazamento, falha de armazenagem ou derramamento sério.

 

Os equipamentos eliminadores de gás cloro devem ultrapassar a estrita conformidade técnica, como o cumprimento da NR-13 e outras análogas, e que não podem nem ser cogitadas em seu não emprego cotidiano. Sob ótica das disposições do conceito ESG (Environmental, Social and Governance), a segurança no tratamento de água já se transformou num indicador de alta responsabilidade corporativa e grande comprometimento com princípios morais.

 

Quando se estabelece a questão dos eliminadores de gás cloro como seu instrumento de compromisso ético, a indústria ultrapassa o posicionamento de processador de recursos e passa ser uma protetora do bem-estar da coletividade. Consequentemente, o nível de governança e impacto social se elevam no País a outro patamar considerável. A operação desses equipamentos passa a confirmar que a empresa preza pela vida, saúde e meio ambiente, tornando o tratamento de água um compromisso integral sob a regência do conceito ESG.

 

Pensando por partes, na vertente Ambiental (E – Environmental), como o tratamento de água e efluentes utiliza agentes químicos, um vazamento de gás cloro sem controle pode causar sérios danos à qualidade do ar e a biodiversidade da região. Com sistemas de eliminação adequados tecnologicamente eles impedem vazamentos antes que o gás alcance a atmosfera, além disso protege o ecossistema ao seu redor. Se tornam ainda agentes contínuos da prevenção de desastres.

 

A utilização de scrubbers, na gestão de resíduos, transforma o gás cloro em um subproduto líquido estável (como o hipoclorito de sódio). Desta maneira, pode ser tratado de forma segura, prevenindo, por exemplo, a contaminação do solo e dos lençóis freáticos.

 

Pela dimensão social (S – Social), a segurança contra acidentes ultrapassa o conceito do custo e se solidifica sobretudo como compromisso comportamental. O dimensionamento trabalha com a segurança do funcionário, garantindo ao operador o retorno para sua casa com segurança, que é uma das atribuições fundamentais da responsabilidade social. Os sistemas de segurança eficientes diminuem o risco de acidentes. Passa a haver no investimento de tecnologia a cultura do cuidado, valorizando a vida mais do que métricas de produção. Para a vizinhança, as plantas industriais ao seu redor trazem consigo uma grande responsabilidade.

 

Em relação ao último item, o de Governança (G – Governance), a gestão de riscos, transparência e conformidade é o foco. Ela obriga que a indústria preveja ou prognostica cenários desastrosos. Por isso, contar com um eficiente eliminador de gás cloro atesta que o gerenciamento do negócio tem como prioridade a operação para redução dos riscos.

 

O Brasil já presenciou casos de vazamento de gás cloro, especialmente em estações de tratamento de água, indústrias químicas e centros petroquímicos. Apesar dos casos terem sido prontamente controlados, alguns tiveram um impacto significativo em trabalhadores, comunidades vizinhas e operações das indústrias.

 

Um caso mais recente, numa Estação de Tratamento de Água, segundo as notícias da época, um vazamento de gás cloro ocorreu, mas foi rapidamente contido por sistemas automáticos de neutralização. Os sistemas de segurança agiram de forma rápida, evitando tanto a interrupção do abastecimento quanto o apontamento significativo de contaminação externa. O evento exemplifica como ter equipamentos de qualidade pode reduzir problemas mais críticos.

 

Uma segurança robusta tende a proteger o patrimônio dos investidores da empresa, uma vez que preserva o valor da marca, o brand equity, que é um ativo intangível cada vez mais valorizado e que significa a percepção, reputação e reconhecimento da opinião pública. Não se pode perder de vista que os acidentes com produtos químicos arrasam o valor de mercado da companhia e por consequência sua história e especialmente a respectiva reputação.

 

Considerado o maior desastre industrial da história, a tragédia de Bhopal, ocorrida em 1984 na Índia, por causa do vazamento de cerca de 40 toneladas de isocianato de metila (MIC) para produção de pesticidas, obrigou a empresa a arcar com um prejuízo financeiro de quase US$ 500 milhões. Além dos altos valores, houve danos profundos à marca e sua imagem pelo mundo inteiro. Depois disso, as atenções à segurança cresceram intensamente.

 

As organizações de saneamento e de outros segmentos da indústria sabem que o cloro é essencial para a desinfecção da água, porém a sua manipulação deve ser muito bem executada para não gerar emissões para a atmosfera. Por essa razão, a segurança para prevenção nos impactos é primordial e indispensável. É imperativo diante desse quadro pensar profundamente sempre nas tecnologias de neutralização de gases nas plantas industriais.

 

Existe neste momento uma crescente cobrança da população por operações industriais mais seguras e transparentes. A construção de confiança entre empresa e sociedade leva tempo e está ligada também à transparência nas medidas de segurança estabelecidas. A partir do momento que a prevenção de acidentes é tratada como prioridade estratégica de uma empresa, ela passa a ser parte integral e indissociável da sua identidade corporativa.

 

 

*Engº Francisco Carlos Oliver é diretor técnico industrial da Fluid Feeder, empresa especializada em soluções para tratamento de água e efluentes.

 

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