Saúde

Outubro Rosa e Novembro Azul: prevenção também é papel das empresas?

Especialista defende que campanhas dentro das organizações devem ir além de ações pontuais e fazer parte de uma gestão ocupacional que também estimule prevenção e cuidado com a saúde

Com a chegada do Outubro Rosa e do Novembro Azul, empresas de diferentes setores promovem campanhas, palestras e ações de conscientização sobre a saúde de mulheres e homens. Mas qual deve ser, de fato, o papel das organizações nessas datas?

Para o médico Vardiceu Genaro, da MAG Saúde, empresa especializada em saúde e segurança do trabalho, as campanhas podem ser uma oportunidade para ampliar o conceito de saúde ocupacional. “Durante muito tempo, falar em saúde e segurança dentro das empresas esteve muito associado à prevenção de acidentes e aos riscos diretamente relacionados à atividade profissional. Tudo isso continua sendo fundamental, mas precisamos olhar para o trabalhador de maneira mais ampla. Prevenção e promoção da saúde também fazem parte desse cuidado”, afirma.

Na avaliação do médico, vestir a empresa de rosa em outubro ou de azul em novembro ajuda a dar visibilidade aos temas, mas as ações ganham mais relevância quando estão inseridas em uma política contínua de saúde. “A empresa não substitui o médico e não é responsável pelo diagnóstico de seus colaboradores. O papel dela é outro: informar, conscientizar, facilitar o acesso à informação de qualidade e criar uma cultura em que cuidar da saúde seja valorizado”, explica Genaro.

 

Da segurança à gestão da saúde

Segundo o especialista, a própria relação cotidiana entre empresa e trabalhador torna o ambiente profissional um espaço importante para disseminar informações sobre prevenção. Muitas pessoas passam grande parte do dia no trabalho e, em alguns casos, deixam os cuidados preventivos em segundo plano.

Por isso, Outubro Rosa e Novembro Azul podem ser usados como pontos de partida para estimular uma mudança de comportamento que permaneça durante todo o ano. “Uma pergunta que as empresas precisam fazer é: estamos fazendo gestão de saúde ou apenas agindo quando o trabalhador já está doente? Uma gestão ocupacional mais madura trabalha também com prevenção”, afirma.

 

Cinco ações que podem ir além do rosa e do azul

  1. Levar informação de qualidade
    Promover palestras, rodas de conversa e conteúdos elaborados por profissionais de saúde, evitando informações genéricas ou sem respaldo técnico.
  2. Estimular o acompanhamento preventivo
    As campanhas podem lembrar os trabalhadores sobre a importância de manter consultas e acompanhamentos de saúde indicados de acordo com idade, histórico e orientação médica.
  3. Criar espaço para falar sobre saúde
    Construir uma cultura em que buscar atendimento médico e cuidar da própria saúde não sejam vistos como assuntos secundários dentro da rotina profissional.
  4. Integrar campanhas à gestão ocupacional
    Outubro e novembro podem concentrar ações de conscientização, mas promoção da saúde deve fazer parte do planejamento ao longo de todo o ano.
  5. Respeitar os limites da empresa
    Incentivar a prevenção não significa interferir na vida privada do colaborador. Informações individuais de saúde devem ser preservadas, e decisões sobre investigação, exames e tratamentos pertencem ao trabalhador e aos profissionais que o acompanham.

Para Genaro, o principal legado das campanhas está justamente em fazer com que a discussão ultrapasse o calendário. “Outubro Rosa e Novembro Azul são excelentes oportunidades para chamar atenção para a prevenção. Mas uma empresa que realmente incorpora a saúde à sua gestão precisa pensar nesse trabalhador nos outros dez meses do ano também”, finaliza.

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