Escolha errada de iluminação pode aumentar riscos em áreas críticas
Poeira combustível, gases, vibrações e grandes alturas estão entre as condições que exigem atenção específica no projeto de iluminação industrial
Quando se fala em iluminação de uma indústria, potência, quantidade de lúmens, eficiência energética e vida útil costumam estar entre os primeiros critérios considerados. Em determinados ambientes, porém, existe uma pergunta que precisa vir antes: a luminária escolhida é adequada às condições e aos riscos existentes naquele local?
A resposta pode mudar inclusive dentro de uma mesma planta industrial. Áreas externas, galpões de grande altura, locais sujeitos a vibrações e espaços onde há presença de gases, vapores ou poeiras combustíveis apresentam características distintas e podem exigir soluções específicas de iluminação.
Segundo Roberto Silva, engenheiro eletricista da Conexled e especialista técnico em soluções de iluminação para ambientes industriais e áreas classificadas, olhar apenas para a capacidade de iluminar é um dos equívocos que precisam ser evitados na especificação.
“Uma luminária pode entregar a quantidade de luz necessária para determinado espaço e, ainda assim, não ser a solução adequada para aquele ambiente. Na indústria, precisamos considerar onde o equipamento será instalado, quais são as condições de operação, os agentes presentes naquele local e quais riscos precisam ser controlados. A iluminação faz parte do projeto de segurança da operação”, explica.
Um dos cenários que demandam maior atenção está em indústrias onde determinados processos podem gerar poeiras combustíveis. Usinas de açúcar e álcool, unidades de armazenamento e processamento de grãos e moinhos estão entre os exemplos de operações nas quais esse tipo de material pode estar presente.
Dependendo das condições e da concentração, partículas combustíveis suspensas no ar podem formar atmosferas potencialmente explosivas. Por isso, determinadas áreas são classificadas de acordo com a probabilidade e a duração da presença dessa atmosfera perigosa.
No caso de atmosferas com poeiras combustíveis, aparecem as classificações em Zonas 20, 21 e 22. A Zona 20 está associada à presença contínua, frequente ou por longos períodos da atmosfera explosiva de poeira; a Zona 21, à possibilidade de ocorrência ocasional durante a operação normal; e a Zona 22, a situações em que essa atmosfera não é provável em operação normal e, caso ocorra, tende a permanecer por curto período.
“A poeira é um risco que muitas vezes não é percebido da mesma maneira que um gás inflamável, por exemplo, justamente porque faz parte da rotina de determinados processos, mas o fato de o material estar presente diariamente não significa que possa ser ignorado. É necessário classificar corretamente o ambiente e, a partir disso, especificar equipamentos compatíveis com aquela condição”, destaca Roberto Silva.
A temperatura atingida pela superfície da luminária também entra nessa análise. Em ambientes com poeira combustível, o acúmulo de partículas sobre superfícies aquecidas pode representar uma fonte potencial de ignição. Por isso, equipamentos destinados a essas aplicações precisam atender aos requisitos técnicos correspondentes à classificação da área, incluindo limites de temperatura e proteção contra ingresso de poeira.
Outro ponto de atenção é a utilização genérica da expressão “à prova de explosão”. Refinarias, terminais, áreas de abastecimento e diferentes processos industriais podem apresentar gases ou vapores inflamáveis, enquanto silos, usinas e outras operações podem envolver poeiras combustíveis.
Embora ambos possam resultar na classificação de uma área como potencialmente explosiva, isso não significa que qualquer equipamento destinado a uma atmosfera explosiva possa ser utilizado indistintamente nos dois cenários.
“Não basta receber a informação de que determinado equipamento possui proteção para atmosfera explosiva e concluir que ele pode ser aplicado em qualquer área classificada. Gases, vapores e poeiras apresentam características diferentes. É necessário analisar a classificação da área, a certificação e a marcação completa do equipamento para verificar se aquela solução é efetivamente adequada à aplicação”, explica o engenheiro.
Nem todos os desafios da iluminação industrial estão relacionados às atmosferas explosivas. Em locais sujeitos à vibração constante provocada por máquinas, equipamentos ou pela própria estrutura industrial, as condições mecânicas da instalação também precisam ser consideradas.
Ao longo do tempo, vibrações podem contribuir para o afrouxamento de elementos de fixação e desgaste de componentes. Por isso, além das características elétricas e luminotécnicas, projetos para esses ambientes devem avaliar a resistência mecânica e os sistemas utilizados para instalação e ancoragem dos equipamentos.
“Quando pensamos em segurança da iluminação industrial, precisamos enxergar o equipamento inteiro. Não adianta analisar apenas LED, potência e eficiência. A forma como a luminária é instalada, como reage às condições mecânicas do ambiente e como permanece segura durante sua vida útil também faz parte do projeto”, afirma Roberto Silva.
Galpões industriais altos, áreas de mineração, pátios logísticos e grandes espaços externos apresentam outro desafio. Nesses casos, a distância entre a luminária e a superfície que precisa ser iluminada pode levar à percepção de que simplesmente aumentar a potência resolve o problema.
Na prática, a quantidade de luz emitida é apenas uma das variáveis. Distribuição fotométrica, altura de instalação, área a ser atendida, uniformidade, posicionamento dos pontos e características da atividade executada no local precisam fazer parte do projeto.
Uma luminária de alta potência mal especificada pode consumir mais energia sem necessariamente entregar a iluminação adequada onde ela é necessária. Da mesma maneira, áreas excessivamente iluminadas não compensam pontos com iluminação insuficiente.
“O objetivo não deve ser colocar a maior quantidade de luz possível, mas colocar a luz certa no lugar certo. Uma boa especificação considera tanto a segurança e as características ambientais quanto o resultado luminotécnico que aquela operação precisa”, acrescenta o especialista.
Para Roberto Silva, o avanço da tecnologia LED trouxe ganhos importantes de eficiência e durabilidade para o setor industrial, mas também tornou mais relevante a análise técnica que antecede a compra dos equipamentos.
Antes de definir uma solução, o projeto deve considerar características como o tipo de atividade realizada, altura e geometria do espaço, condições ambientais, presença de agentes potencialmente inflamáveis, poeira, umidade, vibração e requisitos normativos aplicáveis à instalação.
“Na indústria, dificilmente existe uma solução universal. Um equipamento excelente para um galpão convencional pode não atender uma área com grandes maquinários, enquanto uma solução desenvolvida para determinado tipo de atmosfera explosiva pode não ser apropriada para outra. A especificação correta começa pelo entendimento do ambiente e do risco, e só depois chega à luminária”, conclui Roberto Silva.
Conexled
A Conexled é uma empresa brasileira com mais de 30 anos de experiência, especializada em iluminação LED industrial de alta performance, com atuação nacional e expansão na América Latina. Atende setores estratégicos da indústria e infraestrutura com um portfólio completo de soluções técnicas, aliando inovação, eficiência energética e segurança. Com mais de 15 mil clientes, 2.300 produtos desenvolvidos e forte capacidade produtiva, a companhia já contribuiu para a retirada de mais de 2 milhões de lâmpadas convencionais do mercado, gerando significativa economia de energia. Conta com laboratório próprio, certificações nacionais e internacionais e investe em capacitação técnica por meio de iniciativas como o LEDCast e a Escola da Luz, reforçando seu compromisso com soluções sustentáveis e de alto desempenho.


