FISP e Fire Show reúnem tecnologia, inovação e novidades em EPIs
Teve início nesta terça-feira (6), no São Paulo Expo, a 25ª FISP (Feira Internacional de Segurança e Proteção) e a 16ª Fire Show (International Fire Fair). Considerados os maiores encontros do setor de segurança, saúde no trabalho e prevenção de incêndios da América Latina, os eventos reúnem 900 marcas expositoras e esperam atrair mais de 60 mil profissionais até o dia 8 de outubro.
Segundo Maurício Macedo, CEO da Fiera Milano Brasil, organizadora dos eventos, as feiras deste ano são marcadas por uma guinada em direção à interatividade e à tecnologia aplicada. “A grande novidade da edição é o Pavilhão Play Safer, um espaço inteiramente dedicado a demonstrações práticas e experiências imersivas de segurança”, afirmou durante a cerimônia de abertura, que reuniu representantes de entidades do setor, além de autoridades. “A audiência das feiras, que já se consolidaram como as mais importantes em seus setores, é altamente qualificada, formada por 75% de profissionais que decidem ou influenciam as decisões de suas empresas.”
Anamelia Taglianetti, Coordenadora-Geral de Normatização e Registros do Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho (DSST), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) , destacou a representatividade das feiras. “É um espaço que reúne os principais representantes do mercado de segurança no trabalho e profissionais da área, gerando conhecimento e negócios.”
Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), afirmou que tanto a FISP quanto a Fire Show são vitrines para os empresários. “A realização dessas feiras oferece a oportunidade de apresentar novas tecnologias e também de realizar encontros e trocas de informações fundamentais para o desenvolvimento da segurança no trabalho do país.”
O cenário econômico também reforça a relevância do setor. Segundo a Associação Nacional da Indústria de Material de Segurança e Proteção ao Trabalho (ANIMASEG), o mercado brasileiro de proteção ao trabalho movimentou cerca de R$ 22,5 bilhões em 2025, crescimento de 4,5% em relação ao ano anterior. Na comparação com 2020, quando o mercado somava R$ 16,61 bilhões, o avanço acumulado foi de aproximadamente 32,5%.
Outra novidade é o pioneiro desfile técnico de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). “Não se trata de um desfile de moda. Na passarela, modelos apresentarão o que há de mais moderno em vestimentas especiais, calçados, luvas, óculos e cintos de proteção, unindo alta performance, design e mobilidade”, lembrou Macedo.
O público também poderá conferir o funcionamento da Fábrica Modelo de Segurança, uma linha de produção real montada em parceria com o IBTeC (Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçado e Artefatos) e a Fortline, que fabrica, ao vivo, calçados de proteção durante os três dias do evento.
IA e visão computacional ampliam prevenção de riscos na segurança do trabalho
A inteligência artificial e a visão computacional estão entre as tecnologias que ganham espaço nos estandes da FISP 2026, que é realizada junto com a Fire Show, no São Paulo Expo. Empresas expositoras apresentam soluções que utilizam câmeras e análise automatizada de imagens para identificar desde o uso incorreto de equipamentos de proteção até posturas e movimentos que podem representar riscos ao trabalhador.
Uma das novidades é o Valida Vision, da Valida EPI, plataforma lançada oficialmente durante a feira. O sistema reconhece automaticamente o uso correto de EPIs e emite alertas em tempo real quando identifica não conformidades. As ocorrências também são transformadas em indicadores, que podem ser acompanhados por área, turno e centro de custo, permitindo identificar padrões e direcionar ações de prevenção.
A inteligência artificial também chega à ergonomia. A Kinebot, startup de tecnologia em saúde ocupacional presente em mais de 30 países, apresenta na feira uma plataforma que combina IA e visão computacional para identificar posturas, movimentos e riscos durante a execução de atividades profissionais. A análise gera indicadores e planos de ação automaticamente, agilizando avaliações que tradicionalmente dependem da observação direta do trabalhador. A empresa também aplica a tecnologia em estudos de tempo e movimento e na gestão de riscos psicossociais relacionados à NR-01.
A aplicação da IA se estende ainda a etapas menos visíveis da gestão da segurança do trabalho. A São e Salvo apresenta uma solução que utiliza a tecnologia para transformar procedimentos, manuais, POPs e DDSs das empresas em treinamentos personalizados e simulações interativas. Já a Bernhoeft demonstra uma ferramenta de automação para a gestão de trabalhadores terceirizados. Sua IA analisa documentos como ASOs, NRs e certificações em segundos e identifica pendências antes da entrada do profissional em campo.
As soluções apresentadas pelas empresas expositoras apontam para uma mudança na forma de utilizar dados na segurança do trabalho. A inteligência artificial passa a ser empregada não apenas para organizar informações depois que elas são produzidas, mas também para identificar padrões, detectar situações de risco e apoiar intervenções de forma mais rápida e preventiva.
Ventilação e sinalização fotoluminescente reforçam abandono seguro de edifícios
A fumaça e a perda de visibilidade são os inimigos implacáveis no abandono seguro de um edifício em chamas. Em um incêndio, ao contrário do que o senso comum aponta, o fogo raramente é a primeira ameaça mortal. São os gases tóxicos e a escuridão provocada pela fumaça densa que transformam ambientes em verdadeiros labirintos em questão de minutos, tornando as estratégias de evacuação o ponto mais crítico da segurança contra incêndio.
Nos minutos iniciais de uma ocorrência, o comportamento das pessoas oscila entre a negação e o pânico, segundo Bruno Salas, gestor comercial da Enprodes – Sinalização de Segurança Fotoluminescente, que apresenta o Escape Test, experiência de situação de risco durante a Fire Show 2026, que acontece no São Paulo Expo até quinta-feira (8). “A fumaça preta e aquecida se espalha rapidamente pelo teto e desce, reduzindo a visibilidade a zero e irritando os olhos e vias aéreas, deixando as pessoas desnorteadas, por isso uma sinalização adequada e intensa é fundamental para indicar o caminho para as pessoas poderem sair do local”.
Sinalização, iluminação, definição das rotas de fuga e treinamento são decisivos para que as pessoas consigam abandonar o local com segurança, de acordo com a engenheira civil, Jaíne Hillesheinens, da Everlux, empresa de consultoria de engenharia especializada em segurança operacional, ventilação e planejamento de emergência, que também está na Fire Show. “Por isso é importante um bom projeto de ventilação, para que a fumaça se disperse, sinalização de emergência e rotas de fuga conhecidas por todos”, afirma.
Outra atenção dada pela Everlux, conforme lembra Jaíne, é com a elaboração de documento com orientações para as equipes de socorro e bombeiros onde conste locais de acesso para o interior do local. “É preciso também pensar no auxílio para quem ficou preso num edifício ou túnel cheio de fumaça. Nem sempre as pessoas conseguem escapar por diversos motivos como inalação de fumaça. Então, criamos documento para orientar socorristas sobre as melhores formas de acessarem os locais.”
Nova geração de alarmes de incêndio aposta em redes sem fio de até 2.000 dispositivos

Linha MAX-FI da Segurimax
Sistemas de detecção e alarme de incêndio sem fio começam a ganhar espaço como alternativa ao cabeamento tradicional, especialmente em ampliações, adaptações e projetos de retrofit. Durante a Fire Show 2026, empresas expositoras apresentam tecnologias que ampliam o uso de comunicação wireless, com diferentes propostas de alcance, capacidade de conexão e integração entre dispositivos.
Uma nova geração de sistemas totalmente sem fio deve chegar ao mercado em 2027. Ainda em desenvolvimento, a tecnologia apresentada pela Tecnohold na feira opera na frequência de 915 MHz e prevê redes com até 2.000 dispositivos interligados.
“Cada central poderá receber 250 endereços e até oito painéis poderão funcionar de forma integrada, além do uso de repetidores para ampliar a cobertura. O sistema reúne detectores de fumaça e temperatura, acionadores e sirenes e pode alcançar até 400 metros em áreas abertas”, explica Mayara Gomes, da equipe de vendas da Tecnohold.
A Segurimax traz à feira a linha MAX-FI, baseada na tecnologia LoRa (Long Range), com alcance de até 500 metros em condições adequadas e possibilidade de expansão por meio de repetidores. Já a Skyfire aposta em uma arquitetura híbrida, que reúne dispositivos wireless e cabeados em uma única central analógica. A empresa também apresenta a V4 Ultra, nova geração de sua central de detecção e alarme de incêndio.
A redução do cabeamento pode tornar instalações, ampliações e adequações menos invasivas, mas também desloca parte dos desafios do projeto para a comunicação entre os dispositivos. Alcance, cobertura, interferências, redundância e confiabilidade da transmissão passam a ter papel central na concepção e na operação dos sistemas.
Fábrica Modelo de Segurança mostra ao vivo como nasce um calçado

A Fábrica Modelo de Segurança foi oficialmente aberta nesta terça-feira (6), primeiro dia da FISP — Feira Internacional de Segurança e Proteção. Ao longo de três dias, o público poderá acompanhar ao vivo todas as etapas da fabricação de um calçado de segurança em uma linha montada em um espaço no qual também estão reunidas as empresas que participam do projeto.
Em uma cerimônia de abertura que reuniu lideranças, executivos e empresas participantes, Valdir Soldi, Presidente Executivo do IBTeC (Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçado e Artefatos), que coordena a iniciativa, destacou o caráter coletivo da iniciativa e a estrutura necessária para levá-la à feira. “É um processo bastante complexo, as máquinas vêm todas lá do Sul, é toda uma logística que envolve muito planejamento. Um esforço coletivo para dar vida a este projeto tão importante e atrativo”, afirmou, explicando que para dar vida a este projeto contou com a participação de mais de 60 empresas e 30 profissionais.
Maurício Macedo, CEO da Fiera Milano, reforçou a continuidade do projeto. “Esta é a terceira edição do projeto na feira, uma ação que dá visibilidade às marcas e empresas que aportam recursos, equipamentos e profissionais para trazer uma experiência única para o público visitante.”
Inovação em materiais
Nesta edição da fábrica modelo, serão produzidos três tipos de calçados, como explica Soldi: “Dos três modelos produzidos, dois já são de mercado e um é totalmente novo, com solado mais tecnológico e cabedal em fibras de materiais especiais”. Ele destaca ainda que é importante ter um modelo que seja lançamento, porque é uma oportunidade para testar novos materiais, especialmente aqueles com foco na sustentabilidade, exigência cada vez maior do mercado.
Entre as tendências, citou a busca por modelos mais leves e confortáveis, com materiais de menor espessura e mesma resistência. “Hoje tem calçado de segurança que parece um tênis. O usuário não quer mais usar aqueles equipamentos rústicos e pesados”, explica Soldi. “A fábrica modelo vai além da demonstração do processo produtivo. Ao reunir empresas de máquinas, formas, cabedais, solas e componentes, o projeto amplia a exposição de cada parceiro.”
Escuta do trabalhador ganha espaço na gestão de riscos psicossociais
A gestão transdisciplinar de riscos com foco na proteção do trabalhador foi o tema do painel realizado na programação do 27º COBRASEMT (Congresso Brasileiro de Segurança e Medicina do Trabalho), que acontece simultaneamente à FISP e à Fire Show. A palestra de Edwar Abreu Gonçalves, professor do Centro Federal de Educação Tecnológica do Rio Grande do Norte, serviu de base para o debate em um painel que reuniu diversos especialistas.
Segundo Gonçalves, os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho não devem banalizar o uso desse conceito. “Psicossocial é um termo resultante da interação, pela influência mútua, entre a dimensão psicológica e a dimensão social do ser humano”, explicou. “A primeira envolve emoções, sentimentos e comportamentos, e a segunda a cultura, as relações interpessoais, as condições de vida e o meio ambiente, em especial o de trabalho. Portanto, não se pode falar de fatores de riscos psicossociais à toa, porque a palavra psicossocial tem uma explicação acadêmica, científica.”
Ao tratar da NR-1, atualizada para incluir esses fatores no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), o professor defendeu que a percepção subjetiva do trabalhador também seja considerada na avaliação, ao lado das condições do ambiente. Segundo ele, um fator só se configura como risco quando afeta quem trabalha. Ele lembrou que o tema dialoga com a NR-17, que prevê a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores. “Podemos afirmar que estamos contribuindo positivamente para a saúde mental do trabalhador se desprezamos, na origem, a sua percepção subjetiva?”, propôs como reflexão.
Gonçalves também destacou a relação entre as normas regulamentadoras e a legislação. Como exemplo, citou que a obrigação de fornecer EPIs decorre do artigo 166 da CLT, regulamentado pela NR-6. “Uma norma regulamentadora, do ponto de vista jurídico, não pode criar direitos nem gerar obrigações”, afirmou. Para ele, a integração de riscos passa também pela realidade das empresas. “Nós não podemos pensar em segurança e saúde do trabalho dissociado da questão patronal, da questão da empresa. Porque se a empresa não tiver lucro, ela fecha as portas”, disse.
Diante de um auditório cheio, também participaram do debate: Cassius Zomignani, mestre em Direito do Trabalho; Eduardo Marcatto, vice-presidente da Associação Brasileira de Empresas de Segurança e Saúde no Trabalho (ABRESST); Iva Barbosa, presidente da Associação Nacional de Engenharia de Segurança do Trabalho (ANEST); José Nivaldo Barbosa de Sousa, diretor-presidente da Federação Nacional dos Técnicos em Segurança do Trabalho (FENATEST); Leandro Guimarães, ex-presidente da Associação Paulista de Medicina do Trabalho (APMT); e Luiz Carlos de Miranda Junior, ex-presidente da Associação Brasileira de Higienistas Ocupacionais (ABHO).
Primeiro dia do FISP & Fire Fashion Show atrai grande público

O FISP & Fire Fashion Show, o primeiro desfile técnico de EPIs da América Latina, reuniu um grande público no Pavilhão Play Safer no primeiro dia da 25ª FISP.
A apresentação contou com modelos executando coreografias, com música e luzes ditando o ritmo e animando a plateia. Roupas profissionais, calçados, cintos, luvas e óculos de proteção foram apresentados em movimento, permitindo observar características como ergonomia, flexibilidade, conforto e design, que nem sempre aparecem em uma exposição estática. A apresentação serviu ainda para mostrar de forma incontestável a flexibilidade e possibilidade de movimentos que os equipamentos modernos proporcionam.
A novidade também gerou entusiasmo entre as empresas que estão participando do evento exibindo seus equipamentos. Para Renata Pilão, Gerente de Marketing da Danny, o formato abre espaço para uma nova abordagem. “Nós colocamos o EPI para além do uso de proteção e elevamos ao patamar artístico com esse desfile”, afirma. “A gente fala muito que EPI não precisa ser feio e esse evento é a melhor maneira de expressar isso de forma dinâmica.” Pilão aponta como destaque em seu desfile uma luva de proteção contra corte considerada a mais fina do mundo, com tecnologia exclusiva e patenteada.
Já a Marluvas levou à passarela novas linhas de calçados com cabedais de matérias-primas ecológicas, como a nanopele, de origem não animal. “Um pé desse calçado pesa cerca de 330 gramas, às vezes até mais leve que um tênis de uso diário”, explica Priscila Freitas, Gerente de Marketing da empresa. Para ela, o evento é “uma oportunidade única de apresentar os nossos produtos em um formato inovador”.
A Amalfis, por sua vez, apresentou uma linha que utiliza uma malharia desenvolvida pela empresa com gerenciamento térmico. “A gente quer mostrar que o EPI não precisa ser só básico, ele pode ter design, conforto e mobilidade”, diz Karine Lima, Diretora Comercial da empresa. “A expectativa é mostrar para os grandes players do mercado que o uniforme pode ir além da proteção”, afirma.
A reação do público acompanhou a proposta. Gislene de Freitas, do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo), que visitou a feira pela primeira vez, destacou o formato. “Achei bem interessante e muito diferente. Apresentar as roupas em forma de coreografia é algo que eu nunca tinha visto”, disse.
Já Laura Almeida Silva, aluna da FIEC (Fundação Indaiatubana de Educação e Cultura), instituição de cursos técnicos de Indaiatuba, interior de São Paulo, ressaltou a organização, a coreografia e a sincronia dos participantes. “A coreografia foi perfeita, achei uma experiência muito inovadora e surpreendente. Foi algo que eu realmente não estava esperando ver”, afirmou.
Serviço:
Fisp — 25ª Feira Internacional de Segurança e Proteção | Fire Show — 16ª International Fire Fair
Data: 6 a 8 de outubro de 2026
Horário da feira: das 13h às 20h
Local: São Paulo Expo (Pavilhão Play Safer — Pavilhão 8)
Endereço: Rodovia dos Imigrantes, km 1,5 — Vila Água Funda, São Paulo — SP
27º COBRASEMT
Data: 6 a 8 de outubro de 2026
Horário: das 14h às 19h
Mais informações acesse aqui
Credenciamento e informações: feirafisp.com.br | fireshow.com.br
Programação Pavilhão Play Safer: acesse aqui
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Galeria de fotos Fire Show 2026: acesse aqui
Sobre a Fiera Milano Brasil
A Fiera Milano Brasil é a filial brasileira da Fiera Milano, um dos maiores players de feiras e congressos do mundo, que reúne todos os anos cerca de 30 mil expositores e mais de cinco milhões de visitantes. No Brasil, a companhia realiza nove feiras que representam setores fundamentais da economia — segurança, energias limpas e renováveis, tubos e conexões, cabos, saúde no trabalho, tecnologias em reabilitação, inclusão e acessibilidade, entre outros. Fazem parte do portfólio marcas como Exposec, Fisp, Fire Show, Fruit Attraction São Paulo — em parceria com a IFEMA Madrid —, Reatech, Tubotech, Wire Brasil e Esquadria Show, em parceria com a NürnbergMesse Brasil. Mais informações acesse aqui



