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Ataque hacker eleva temperatura de geladeiras de supermercados na França

Invasão afetou sistemas de refrigeração, causou descarte de alimentos e mostra os riscos de dispositivos conectados à operação das empresas

Geladeiras e freezers de supermercados franceses chegaram a registrar temperaturas de até 50°C após criminosos assumirem o controle de sistemas de refrigeração na madrugada de 11 para 12 de outubro. A invasão atingiu centenas de estabelecimentos, provocou descarte de alimentos e relatos de incêndios. O episódio reforça um problema apontado em pesquisa da Honeywell, divulgada em setembro de 2026: apenas 21% das organizações entrevistadas possuem um inventário completo dos equipamentos conectados aos seus sistemas operacionais.

Para Hesron Hori, especialista em segurança da informação, sócio e diretor de Risk Assessment da Under Protection, empresa especializada em cibersegurança e continuidade operacional, o episódio mostra que os prejuízos de uma invasão podem ir muito além do roubo de informações.

“O empresário costuma associar um ataque hacker ao vazamento de dados ou ao bloqueio de computadores. Mas o risco também está nos equipamentos que mantêm o negócio funcionando, se alguém consegue alterar a temperatura de uma câmara frigorífica, desligar uma máquina ou interferir em um sistema de climatização, o problema deixa de ser apenas digital e passa a afetar o estoque, a produção, o faturamento e até a segurança das pessoas”, explica.

Na França, redes como Carrefour, Intermarché e Monoprix estiveram entre as atingidas. Parte dos produtos armazenados precisou ser descartada, e os prejuízos estimados para o setor chegaram à casa de dezenas de milhões de euros.

O caso levou a agência francesa de cibersegurança a emitir um alerta sobre controladores utilizados em instalações de refrigeração. Entre os equipamentos afetados estavam modelos antigos, que já não recebem atualizações de segurança, além de outros que utilizavam versões desatualizadas de software.

O risco de segurança está onde as empresas menos esperam

O ataque chama a atenção para uma parte da infraestrutura empresarial que nem sempre recebe o mesmo nível de proteção dos computadores e servidores.

Supermercados, hospitais, indústrias e centros de distribuição dependem de equipamentos conectados para controlar temperaturas, operar máquinas, conservar medicamentos e armazenar mercadorias. Muitos desses sistemas permitem acesso remoto para facilitar a manutenção.

O problema surge quando essas conexões ficam expostas à internet, utilizam senhas frágeis ou permanecem anos sem atualização.

“Uma empresa pode investir muito para proteger seus computadores e, ao mesmo tempo, manter uma porta aberta em um equipamento instalado há dez anos. O invasor não precisa necessariamente atacar o sistema mais moderno, ele procura o caminho menos protegido. E muitas vezes esse caminho está em um dispositivo que funciona todos os dias, mas que ninguém incluiu na estratégia de segurança”, alerta Hori.

A preocupação também envolve fornecedores externos que precisam acessar equipamentos à distância. Essas conexões facilitam reparos e ajustes, mas podem representar riscos quando as permissões não são controladas.

O levantamento da Honeywell, realizado com mais de 600 líderes globais de segurança industrial, identificou que 88% consideram seus programas de proteção maduros, embora apenas uma parcela tenha conhecimento completo dos equipamentos presentes na operação.

Como hackers fizeram geladeiras chegar a 50°C

A invasão explorou uma característica dos sistemas modernos de refrigeração: muitos deles são administrados por controladores digitais, que permitem acompanhar e modificar temperaturas à distância.

Esses dispositivos funcionam como uma central de comando. Por meio deles, técnicos podem ajustar o funcionamento de freezers, câmaras frigoríficas e expositores sem precisar estar fisicamente no supermercado.

No ataque francês, os criminosos conseguiram manipular esses controladores e ativaram a função de degelo, normalmente utilizada para evitar o acúmulo de gelo nos equipamentos.

Em condições normais, esse procedimento ocorre por períodos limitados. Os invasores, porém, alteraram as configurações para manter o aquecimento por tempo prolongado, fazendo a temperatura chegar a 50°C e comprometendo a conservação dos alimentos.

Os sistemas atingidos incluíam controladores da fabricante dinamarquesa Danfoss. Segundo a empresa, parte dos dispositivos afetados era antiga e já não recebia atualizações. As autoridades francesas ainda investigam qual vulnerabilidade ou forma de acesso permitiu a entrada dos criminosos.

O episódio demonstra como uma função legítima de manutenção pode ser utilizada para causar danos quando pessoas não autorizadas conseguem controlar os equipamentos.

O que as empresas precisam fazer para evitar novos ataques

A primeira medida é identificar todos os dispositivos conectados à estrutura da empresa, inclusive aqueles utilizados na produção, no armazenamento e na manutenção predial.

Depois, é necessário verificar quais equipamentos recebem atualizações, quem possui autorização para acessá-los e quais estão disponíveis diretamente pela internet.

Outra proteção importante é separar a rede utilizada pelos funcionários daquela que controla máquinas e processos físicos. Assim, uma invasão em determinado sistema tem menos chances de alcançar toda a operação.

O monitoramento contínuo também permite identificar comportamentos suspeitos e agir antes que uma alteração comprometa equipamentos ou provoque perdas maiores.

Hori chama a atenção para a velocidade com que uma invasão pode provocar prejuízos. Em operações que dependem de refrigeração, produção contínua ou equipamentos automatizados, o tempo necessário para identificar e conter uma alteração indevida pode determinar a dimensão das perdas.

“Quando um criminoso consegue interferir em um equipamento, o maior risco é que a alteração passe despercebida até causar prejuízos. Por isso, as empresas precisam identificar comportamentos suspeitos, bloquear acessos indevidos e agir rapidamente. A capacidade de resposta pode ser determinante para evitar que um incidente se transforme em uma paralisação”, explica Hori.

 

Sobre Hesron Hori

Hesron Hori é sócio e diretor de Risk Assessment da Under Protection, especialista em gestão de riscos corporativos e segurança da informação. Atua há mais de uma década na avaliação de vulnerabilidades, governança digital e continuidade operacional, apoiando empresas na identificação e mitigação de riscos que afetam resultados, operações e reputação.

Formado em Segurança da Informação, possui MBA em Administração, Finanças e Geração de Valor pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Sua atuação integra tecnologia e estratégia de negócios, com foco em normas internacionais e boas práticas de segurança aplicadas ao ambiente corporativo.

Para mais informações, acesse linkedin.

Sobre a Under Protection

Com mais de 25 anos de atuação, a Under Protection é especializada em cibersegurança e continuidade operacional. Criadora das metodologias LISA e NG LISA, combina monitoramento em tempo real, resposta imediata e análise integrada de pessoas, processos e tecnologia. Atua com planos priorizados e clareza executiva para proteger ambientes digitais com eficiência e resiliência.

A empresa também opera um centro de operações de segurança (NG SOC) que monitora ambientes 24/7, processando eventos em tempo real e executando ações automatizadas para contenção de ameaças. Com presença nacional e atuação em diversos setores, a Under Protection é reconhecida por sua abordagem estratégica e capacidade de adaptação às necessidades específicas de cada organização. 

Para mais  informações, acesse o site underprotection.

Fonte de pesquisa

https://www.honeywell.com/us/en/insights/research/2026-ot-security-benchmark

https://www.honeywell.com/us/en/news/press-releases/2026/09/honeywell-technologies-report-reveals-significant-gaps-in-industry-s-ot-cybersecurity-protection

https://cert.cyber.gouv.fr/alerte/CERTFR-2026-ALE-012/

https://thehackernews.com/2026/10/attackers-heat-french-supermarket.html

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