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Como a tecnologia revolucionou a segurança do trabalho nas empresas

Soluções de IA e visão computacional identificam falhas no uso de EPIs, monitoram áreas de risco e transformam dados operacionais em ações preventivas, entre outras medidas contra acidentes

A aplicação da inteligência artificial (IA) e da visão computacional na segurança do trabalho permite atualmente que empresas industriais identifiquem comportamentos de risco em tempo real, antecipem situações que podem resultar em acidentes e orientem ações preventivas com base em dados. Com sistemas capazes de analisar imagens de câmeras, reconhecer equipamentos de proteção individual (EPIs) e monitorar a circulação de pessoas em áreas críticas, a tecnologia amplia a capacidade de atuação das equipes de segurança e auxilia na redução de números envolvendo acidentes de trabalho no Brasil.  Segundo a Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT), entre janeiro de 2023 e maio de 2026 o país registrou 1.843.694 acidentes. Apenas nos cinco primeiros meses desse ano, foram 222.139 ocorrências.

“Hoje, as câmeras deixaram de ser apenas registro de imagem e passaram a ser sensores inteligentes. Com algoritmos de visão computacional, é possível identificar se o colaborador está utilizando os equipamentos exigidos para determinada área e gerar alertas imediatos quando há alguma não conformidade”, explica Maurício Ciaccio, diretor de Inteligência de Mercado da Avantia, empresa especializada em soluções tecnológicas para segurança.

Segundo o executivo, o objetivo é permitir intervenções antes que uma situação de risco evolua. Além de alertar os responsáveis, os sistemas registram as ocorrências e ajudam a identificar padrões por setor, turno ou atividade. Essas informações podem orientar treinamentos e campanhas de conscientização mais direcionados, contribuindo para a correção de comportamentos inseguros.

Outra aplicação está no monitoramento inteligente de ambientes industriais. Ao delimitar digitalmente áreas restritas, rotas de circulação de máquinas e faixas de pedestres, os sistemas conseguem identificar acessos indevidos, travessias fora dos locais sinalizados e permanência em zonas de perigo. A análise contínua também permite mapear os pontos em que as situações de risco se concentram.

“Com o tempo, esses dados formam um verdadeiro mapa de calor de riscos da planta, mostrando onde as violações se concentram. Muitas vezes, isso revela que o problema não é apenas comportamental, mas também de layout, como uma faixa mal posicionada, um atalho utilizado pelos trabalhadores ou uma sinalização insuficiente”, afirma Ciaccio.

A tecnologia também pode apoiar a supervisão de atividades críticas, como trabalhos em altura, movimentação de máquinas e operação de equipamentos. A identificação de pedestres próximos ao raio de operação de empilhadeiras, por exemplo, pode acionar alertas sonoros e visuais para reduzir a possibilidade de colisões. A integração com sistemas de controle de acesso também ajuda a restringir a operação de determinadas máquinas a profissionais habilitados.

A prevenção de quedas e outros acidentes ganha força quando os dados coletados são utilizados para reconhecer situações recorrentes antes que provoquem danos. A identificação de quase-acidentes e aproximações perigosas permite priorizar intervenções, enquanto a automação reduz o intervalo entre a detecção de uma irregularidade e a resposta da equipe responsável.

“Todo acidente costuma ser precedido por uma série de quase-acidentes e desvios que, isoladamente, passam despercebidos. Quando a tecnologia registra esses eventos de forma sistemática, ela revela tendências e permite priorizar investimentos onde o risco é real, e não apenas percebido”, destaca o diretor da Avantia.

Para transformar essas informações em decisões, a integração entre câmeras, sensores, controle de acesso, ferramentas analíticas e plataformas de gestão é fundamental. A consolidação dos registros permite acompanhar indicadores como a conformidade no uso de EPIs, a frequência de acessos indevidos e a evolução dos quase-acidentes, além de avaliar os resultados de treinamentos e mudanças na estrutura operacional.

Ciaccio ressalta, porém, que a tecnologia precisa estar associada a uma cultura de prevenção e ao uso responsável das informações. “Tecnologia não substitui cultura, ela acelera cultura. É fundamental implementar essas soluções com transparência, comunicando claramente que o propósito é proteger as pessoas, e em conformidade com a LGPD, com regras definidas de acesso, retenção e uso das imagens”, conclui.

 

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