Modernização histórica do Porto de Santos mostra como inteligência térmica e IA elevam a segurança de infraestruturas críticas no Brasil
Entre dezembro de 2024 e outubro de 2025, a Avantia – Tecnologia e Segurança implantou um sistema de monitoramento inteligente na Autoridade Portuária de Santos, maior complexo portuário da América Latina, incluindo câmeras biespectrais capazes de detectar embarcações a até dois quilômetros de distância, mesmo em condições de neblina, chuva, fumaça, escuridão total ou sobre lâminas d’água. O projeto também contemplou infraestrutura à prova de explosão no cais da Alemoa, área de intensa movimentação de combustíveis, além de processamento com deep learning para análises comportamentais e integração entre monitoramento e resposta operacional.
Mais do que um case tecnológico, o projeto evidencia uma tendência crescente: a adoção de soluções inteligentes para proteger ativos classificados como infraestrutura crítica. Em um cenário de aumento das exigências regulatórias e da necessidade de resposta rápida a incidentes, tecnologias que combinam visão térmica, imagem óptica e inteligência artificial passam a desempenhar papel estratégico na prevenção de riscos, na proteção patrimonial e na continuidade das operações.
Entrevista com Bruno Carvalho, Diretor Comercial do Setor Público e Elétrico da Avantia – Tecnologia e Segurança
Quais eram os principais desafios de segurança e monitoramento enfrentados pela autoridade portuária de Santos e como a solução implantada pela Avantia transformou esse cenário?
Bruno – Portos de grande porte enfrentam desafios estruturais de monitoramento: perímetros extensos, múltiplos modais de acesso — rodoviário, ferroviário e aquaviário — e condições de baixa visibilidade no período noturno, que tradicionalmente reduzem a eficácia de sistemas convencionais de videomonitoramento. Esses fatores aumentam o risco de acessos não identificados e de movimentações irregulares em áreas classificadas como estratégicas, com potencial impacto sobre a segurança operacional e a conformidade regulatória do porto.
A tecnologia de câmeras térmicas Biespectrais para esse projeto permitiu detecção em condições de escuridão total e sobre grandes distâncias, inclusive sobre lâminas d’água — características que endereçam diretamente as lacunas de visibilidade noturna e, principalmente, de cobertura em vias aquaviárias. A atualização tecnológica das áreas críticas amplia, ainda, a integração entre monitoramento e resposta operacional.
O Porto de Santos é classificado como ativo de infraestrutura crítica nacional, sujeito a normas internacionais de segurança portuária. Projetos de modernização tecnológica em áreas de movimentação de combustíveis e vias de acesso estratégico têm relevância que ultrapassa a proteção patrimonial, alcançando a continuidade operacional do porto e a conformidade com exigências regulatórias do setor.
Como as câmeras biespectrais, que combinam visão óptica e térmica, ampliam a capacidade de detectar embarcações e monitorar áreas críticas, mesmo em condições climáticas adversas?
Bruno – Na câmera térmica biespectral, a combinação das duas tecnologias faz com que o mesmo equipamento capture calor e imagem com o nível de detalhe necessário para uma ação eficaz. A leitura térmica identifica uma movimentação noturna pela variação de temperatura; a partir dessa detecção, a lente óptica assume o acompanhamento e entrega ao operador uma imagem de altíssima precisão. É uma solução com até 2 km de distância de detecção.
O cais da Alemoa é uma das áreas mais sensíveis do porto. Quais cuidados e tecnologias foram necessários para garantir uma infraestrutura segura e preparada para esse ambiente de alto risco?
Bruno – A Alemoa reúne vias ferroviárias, aquaviárias e rodoviárias operando simultaneamente, o que exige equipamentos capazes de disponibilizar informação no exato momento em que um evento acontece — o que se traduz em maior velocidade de resposta e, consequentemente, maior assertividade no resultado.
Para esse cenário, utilizamos câmeras biespectrais, que garantem a identificação de movimentações mesmo no período noturno, por meio da detecção de calor, apresentando simultaneamente a imagem correspondente para que o operador tenha as informações estratégicas necessárias para agir em tempo real. O projeto também incorporou câmeras à prova de explosão — conforme padrões internacionais —, com áudio bidirecional integrado, além de unidades de processamento com tecnologia de deep learning, que permitem análises comportamentais mais avançadas.
Que impactos esse projeto traz para a segurança e a eficiência operacional do Porto de Santos e como ele pode servir de referência para outras infraestruturas críticas no Brasil?
Bruno – Uma rede de câmeras biespectrais integrada a softwares, hardwares e aos demais elementos de um sistema de segurança eletrônica para ambientes classificados e de alto risco faz diferença direta na eficiência operacional — não só do Porto de Santos, mas de qualquer complexo portuário do país. Os desafios enfrentados por diferentes portos são muito parecidos; o que muda, na maior parte dos casos, é o tamanho do perímetro e o volume de movimentação de carga. Nesse sentido, o impacto de um projeto como esse é garantir à Autoridade Portuária maior velocidade, assertividade e eficácia na identificação e na resposta a eventos de não conformidade — um modelo replicável para qualquer infraestrutura crítica nacional com desafios semelhantes de perímetro e monitoramento.


