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Com 29 milhões de vítimas de violência doméstica no país, tecnologia aposta em IA para ampliar proteção de mulheres

Apresentado durante a SindExpo São Paulo, ELLA conecta mulheres, central de operações e agentes publicos em campo e tem condomínios entre os ambientes previstos para utilização

Cerca de 29 milhões de brasileiras vivenciaram situações de violência doméstica ou familiar em um período de 12 meses, segundo a atualização do Mapa Nacional da Violência de Gênero, plataforma mantida pelo Observatório da Mulher contra a Violência (OMV), do Senado Federal. Os dados, provenientes da 11ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, dimensionam um problema que também desafia empresas, condomínios e outros espaços de convivência a ampliarem mecanismos de prevenção e proteção.

É nesse contexto que uma nova tecnologia apresentada durante a SindExpo São Paulo 2026, realizada nos dias 18 e 19 de setembro, na capital paulista, propõe utilizar Inteligência Artificial, monitoramento em tempo real e resposta operacional como ferramentas de apoio à proteção das mulheres.

Batizada de ELLA, a plataforma foi desenvolvida para criar uma jornada de proteção que vai além do acionamento de um botão de emergência. A solução conecta a mulher em vulnerabilidade a uma central de operações e reúne recursos de localização, monitoramento e Inteligência Artificial para auxiliar na avaliação de situações de risco e, quando necessário, no acionamento da polícia. Os condomínios estão entre os mercados previstos para utilização da tecnologia, ao lado de eventos, estádios de futebol, arenas, transportes, empresas e redes privadas.

Para Ana Paula Franco, fundadora da SindExpo Brasil, levar a discussão sobre proteção às mulheres para um evento direcionado a síndicos, administradoras e profissionais do setor ajuda a ampliar o próprio conceito de segurança condominial.

“Quando falamos em segurança nos condomínios, normalmente pensamos primeiro em controle de acesso, portaria, câmeras e proteção patrimonial, mas segurança também significa cuidar das pessoas que vivem e circulam nesses espaços. Trazer para a SindExpo São Paulo o lançamento de uma tecnologia voltada à proteção das mulheres amplia esse debate e mostra aos gestores que inovação também pode estar a serviço do cuidado e da prevenção da comunidade”, afirma Ana Paula Franco.

Nos condomínios, a proposta é que o ELLA possa funcionar como uma camada adicional à estrutura de segurança existente. O acesso à plataforma pode acontecer por meio de QR Codes posicionados em portarias e outros pontos estratégicos do condomínio. Ao fazer a leitura com a câmera do celular, a usuária é direcionada a um endereço web no navegador, sem necessidade de instalar previamente um aplicativo, e passa a ter acesso aos recursos de proteção disponíveis naquele ambiente.

A plataforma também pode apoiar os condomínios no controle de acesso de pessoas identificadas como possíveis agressores. A partir dos registros disponíveis no sistema, a equipe de segurança pode ter mais informações para impedir acessos não autorizados e reforçar protocolos previamente estabelecidos. O recurso pode ser especialmente relevante em situações envolvendo medidas protetivas com determinação de distanciamento, funcionando como uma camada adicional de apoio à segurança e à atuação da portaria, sempre de acordo com as determinações aplicáveis a cada caso

Em uma ocorrência local, por exemplo, a central dispõe de um painel de controle que concentra informações para acompanhamento e triagem. A plataforma reúne em uma mesma tela recursos como mapa, localização, status dos sensores e histórico do atendimento, além de permitir o acionamento de serviços de socorro, como  bombeiros, polícia, SAMU.

Segundo Flávia de Mendonça Pagliarini, fundadora do ELLA, a proposta é aproximar tecnologia, prevenção e capacidade efetiva de resposta.

“O ELLA nasceu da percepção de que a proteção não pode começar apenas depois que alguma coisa acontece. Queremos usar a tecnologia para aproximar prevenção, informação e capacidade de resposta. Um condomínio é um espaço que faz parte da rotina da mulher e que já possui uma estrutura de segurança preestabelecida . Nossa proposta é acrescentar inteligência a essa estrutura e criar mais uma camada de proteção”, explica Flávia.

A Inteligência Artificial é utilizada como ferramenta de apoio à central de operações. Durante um acionamento por parte da mulher em vulnerabilidade, a tecnologia pode fazer gravações e analisar frames do vídeo, identificar elementos da cena e sugerir níveis de prioridade de atendimento aos agentes públicos e locais de acordo com o risco visual identificado.

Em situações classificadas pelo sistema como possíveis conflitos, a decisão não fica exclusivamente nas mãos do algoritmo. A Inteligência Artificial sugere uma classificação e apresenta os registros visuais, mas cabe ao operador da segurança do condomínio avaliar a cena e confirmar a ocorrência antes da liberação do acionamento de um agente.

A partir dessa validação, a central pode selecionar nominalmente um profissional para o atendimento. O agente recebe em seu dispositivo informações da ocorrência, como dados disponíveis sobre a situação e localização, e passa a ter sua atuação acompanhada pela central.

Outro recurso apresentado é o Trajeto Protegido, desenvolvido para acompanhar o deslocamento diário da usuária. Durante o percurso, o sistema monitora informações de movimentação e distância restante. Caso seja identificada uma interrupção inesperada ou uma mudança incomum no trajeto,  o status é alterado para “Parada Identificada”, sinalizando a situação à central para avaliação.

Durante uma ocorrência, a central também pode encaminhar orientações em texto diretamente para o celular da usuária, permitindo uma comunicação discreta sem exigir uma chamada de voz. Paralelamente, a plataforma registra frames da transmissão e os vincula ao histórico do atendimento.

Quando há necessidade de atuação presencial, o agente público designado recebe a missão pelo dispositivo móvel e pode utilizar recursos como câmera operacional, captura de imagens e registro das ações realizadas.

“O condomínio é uma extensão da vida das pessoas. Quanto mais os gestores conhecem novas ferramentas e discutem protocolos relacionados a desafios que fazem parte da realidade da sociedade, mais preparados estão para construir ambientes que acolham e protejam seus moradores”, complementa Ana Paula Franco.

A apresentação do ELLA durante a SindExpo também coloca em discussão o papel da tecnologia dentro de uma estratégia mais ampla de segurança. A proposta não é substituir os protocolos ou profissionais já existentes, mas integrar recursos digitais à estrutura operacional dos ambientes em que a plataforma for utilizada.

Para Flávia de Mendonça Pagliarini, a presença na SindExpo São Paulo marca também a aproximação da solução com um setor que administra espaços nos quais milhões de mulheres passam parte significativa de suas rotinas.

“A tecnologia sozinha não resolve um problema tão complexo quanto a violência contra a mulher, mas pode contribuir para reduzir distâncias entre um pedido de ajuda e uma resposta. O que buscamos com o ELLA é colocar recursos de proteção mais próximos da mulher e, ao mesmo tempo, oferecer informação para que quem está do outro lado consiga agir de forma mais rápida e estruturada”, conclui.

Sobre a SindExpo Brasil

A SindExpo Brasil é a primeira e maior feira de negócios voltada ao mercado condominial, reunindo síndicos, administradoras, gestores, fornecedores e especialistas do setor. Fundado por Ana Paula Franco, o evento promove conexões comerciais, atualização profissional e debates sobre temas que fazem parte da rotina dos condomínios, como segurança, tecnologia, acessibilidade, gestão, governança e convivência. Além da exposição de produtos, serviços e soluções, a programação inclui palestras e conteúdos voltados à profissionalização e aos novos desafios da gestão condominial.

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