Compra de medicamentos para depressão cresce 12% e Geração Z lidera o avanço
Levantamento com quase 35 mil beneficiários mostra alta em todas as faixas etárias e reacende o debate sobre acesso ao acompanhamento psicológico
A compra de medicamentos para depressão e ansiedade cresceu 12% em um ano no Brasil, segundo levantamento da Vidalink divulgado pela CNN Brasil, com base em 34.823 beneficiários que adquiriram ao menos um medicamento ligado à saúde mental entre janeiro de 2025 e junho de 2026. O avanço mais acelerado veio da Geração Z: 15% mais compradores, 19% mais compras e 21% a mais em valor gasto no primeiro semestre de 2026.
O recorte geracional é o ponto que mais chama atenção. Millennials e Geração X ainda concentram a maior parte do volume, mas foi a Geração Z que mudou de patamar, com aumento de 0,6 ponto percentual na participação entre compradores, a maior variação observada na composição por idade. Em termos práticos, isso significa que o público mais jovem está entrando nesse circuito mais cedo e em ritmo mais rápido do que as gerações que o antecederam.
Há mais de uma leitura possível para esse dado, e elas não se excluem. A primeira é de redução de estigma: falar sobre sofrimento emocional e buscar ajuda virou algo mais socialmente aceito entre quem tem até 29 anos. A segunda é de adoecimento real, ligado a precarização do trabalho, instabilidade financeira, pressão por desempenho e exposição contínua a redes sociais. A terceira, menos confortável, é de acesso desigual: quando o acompanhamento psicológico não cabe no orçamento, a medicação pode acabar sendo a única porta que permanece aberta.
“Procurar ajuda é um avanço, e esse número mostra isso. O que ele não mostra é quantas dessas pessoas tiveram acesso a acompanhamento psicológico junto do tratamento medicamentoso”, afirma Caroline Macarini, psicóloga (CRP 06/156341) e cofundadora da Unolife, healthtech que conecta pessoas a especialistas online por valor social. “Medicação é indicação médica e tem seu lugar. Mas cuidado em saúde mental não se resume a uma receita. Quando o acompanhamento não cabe no bolso, o acesso fica pela metade.”
O crescimento não ficou restrito aos mais jovens. Entre os Millennials, o número de clientes subiu 10,2%, as compras aumentaram 12,1% e o valor total cresceu 16,8%. A Geração X registrou altas de 7,1% em clientes, 10,5% em pedidos e 14,3% em valor. Entre os Baby Boomers, o avanço foi mais discreto: 3,5% em compradores e 4,7% em quantidade de compras. A curva é ascendente em todas as faixas, o que afasta a hipótese de um fenômeno exclusivo de uma geração e aponta para um movimento mais amplo.
O perfil de gênero seguiu estável e segue desigual. As mulheres representaram 64,1% dos compradores nos dois períodos analisados, contra 35,9% dos homens. A proporção se repete em outros levantamentos sobre busca por cuidado em saúde mental no Brasil e costuma ser lida de duas formas: maior prevalência de diagnósticos de depressão e ansiedade entre mulheres, somada a uma barreira cultural que ainda afasta homens da procura por ajuda. O segundo fator preocupa justamente por ser invisível no dado. Quem não procura não aparece na estatística.
No agregado, as compras transacionadas pela plataforma passaram de R$ 10 milhões para R$ 11,5 milhões, crescimento de 15,3%. Vale observar que o valor cresceu mais do que o número de compradores em todas as gerações analisadas, o que sugere não apenas mais pessoas em tratamento, mas também tratamentos mais longos, mais recorrentes ou com custo por pessoa mais alto.
A origem do levantamento merece atenção. Os dados vêm de uma base de benefícios corporativos, ou seja, de pessoas empregadas e com acesso a um benefício de saúde. O retrato, portanto, é de uma fatia da população em condição relativamente favorável. Fora desse recorte, entre trabalhadores informais, desempregados e quem depende exclusivamente do SUS, o cenário tende a ser mais difícil de mapear e provavelmente mais severo.
Esse recorte corporativo também coloca a discussão dentro das empresas em um momento específico. Com a NR-1 incluindo riscos psicossociais na gestão de saúde e segurança do trabalho, organizações passaram a precisar mapear fatores como sobrecarga, assédio, metas incompatíveis e jornada excessiva. “O dado chega num momento em que a empresa deixa de poder tratar saúde mental como campanha pontual”, diz Caroline. “Existe uma exigência técnica agora, e ela pede diagnóstico, plano de ação e acompanhamento ao longo do tempo.”
Sobre a Unolife
Healthtech brasileira fundada em 2020, com sede em São Paulo, sob responsabilidade técnica da psicóloga Caroline Macarini (CRP 06/156341), cofundadora da empresa. Conecta usuários a nove categorias de especialistas online: psicólogos, psicanalistas, terapeutas, nutricionistas, personal trainers, advogados (orientação), coaches, consultores financeiros e assistentes sociais, todos com registro ativo nos respectivos conselhos profissionais (CRP, CRN, CREF, OAB, CRESS) e formação reconhecida pelo MEC. As sessões têm até uma hora e custam R$ 79,99, realizadas por videochamada em sala própria, privada e criptografada, no modelo pay-per-use, sem fidelidade contratual. A plataforma atende brasileiros no Brasil e no exterior e mantém frente corporativa voltada à gestão de riscos psicossociais e à NR-1. Site: https://unolife.com.br/
Aviso
A Unolife não oferece atendimento imediato a pessoas em situação de crise. Se você precisa conversar agora, ligue 188 (Centro de Valorização da Vida, gratuito, 24 horas) ou acesse www.cvv.org.br. Em caso de emergência, procure o hospital mais próximo.



