Afastamentos por transtornos mentais começam antes do atestado
Nova NR 1 aumenta a pressão sobre lideranças para identificar sobrecarga, conflitos e outros fatores de risco antes que eles comprometam a rotina das equipes
A Previdência Social concedeu 546.254 benefícios por incapacidade temporária relacionados a transtornos mentais e comportamentais em 2025, alta de 15,66% em um ano. O avanço ocorre justamente quando a nova redação da NR 1 passa a exigir das empresas atenção mais estruturada aos fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho.
Para Jéssica Palin Martins, advogada e psicóloga, é fundadora da IntegraMente, plataforma de gestão emocional corporativa que utiliza instrumentos psicológicos validados, devolutivas e planos de ação para apoiar gestores e áreas de recursos humanos, a licença médica costuma representar a etapa mais visível de um processo que pode apresentar sinais anteriormente. “Os afastamentos por transtornos mentais não começam necessariamente quando o atestado chega ao RH. Faltas recorrentes, conflitos, mudanças de comportamento e perda de desempenho podem mostrar que existe uma situação que precisa ser compreendida antes que ela se agrave”, afirma.
O Manual de Interpretação e Aplicação do capítulo 1.5 da NR 1, publicado pelo Ministério do Trabalho e Emprego em 2026, aponta absenteísmo, rotatividade de pessoal, agravos à saúde relacionados ao trabalho, conflitos interpessoais, reclamações e denúncias como indicadores capazes de auxiliar na identificação de perigos psicossociais. Quando esses elementos estão presentes, a orientação é avançar para a avaliação e classificação dos riscos dentro do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).
A análise, porém, deve se concentrar na organização e nas condições em que a atividade é executada. O próprio material do Ministério cita excesso de demandas, assédio e falta de suporte entre os exemplos de fatores psicossociais que precisam ser considerados.
“Uma alteração individual não permite à empresa diagnosticar um trabalhador. O papel da gestão é observar o contexto. Se faltas, conflitos, desligamentos e dificuldades de desempenho começam a se concentrar em uma área, é preciso entender o que está acontecendo naquela dinâmica de trabalho”, ressalta a psicóloga e advogada.
Saúde mental chega à operação
O impacto de uma licença não termina na ausência do profissional. Dependendo da função e da duração, tarefas precisam ser redistribuídas, escalas são reorganizadas e outros integrantes da equipe passam a absorver novas demandas. Quando as ocorrências deixam de ser pontuais, os efeitos alcançam também a rotina de gestores e do RH.
Para a especialista em saúde mental corporativa, essa é uma das razões pelas quais o assunto não deve permanecer restrito à área de pessoas. Gestores acompanham o cotidiano dos times, o RH concentra indicadores de faltas, movimentações e desligamentos, enquanto a alta liderança possui autonomia para rever processos, metas e estruturas.
“Não adianta identificar o crescimento das licenças sem investigar o que acontece antes delas. Se existe sobrecarga permanente, falta de apoio ou uma forma de organização que amplia a exposição aos riscos psicossociais, a prevenção passa por mudanças na própria gestão do trabalho”, aponta a fundadora da IntegraMente.
A preocupação também está no centro da Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho de 2026, promovida pela Inspeção do Trabalho. Neste ano, a iniciativa federal adotou como foco a prevenção dos riscos psicossociais e relacionou a agenda à entrada em vigor das alterações da NR 1.
Gestão precisa agir antes da licença
Na avaliação da advogada e psicóloga, acompanhar indicadores internos, estruturar canais de escuta, preparar gestores e avaliar as condições de trabalho permite identificar problemas que poderiam permanecer dispersos entre diferentes áreas da organização.
A IntegraMente utiliza instrumentos psicológicos validados, devolutivas e planos de ação como recursos de apoio à gestão de pessoas. A metodologia deve funcionar de forma complementar ao gerenciamento dos fatores de risco ocupacionais previsto na legislação, sem substituir as obrigações de segurança e saúde no trabalho.
“Quando a empresa cruza dados de absenteísmo e rotatividade com a escuta das equipes e a realidade de cada área, começa a enxergar padrões que uma ocorrência isolada não mostra. Prevenir é conseguir agir antes que o problema apareça somente na forma de licença médica”, explica a especialista.
A discussão ganhou outra frente regulatória com a Lei 14.831, de março de 2024, que instituiu o Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental. Entre as diretrizes previstas estão programas voltados ao tema, capacitação de lideranças, combate à discriminação e ao assédio e análises periódicas dos resultados das ações implementadas. Em março de 2026, o Ministério da Saúde criou um grupo técnico para elaborar a proposta de regulamentação da lei.
Para a psicóloga e advogada, os números da Previdência reforçam que acompanhar o tema apenas depois da licença reduz a capacidade de atuação das organizações. “Quando absenteísmo, conflitos, desligamentos e licenças médicas começam a interferir na operação, a saúde mental já deixou de ser uma pauta isolada do RH. Passou a fazer parte da gestão da empresa”, conclui.
Sobre Jéssica Palin
Jéssica Palin Martins é advogada, psicóloga e especialista em saúde mental no ambiente corporativo, graduada em Direito pela Universidade Paulista (UNIP) e em Psicologia pelo Centro Universitário do Norte Paulista (UNORP), mestre em Direito pelo Instituto Brasileiro de Estudos Tributários (IBET) e especialista em Intervenção Familiar Sistêmica pela pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, FAMERP .
Fundadora da IntegraMente, desenvolveu uma metodologia que combina testes psicológicos validados com planos de ação estratégicos para lideranças e RHs. Sua atuação tem como foco no gerenciamento de riscos ocupacionais deve abranger os riscos que decorrem dos agentes físicos, químicos, biológicos, riscos de acidentes e riscos relacionados aos fatores ergonômicos, incluindo os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho.
Seu trabalho ganhou relevância especialmente após a publicação da Lei 14.831/2024, que instituiu o Certificado de Empresa Promotora da Saúde Mental. A norma, já aprovada e aguardando regulamentação, estabelece critérios claros para a promoção da saúde emocional no trabalho.
Paralelamente, a Portaria nº 1.419 do Ministério do Trabalho e Emprego, publicada em 27 de agosto de 2024 (DOU de 28 28/08/2024 – Seção 1), que aprova a nova redação do capítulo “1.5 Gerenciamento de Riscos Ocupacionais” e altera o “Anexo I – Termos e definições” da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) que incluiu oficialmente os fatores psicossociais como riscos ocupacionais, reforçando a necessidade de estratégias corporativas de prevenção.
Contato e redes oficiais:
Instagram @jessicapalinmartins e Linkedin
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Sobre a Palin & Martins
Fundada em São José do Rio Preto (SP), a Palin & Martins é uma consultoria especializada em gestão tributária para o agronegócio, com atuação em todo o território nacional. A empresa é referência na recuperação de créditos de ICMS, conformidade fiscal e reestruturação estratégica, com foco em produtores rurais, empresas do agro e exportadores.
Sob a liderança de Altair Heitor, contador e psicólogo com mais de 22 anos de experiência, e da advogada e psicóloga Jéssica Palin Martins, a consultoria já movimentou mais de R$668 milhões em créditos tributários para seus clientes.
Reconhecida por aliar precisão técnica, inteligência de dados e abordagem humanizada, a Palin & Martins atua diretamente na conversão de tributos em ativos financeiros legítimos. Além disso, oferece mentorias e treinamentos voltados à capacitação de empresários e profissionais do setor. Acesse palinemartins.com.br
Fontes de Pesquisa
Ministério da Previdência Social / Fundacentro
https://www.gov.br/fundacentro/pt-br/comunicacao/noticias/noticias/2026/marco/concessao-de-beneficios-por-transtornos-mentais-e-comportamentais-cresce-mais-de-100-apos-pandemia
Ministério do Trabalho e Emprego
https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-social/conselhos-e-orgaos-colegiados/comissao-tripartite-partitaria-permanente/normas-regulamentadora/normas-regulamentadoras-vigentes/nr-1
Ministério do Trabalho e Emprego
https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/assuntos/inspecao-do-trabalho/manuais-e-publicacoes/2026/manual_gro_pgr_da_nr_1.pdf/view
Planalto
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2024/lei/l14831.htm
Ministério da Saúde
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2026/prt10257_23_03_2026.html



