Escudo e Juliana Bley criam formação para instrutores de segurança do trabalho
Iniciativa conta com um investimento superior a R$ 500 e combina andragogia e psicologia comportamental na capacitação em SST; previsão é lançar seis novos cursos até 2027.
A Escudo, empresa de gestão de treinamentos em saúde e segurança do trabalho, criou, em parceria com a psicóloga Juliana Bley, uma formação para instrutores de segurança do trabalho. O curso combina princípios de andragogia, campo que estuda a aprendizagem de adultos, e psicologia comportamental para aprimorar a maneira como os conteúdos de segurança são ensinados e assimilados pelos trabalhadores.
A iniciativa é o primeiro resultado de uma aliança estratégica entre as duas partes, que soma mais de R$ 500 mil em investimentos e prevê seis novos produtos até 2027. A proposta é ampliar a atuação da Escudo para além da conformidade técnica, tratando a capacitação como instrumento de aprendizagem e mudança de comportamento, e não apenas como uma exigência legal.
Já disponível para o mercado, a formação reúne a estrutura de conteúdo e tecnologia da Escudo à metodologia desenvolvida por Juliana ao longo de mais de 25 anos de atuação. Comportamento Seguro e Liderança Cuidadora estão previstos para o primeiro semestre de 2027. Os demais produtos seguem em desenvolvimento e serão voltados a públicos que vão da alta liderança a profissionais de SST e ESG.
Os seis lançamentos passarão a integrar o catálogo da Escudo, que reúne mais de 250 cursos e já capacitou mais de 2 milhões de trabalhadores. A empresa faturou R$ 14 milhões em 2025 e atende organizações como Petrobras, Neoenergia, Outback e Studio Z.
O desafio de medir a eficácia dos treinamentos
A formação parte de uma questão central para a segurança do trabalho: como avaliar se o conteúdo de um treinamento foi realmente assimilado e aplicado na rotina profissional? No modelo tradicional, a documentação comprova a realização da capacitação, com registros de data, carga horária e responsável técnico, mas não necessariamente demonstra o que o trabalhador aprendeu ou como passou a agir.
O tema ganha relevância diante dos números de acidentes de trabalho no país. O Brasil registrou 806.011 acidentes e 3.644 óbitos em 2025, os maiores números da série histórica, segundo levantamento dos Auditores-Fiscais do Trabalho divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Entre 2020 e 2025, os acidentes cresceram 65,8% e as mortes, 60,8%. Na década, foram 6,4 milhões de acidentes, 27.486 óbitos e mais de 106 milhões de dias de trabalho perdidos.
Segundo o Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, iniciativa do Ministério Público do Trabalho com a Organização Internacional do Trabalho, uma morte no trabalho formal é notificada a cada 3,5 horas no país.
“O setor aprendeu a ser eficiente em provar que o treinamento existiu. Isso não é a mesma coisa que ensinar alguém a trabalhar com segurança”, afirma Juliana. “A pergunta que quase ninguém faz é se o trabalhador saiu dali pensando e agindo diferente. Enquanto a resposta for o certificado, a gente vai continuar medindo compliance e não competência em segurança”.
Conformidade e aprendizagem não são a mesma coisa
Um treinamento voltado ao cumprimento de uma exigência legal precisa atender aos requisitos de registro e carga horária. Para promover aprendizagem, porém, também é necessário considerar o que o participante deve ser capaz de fazer ao final do curso, com métodos de ensino, avaliação e acompanhamento adequados.
A própria regulamentação estabelece requisitos específicos para a capacitação em segurança do trabalho. A NR-01 prevê a emissão de certificados e detalha, em seu Anexo II, requisitos operacionais, administrativos, tecnológicos e pedagógicos para treinamentos a distância e semipresenciais. A formação de instrutores proposta pela Escudo e por Juliana busca acrescentar uma dimensão pedagógica a esse processo.
“Conformidade é o piso, não o teto. O trabalhador não precisa de um certificado, ele precisa voltar para casa”, diz Hugo Vogel, CEO da Escudo. “A discussão que interessa não é quantas capacitações foram feitas, é o que sobrou delas no dia seguinte”.
Por que começar por quem dá a aula
A escolha dos instrutores como público inicial tem relação com o alcance da iniciativa. Profissionais de segurança do trabalho costumam ter formação técnica e domínio das normas e dos procedimentos, mas nem sempre contam com preparação específica para ensinar adultos.
A capacitação considera que o trabalhador já chega ao treinamento com experiências, conhecimentos e práticas profissionais que influenciam sua aprendizagem. Por isso, o curso aborda planejamento de aula, condução de turma, avaliação de aproveitamento e adaptação do conteúdo ao repertório dos participantes.
Ao preparar quem ministra os treinamentos, a iniciativa busca contribuir para a qualidade da capacitação oferecida pelas empresas e para a aplicação prática dos conhecimentos de segurança.
Saúde mental e comportamento seguro
A parceria também prevê produtos relacionados à cultura de cuidado e à liderança. A incorporação dos fatores de risco psicossociais ao gerenciamento de riscos ocupacionais previsto na NR-01 ampliou a atenção das empresas a temas como sobrecarga de trabalho, assédio e suporte das lideranças.
É uma área em que Juliana Bley atua há mais de duas décadas. Mestre em Psicologia pela UFSC, ela é autora de livros de referência no setor, entre eles Comportamento Seguro, e responsável pelo Safety Lab.
A proposta da parceria é aproximar conhecimento técnico, aprendizagem e comportamento seguro, considerando que a prevenção de riscos envolve tanto procedimentos e equipamentos adequados quanto às práticas e condições de trabalho.
Formação de instrutores
Com 12 horas de duração, o curso é oferecido na modalidade EAD e concede certificação ao final. O conteúdo parte de princípios de aprendizagem de adultos e inclui planejamento de aula, condução de turma, avaliação de aproveitamento e adaptação dos conteúdos ao perfil dos participantes.
Sobre a Escudo
A Escudo é uma empresa de tecnologia educacional (EdTech) especializada em Saúde e Segurança do Trabalho. Desde 2012, une conteúdo e tecnologia para que empresas capacitem suas equipes, comprovem conformidade e reduzam riscos jurídicos.
Foi a primeira plataforma do país a cumprir integralmente os requisitos da NR-1 para capacitação a distância, e seus especialistas ajudaram a construir o texto que embasou o Anexo II da norma.
Do catálogo de treinamentos ao LMS que centraliza a gestão e a certificação, a Escudo oferece a jornada completa de treinamento normativo, com trilha de auditoria e certificados digitais com validade jurídica. Sediada em Blumenau (SC), atende empresas dos setores de indústria, agro, energia, mineração, logística, portos e varejo em todo o Brasil.



