Saúde Ocupacional

Nova lei de saúde mental e atualização da NR1 transformam cultura corporativa em indicador de gestão para CEOs

Impulsionadas por novas exigências regulatórias, empresas deixam discursos institucionais de lado e passam a monitorar riscos psicossociais para garantir sustentabilidade e reter talentos

A cultura organizacional passou a ocupar espaço definitivo na agenda dos CEOs. Impulsionado pelas novas exigências sobre saúde mental, riscos psicossociais e governança corporativa, o tema deixou de ser uma atribuição exclusiva do RH e passou a influenciar produtividade, retenção de talentos, reputação empresarial e gestão de riscos.

Para Jéssica Palin Martins, advogada, psicóloga, especialista em saúde mental corporativa, fundadora da IntegraMente e sócia da Palin & Martins, a mudança foi acelerada pela Lei nº 14.831/2024, que criou o Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental, e pela atualização da NR-1, que ampliou as obrigações das empresas sobre saúde mental e riscos psicossociais. 

“A cultura organizacional deixou de ser um discurso institucional e passou a ser um indicador de gestão. Ela determina como as decisões são tomadas, como os conflitos são resolvidos e qual será a capacidade da empresa de sustentar resultados no longo prazo”, afirma.

O movimento ganhou força à medida que temas ligados à saúde emocional passaram a produzir reflexos diretos na operação das empresas. Questões como afastamentos, rotatividade, engajamento das equipes e atração de profissionais qualificados deixaram de ser analisadas apenas pelo RH e passaram a fazer parte das discussões de governança e desempenho corporativo.

A distância entre discurso e realidade tem custo

A mudança ocorre em um momento de crescente preocupação com experiência do colaborador, fortalecimento da marca empregadora e desenvolvimento de lideranças. Questões antes tratadas como comportamentais passaram a ser acompanhadas por indicadores estratégicos ligados à performance, sustentabilidade empresarial e gestão de riscos.

Segundo Jéssica, negócios que ainda enxergam a cultura organizacional apenas como um conjunto de valores institucionais tendem a enfrentar mais dificuldades para responder às exigências regulatórias e às transformações do mercado de trabalho.

“A cultura se manifesta nas decisões diárias, na forma como as lideranças conduzem suas equipes, na maneira como conflitos são administrados e na coerência entre discurso e prática. Quando existe desalinhamento, os reflexos aparecem rapidamente em indicadores como rotatividade, absenteísmo, clima interno e desempenho coletivo”, explica.

A especialista destaca que comportamentos corporativos não surgem espontaneamente. Eles são consequência direta dos incentivos, processos e modelos de liderança adotados pela alta gestão.

O colaborador acredita no que vive, não no que lê

Nos últimos anos, a saúde mental corporativa deixou de ser discutida apenas sob a ótica do bem-estar e passou a ser observada também pelos seus efeitos jurídicos, trabalhistas, operacionais e reputacionais.

Nesse contexto, cresce a adoção de ferramentas capazes de identificar fatores de risco antes que eles se transformem em problemas estruturais. O diagnóstico de riscos psicossociais permite mapear padrões de comunicação, sinais de sobrecarga emocional, conflitos recorrentes e vulnerabilidades que afetam tanto as pessoas quanto os resultados da organização.

“Não basta criar campanhas ou promover ações isoladas de bem-estar. A construção de uma cultura saudável depende de processos consistentes, desenvolvimento de lideranças e acompanhamento contínuo dos indicadores humanos da organização. O colaborador acredita no que vivencia diariamente, não apenas no que lê em apresentações institucionais”, afirma.

Para a especialista, empresas que adotam uma gestão mais estratégica das pessoas conseguem tomar decisões mais assertivas sobre desenvolvimento profissional, sucessão, retenção de talentos e fortalecimento da confiança interna.

O novo desafio da alta liderança

A chegada de novas exigências legais e a mudança nas expectativas dos profissionais aceleraram a entrada definitiva do tema na agenda dos CEOs. Questões relacionadas à segurança psicológica, propósito, transparência e qualidade das relações de trabalho passaram a influenciar diretamente a capacidade de atrair e manter talentos.

Na avaliação da advogada, a cultura organizacional tornou-se um dos principais indicadores de maturidade empresarial porque conecta pessoas, resultados e gestão de riscos em uma mesma estratégia.

“Os líderes perceberam que cultura não é um tema subjetivo. Ela afeta crescimento sustentável, inovação, reputação da marca, atração de profissionais qualificados e prevenção de passivos trabalhistas. As organizações que compreenderem essa conexão mais rapidamente terão vantagem competitiva relevante nos próximos anos”, afirma.

A especialista acredita que os indicadores relacionados à saúde emocional, ao engajamento e ao desenvolvimento das lideranças ganharão cada vez mais espaço nos processos de governança corporativa.

“Os negócios continuarão sendo avaliados pelos seus resultados financeiros. Mas, cada vez mais, também serão avaliados pela forma como constroem esses resultados. E é justamente nesse ponto que a cultura organizacional se torna um diferencial estratégico”, conclui.

Sobre Jéssica Palin

Jéssica Palin Martins é advogada, psicóloga e especialista em saúde mental no ambiente corporativo, graduada em Direito pela Universidade Paulista (UNIP) e em Psicologia pelo Centro Universitário do Norte Paulista (UNORP), mestre em Direito pelo Instituto Brasileiro de Estudos Tributários (IBET) e especialista em Intervenção Familiar Sistêmica pela pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, FAMERP . 

Fundadora da IntegraMente, desenvolveu uma metodologia que combina testes psicológicos validados com planos de ação estratégicos para lideranças e RHs. Sua atuação tem como foco no gerenciamento de riscos ocupacionais deve abranger os riscos que decorrem dos agentes físicos, químicos, biológicos, riscos de acidentes e riscos relacionados aos fatores ergonômicos, incluindo os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho.

Seu trabalho ganhou relevância especialmente após a publicação da Lei 14.831/2024, que instituiu o Certificado de Empresa Promotora da Saúde Mental. A norma, já aprovada e aguardando regulamentação, estabelece critérios claros para a promoção da saúde emocional no trabalho. 

Paralelamente, a Portaria nº 1.419 do Ministério do Trabalho e Emprego, publicada em 27 de agosto de 2024 (DOU de 28 28/08/2024 – Seção 1),  que aprova a nova redação do capítulo “1.5 Gerenciamento de Riscos Ocupacionais” e altera o “Anexo I – Termos e definições” da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) que incluiu oficialmente os fatores psicossociais como riscos ocupacionais, reforçando a necessidade de estratégias corporativas de prevenção.

Contato e redes oficiais: 

Instagram @jessicapalinmartins e  Linkedin

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Sobre a Palin & Martins

Fundada em São José do Rio Preto (SP), a Palin & Martins é uma consultoria especializada em gestão tributária para o agronegócio, com atuação em todo o território nacional. A empresa é referência na recuperação de créditos de ICMS, conformidade fiscal e reestruturação estratégica, com foco em produtores rurais, empresas do agro e exportadores.

Sob a liderança de Altair Heitor, contador e psicólogo com mais de 22 anos de experiência, e da advogada e psicóloga Jéssica Palin Martins, a consultoria já movimentou mais de R$ 668 milhões em créditos tributários para seus clientes.

Reconhecida por aliar precisão técnica, inteligência de dados e abordagem humanizada, a Palin & Martins atua diretamente na conversão de tributos em ativos financeiros legítimos. Além disso, oferece mentorias e treinamentos voltados à capacitação de empresários e profissionais do setor. Acesse palinemartins.com.br

Lei nº 14.831/2024 – Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental

https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2024/lei/l14831.htm

Portaria MTE nº 1.419/2024 – Atualização da NR-1

https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/assuntos/inspecao-do-trabalho/seguranca-e-saude-no-trabalho/sst-portarias/2024/portaria-mte-no-1-419-nr-01-gro-nova-redacao.pdf

Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1)

https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/assuntos/inspecao-do-trabalho/seguranca-e-saude-no-trabalho/normas-regulamentadoras/nr-1 

Senado Federal – Sanção da Lei nº 14.831/2024

https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2024/04/01/lei-cria-certificacao-para-empresa-que-promove-saude-mental

 

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