Roubo e furto de veículos seguem acima de 300 mil casos por ano; IA amplia capacidade de identificação de automóveis suspeitos
Especialista da Pumatronix explica como soluções de leitura automática de placas e cercamento eletrônico vêm fortalecendo o trabalho das forças de segurança
O Brasil registrou 308.440 ocorrências de roubo e furto de veículos em 2025, o equivalente a 845 casos por dia, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026. Apesar da redução de 10,7% em relação a 2024, quando foram contabilizados 345.503 registros, o país ainda mantém um elevado volume de crimes patrimoniais envolvendo automóveis, reforçando a necessidade de ampliar a capacidade de prevenção, monitoramento e resposta das forças de segurança.
Os dados também mostram que esse tipo de ocorrência continua distribuído por todas as unidades da Federação, evidenciando que o desafio não está restrito aos grandes centros urbanos. O cenário tem impulsionado estados e municípios a ampliar investimentos em tecnologias capazes de monitorar a circulação de veículos em tempo real e fornecer informações mais qualificadas para as equipes responsáveis pelas operações e investigações.
Nesse contexto, ferramentas baseadas em inteligência artificial, leitura automática de placas (LPR) e cercamento eletrônico vêm assumindo um papel cada vez mais estratégico. Antes associadas principalmente à fiscalização de trânsito, essas tecnologias passaram a integrar sistemas de inteligência capazes de identificar automaticamente veículos com restrições, acompanhar seus deslocamentos entre diferentes regiões e cruzar informações com bases de dados utilizadas pelos órgãos de segurança pública.
Na prática, o monitoramento deixa de depender exclusivamente da observação humana e passa a operar de forma contínua. Câmeras inteligentes instaladas em vias urbanas, rodovias e acessos aos municípios registram a passagem dos veículos, permitindo reconstruir rotas, identificar padrões de circulação e emitir alertas quando um automóvel com registro de roubo, furto ou outra restrição é detectado. Além de aumentar a eficiência das abordagens em campo, essas informações também contribuem para a produção de evidências e o direcionamento de investigações.
“A leitura automática de placas deixou de ser apenas uma ferramenta de fiscalização para se tornar um recurso estratégico de inteligência. Hoje, a tecnologia permite localizar veículos de interesse em poucos segundos, acompanhar seus deslocamentos e colocar a informação na viatura no momento em que ela ainda muda a decisão da equipe, e não depois, no relatório”, afirma Alexandre Krzyzanovski, diretor de Engenharia da Pumatronix.
Segundo o especialista, o principal avanço está na integração entre diferentes sistemas de monitoramento. “O valor não está apenas na câmera ou no leitor de placas, mas na capacidade de conectar dados provenientes de diferentes pontos da cidade em um único ambiente. Essa visão integrada amplia a consciência situacional das equipes e apoia decisões com muito mais agilidade”, explica.
Uma das soluções utilizadas nesse contexto é a VTR 600, desenvolvida pela Pumatronix. O sistema de leitura automática de placas embarcado em viaturas policiais identifica veículos durante o deslocamento das equipes e compara, em tempo real, as informações com bases de dados integradas de segurança pública, como SPIA-PRF e Detecta. Quando encontra um veículo com registro de roubo, furto ou outra restrição, gera um alerta imediato, complementando o trabalho realizado pelas redes de cercamento eletrônico instaladas em cidades e rodovias.
Para Krzyzanovski, a tendência é que a integração entre tecnologias de monitoramento continue avançando à medida que estados e municípios ampliem seus centros de comando e controle. “Quanto mais conectados estiverem os sistemas de leitura de placas, videomonitoramento e análise de dados, maior será a capacidade de transformar informação em inteligência para apoiar o combate à criminalidade e a recuperação de veículos”, conclui.


