Setembro Amarelo: 7 dicas para empresas promoverem saúde mental no trabalho
Pesquisa da Ticket mostra como aspectos da rotina, como respeito, equilíbrio, pausas e organização do trabalho, impactam o bem-estar e podem orientar ações de prevenção ao desgaste emocional
A chegada do Setembro Amarelo reforça a discussão sobre saúde mental também dentro das empresas. No ambiente corporativo, o tema passa pela criação de relações mais respeitosas, pela organização das demandas e por condições que permitam conciliar produtividade e bem-estar. Nesse contexto, a segurança psicológica ganha espaço como um dos pilares da gestão de pessoas.
Uma pesquisa realizada pela Ticket, marca de Benefícios e Engajamento da Edenred, com mais de 4 mil trabalhadores brasileiros, mostra que a percepção sobre um bom dia de trabalho está relacionada a diferentes aspectos da rotina. Para 69% dos entrevistados, ter um ambiente respeitoso é um dos principais fatores para o bem-estar. A alimentação de qualidade aparece em seguida, citada por 60% dos profissionais, enquanto 47% consideram a redução do tempo de deslocamento determinante. Pausas ao longo da jornada são apontadas por 38% e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, por 30%.
Os dados mostram que a saúde emocional no trabalho não depende de uma única iniciativa. Ela está relacionada a uma combinação de fatores que envolve relações, liderança, organização das atividades e condições oferecidas ao trabalhador.
A discussão ganha relevância com a atualização da NR-1, que amplia a atenção das empresas para a gestão dos riscos psicossociais relacionados ao trabalho. Para Tatiana Romero, diretora de RH e Sustentabilidade da Edenred Brasil, a mudança reforça a necessidade de incorporar o tema à gestão cotidiana.
“Saúde mental precisa ser tratada de maneira estruturada dentro das organizações. Isso envolve desde a forma como as lideranças conduzem suas equipes até a maneira como as demandas são distribuídas e como a empresa oferece condições para que as pessoas tenham uma rotina equilibrada”, afirma.
Na prática, algumas medidas podem ajudar as empresas a construir ambientes mais saudáveis. Confira as dicas da executiva.
1. Adotar uma liderança mais facilitadora
O papel do gestor não deve se limitar ao acompanhamento de resultados. Uma liderança facilitadora oferece clareza sobre prioridades, orienta os profissionais e dá autonomia para que as equipes realizem suas atividades. Reduzir a microgestão e ampliar a confiança também ajuda a construir relações profissionais baseadas em respeito e responsabilidade compartilhada.
2. Adequar as demandas de trabalho
Volume excessivo de tarefas, falta de clareza sobre prioridades e distribuição desequilibrada das atividades podem aumentar a pressão sobre as equipes. Por isso, acompanhar a carga de trabalho e revisar prioridades de forma periódica deve fazer parte da rotina da liderança. A gestão dos riscos psicossociais passa também por entender como o trabalho está organizado e quais fatores podem gerar desgaste.
3. Estimular relações saudáveis
O relacionamento com colegas e líderes tem impacto direto sobre a experiência do trabalhador. Criar canais de diálogo, incentivar a escuta ativa e estabelecer uma cultura em que opiniões possam ser apresentadas com respeito são medidas que contribuem para um ambiente mais seguro. Nesse cenário, a segurança psicológica não significa ausência de cobrança, mas a possibilidade de as pessoas se posicionarem, tirarem dúvidas e apontarem dificuldades sem medo de retaliação ou constrangimento.
4. Respeitar os limites entre trabalho e vida pessoal
Para 30% dos profissionais ouvidos pela Ticket, o equilíbrio entre vida pessoal e profissional é um fator relevante para o desempenho. A questão envolve mais do que oferecer modelos flexíveis de trabalho: é preciso que a cultura da empresa permita que as pessoas efetivamente se desconectem. Respeitar horários, evitar reuniões desnecessárias fora do expediente e estimular o uso adequado de pausas, férias e períodos de descanso são exemplos de práticas que podem contribuir para uma rotina mais sustentável.
5. Valorizar pausas e alimentação de qualidade
A rotina de trabalho também precisa considerar necessidades básicas. Para 38% dos entrevistados, ter pausas ao longo da jornada contribui para um bom dia de trabalho, enquanto 60% destacam a importância da alimentação de qualidade. Garantir tempo adequado para refeições e pausas ajuda a evitar que esses momentos sejam tratados como obstáculos à produtividade. Ao contrário, fazem parte das condições necessárias para manter energia e concentração ao longo do expediente.
6. Reduzir os impactos do deslocamento
O tempo gasto no trajeto entre casa e trabalho também interfere na experiência profissional. Segundo a pesquisa, 47% dos trabalhadores consideram a redução do tempo de deslocamento um fator determinante para um dia produtivo. Quando a atividade permite, alternativas como horários flexíveis e modelos híbridos podem ajudar a diminuir esse impacto. Para funções presenciais, uma gestão mais eficiente das jornadas e dos horários também pode contribuir para reduzir o desgaste associado aos deslocamentos.
7. Incorporar os riscos psicossociais à gestão
A saúde mental não deve ficar restrita às áreas de Recursos Humanos ou às campanhas de conscientização. Com a atualização da NR-1, a identificação e o gerenciamento dos riscos psicossociais passam a exigir uma abordagem integrada à gestão de segurança e saúde no trabalho.
Isso significa observar fatores relacionados à organização das atividades, relações profissionais, carga de trabalho e condições oferecidas aos funcionários. A partir daí, as empresas podem definir ações, acompanhar resultados e ajustar suas práticas.
“Quando falamos de saúde mental, precisamos olhar para a experiência completa do colaborador. Benefícios são importantes, mas precisam estar acompanhados de uma cultura de respeito, boas relações, liderança preparada e uma organização do trabalho que considere as pessoas”, diz Tatiana.
Para a executiva, o Setembro Amarelo pode ser uma oportunidade para ampliar a conversa, mas a construção de ambientes emocionalmente mais saudáveis depende de práticas permanentes. “O cuidado não pode acontecer apenas em setembro. Ele precisa estar presente nas decisões e nas relações do dia a dia”, afirma.



