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Fim da escala 6×1: automação pode ajudar indústrias a manter produtividade com jornada reduzida

Especialista explica como modernização de processos pode reduzir perdas e custos, mas alerta para riscos de sobrecarga dos trabalhadores

Com o fim da escala 6×1 e a redução gradual da jornada máxima de trabalho, as indústrias brasileiras enfrentam o desafio de reorganizar suas operações sem comprometer a produtividade, os custos e a segurança dos funcionários. Nesse cenário, a automação industrial surge como uma alternativa para melhorar a eficiência dos processos, reduzir desperdícios e diminuir a necessidade de intervenções manuais.

Segundo Marcelo Salamoni de Araújo, especialista em Automação Industrial e proprietário da MSA Automação Industrial, a tecnologia pode ajudar as empresas a manter um ritmo produtivo mais uniforme, mesmo diante de mudanças na organização do trabalho. “A automação tem um papel fundamental nesse sentido. Automatizar um processo, desde que bem executado, garante uma maior produtividade, pois os processos passam a ser contínuos e uniformes durante todo o período de trabalho”, explica.

Entre os principais benefícios da tecnologia estão a repetibilidade das operações, a redução de perdas e retrabalhos e a possibilidade de um mesmo profissional acompanhar diferentes equipamentos simultaneamente. Entretanto, Salamoni alerta que tentar manter o mesmo volume de produção em menos tempo, sem investimentos ou reorganização dos processos, pode sobrecarregar os trabalhadores.

Em ambientes industriais que utilizam máquinas e equipamentos de transformação, a cobrança excessiva pode comprometer a atenção dos profissionais e colocá-los em risco. Por isso, o especialista defende que as mudanças sejam implementadas gradualmente, permitindo que as empresas encontrem soluções sem comprometer o faturamento e a mão de obra.

Modernização não exige necessariamente trocar todas as máquinas

Embora a automação seja frequentemente associada a grandes investimentos, pequenas e médias indústrias podem buscar alternativas de reforma e adequação de equipamentos existentes para melhorar a produtividade e a segurança. O custo, porém, ainda representa uma barreira. O especialista explica que muitos componentes industriais de qualidade garantida são importados e possuem preços elevados. Além disso, parte das pequenas empresas opera com máquinas antigas, que apresentam limitações de produtividade e segurança.

Nesse sentido, quando bem aplicada, a automação também pode melhorar as condições de trabalho, reduzindo a necessidade de intervenções manuais e a operação de equipamentos antigos ou sem proteções adequadas. Ao mesmo tempo, exige profissionais mais qualificados para acompanhar e operar os sistemas.

Um exemplo prático citado por Salamoni envolve a fabricação de queimadores para fogões domésticos e industriais. Antes da automação, o processo exigia quatro máquinas para realizar as etapas de furação, corte, dobra e separação das peças, além de aproximadamente quatro operadores diretos e outros dois ou três profissionais responsáveis pelo abastecimento do material. Com a implantação de uma ferramenta progressiva em uma única prensa e de um alimentador automatizado, as operações passaram a ocorrer sequencialmente, permitindo que a peça fosse concluída após quatro golpes da máquina. Nesse modelo, um único operador conseguiu monitorar duas ou três prensas, produzindo peças diferentes com mais uniformidade e menos necessidade de mão de obra direta.

Para o especialista, a automação representa uma transformação permanente no setor industrial, com impactos também sobre o mercado de trabalho. Algumas funções tendem a desaparecer, enquanto outras surgem, exigindo profissionais mais qualificados. Diante da redução da jornada, o desafio das indústrias não está apenas em produzir em menos horas, mas em encontrar formas de tornar os processos mais eficientes, considerando os custos de modernização, a qualificação da mão de obra e a segurança dos trabalhadores.

“A automação é um caminho sem volta na indústria. Esse processo exige investimentos e adaptações, mas também abre espaço para profissionais mais qualificados e processos mais eficientes”, conclui Marcelo Salamoni de Araújo.

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