Saúde

Finanças supera saúde mental como maior desgaste no trabalho

Levantamento com profissionais de RH, lideranças e executivos mostra que o pilar financeiro é o pior avaliado, à frente da saúde mental; nenhuma das 11 dimensões analisadas atingiu a zona saudável

São Paulo, agosto de 2026 — Enquanto as empresas concentram esforços em programas de saúde mental, palestras de conscientização e semanas temáticas, a maior fonte de desequilíbrio dos profissionais brasileiros pode estar em outro lugar: nas contas do fim do mês. É o que indica um levantamento inédito conduzido pela HIT Terapias Holísticas durante o RH Summit, em parceria com o iFood Benefícios, com 427 profissionais de RH, lideranças e executivos.

Entre os 11 pilares avaliados, finanças foi o pior colocado, com média 5,8, abaixo de saúde mental e emocional (6,2) e de saúde física (6,7). O resultado contraria o foco que a agenda corporativa vem dando ao bem-estar e sugere que a insegurança financeira pesa mais do que o tema que hoje domina o debate. E o problema não se restringe à base da pirâmide: entre os 127 C-levels e presidentes ouvidos, finanças também aparece entre as dimensões mais críticas.

O estudo aplicou a metodologia da Roda da Vida Integrativa, que avalia 11 dimensões da vida: saúde física, saúde mental e emocional, relacionamentos, carreira, finanças, lazer, propósito e espiritualidade, autoconhecimento, ambiente físico, educação e conhecimento e contribuição social. Cada pilar é classificado em três faixas: crítico (de 0 a 4), alerta (de 4 a 7) e saudável (de 8 a 10). Nenhum dos 11 alcançou média igual ou superior a 8.

Para Paty Palhares, CEO e fundadora da HIT Terapias Holísticas, o número tem relação direta com o momento econômico. “A gente está com uma inflação acumulada em diversos serviços e uma sensação permanente de insegurança financeira. Hoje, o que eu mais escuto nas empresas é: ‘eu vou ao mercado, compro duas sacolinhas e dá R$300’. Essa percepção do valor das coisas reforça que a saúde financeira deixou de ser um tema exclusivamente pessoal. Ela passou a ser um tema que impacta diretamente o ambiente de trabalho: impacta nos resultados, na presença da pessoa, na entrega e no rendimento do dia a dia”, afirma.

A explicação, segundo ela, é de ordem cognitiva: a preocupação constante com dinheiro impõe ao cérebro uma carga diária que reduz a concentração, compromete a tomada de decisão e derruba a sensação de bem-estar. Daí a defesa de que os benefícios corporativos passem a contemplar também a saúde financeira, em vez de tratar as dimensões da vida como compartimentos isolados. 

Não é só falar sobre saúde mental, porque a saúde financeira está completamente ligada à saúde mental. As estratégias têm que ser 360. Eu não vou entregar, não vou evoluir, não vou fazer um projeto bom, se eu não estiver pagando o boleto e dormindo bem”, resume a executiva.

E o segundo achado amplia o alerta. O levantamento foi aplicado justamente entre profissionais de RH e lideranças, público responsável por desenhar e sustentar as políticas de bem-estar dentro das empresas. Ainda assim, nenhuma das 11 dimensões atingiu a zona saudável. Na avaliação da especialista, esse é o dado mais relevante do estudo, porque revela um problema de natureza estrutural. 

Isso acontece com uma amostra de profissionais de RH, de lideranças e executivos, ou seja, um público que, em tese, está mais exposto às discussões sobre saúde e bem-estar, que estuda esses temas e usa ferramentas para levar isso para as pessoas. Quando nem os que lideram todas essas agendas percebem equilíbrio nas suas próprias vidas, o desafio deixa de ser individual e se torna estrutural.

Do bem-estar opcional à obrigação legal

O estudo chega em um momento de virada regulatória. Desde maio de 2026, a atualização da NR-1 obriga as empresas a identificar e gerenciar riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Na prática, cuidar da saúde mental dos colaboradores deixou de ser diferencial e passou a ser exigência legal. E o cenário que motivou a norma é expressivo: segundo o INSS, mais de 472 mil brasileiros se afastaram do trabalho por transtornos mentais em 2024, alta de cerca de 68% nos afastamentos ligados à saúde mental. A fundadora da HIT pondera, no entanto, que a norma sozinha não resolve. Na avaliação dela, as empresas avançaram muito na discussão sobre saúde mental, mas segue existindo uma diferença importante entre o discurso e a percepção real das pessoas na prática.

Se o bem-estar deixou de ser um benefício pontual e virou exigência de gestão, a pergunta deixa de ser ‘devemos cuidar?’ e passa a ser ‘como?’. O tema precisa ser tratado como estratégia de gestão, e não como ação de calendário. Não é só fazer uma palestra de Setembro Amarelo. Não é só eu falar que tenho um benefício. É um plano de ação contínuo, em que eu vou mudar estruturalmente a minha cultura, a minha forma de agir, a minha percepção interna dos colaboradores nas dimensões de vida deles, para que eu tenha um resultado positivo“, defende a executiva.

Na prática, isso significa programas permanentes, que integrem as diferentes dimensões da vida do colaborador, o que inclui trazer a saúde financeira para dentro da agenda de bem-estar, com educação financeira, apoio ao endividamento e benefícios conectados à realidade econômica das equipes. A lógica é de interdependência: quando uma das dimensões permanece fragilizada por muito tempo, ela tende a contaminar as demais, e nenhuma política se sustenta olhando para uma só delas.

E há uma condição sem a qual, segundo Paty, nada disso funciona: o envolvimento de quem lidera. Se as próprias lideranças e os profissionais de RH aparecem no limite, sem nenhum pilar em zona saudável, o cuidado dificilmente chega à ponta. “Esse plano tem que vir 100% conectado com as lideranças, porque quando o líder não está presente, quem está abaixo não se conecta. Tem que ter a entrega na prática e com exemplo. Um bom líder é aquele que escuta mais e fala menos, que dá o exemplo pelos hábitos e pelas atitudes, e não só por números e dados“, conclui.

Sobre a HIT Terapias Holísticas
A HIT Terapias Holísticas é o maior aplicativo de terapias holísticas do Brasil. Reúne mais de 38 práticas integrativas como Psicanálise, Reiki, Yoga, Mindfulness, Mesa Quântica e Acupuntura, e conecta terapeutas a cerca de 100 mil usuários. A HIT atua também no ambiente corporativo, levando saúde integrativa às empresas por meio do Vale Terapia e projetos de Saúde Integrativa aliados a NR-01, com o Mapeamento da Roda da Vida, Vivências Integrativas e Palestras –
hitapp.com.br.

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